Justiça condena dono de salão por racismo e discriminação em sp

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G1

Um proprietário de salão de beleza em São Paulo foi condenado pela Justiça por atos de racismo e discriminação. Áudios que circularam em redes sociais em 2023 revelaram declarações ofensivas direcionadas a negros, pessoas gordas, gays, feministas e eleitores de um determinado partido político.

A decisão judicial, proferida na quarta-feira, impõe ao réu uma pena de 2 anos e 4 meses de prisão em regime aberto, posteriormente convertida em prestação de serviços comunitários. Além disso, ele deverá pagar indenizações por danos morais que somam mais de R$ 30 mil.

Em um dos áudios, o empresário, identificado como Diego Beserra Ernesto, branco e dono de um salão em Perdizes, declarou: “Eu não contrato preto.” Ele também afirmou não contratar “gorda” nem “viado”. As gravações foram enviadas via celular a Jeferson Dornelas, um cabeleireiro negro que alugava uma cadeira no salão de Diego.

A conversa que originou os áudios tratava de Ana Carolina Alves de Souza, uma profissional que Jeferson pretendia contratar como auxiliar. Após a desistência de Ana, Jeferson compartilhou a notícia com Diego, recebendo em resposta uma série de áudios com conteúdo preconceituoso.

Nessas mensagens, Diego disse: “Eu não contrato gordo. Eu não contrato petista, eu não contrato preto… No caso dali, a mulher, tem duas coisas, mano: gorda e preta. Ela não cuida nem do próprio corpo, entendeu? Como é que vai ter responsabilidade na vida? Não tem.”

Diego também teceu comentários ofensivos sobre Ana, mencionando que ela tinha “cabelo curto” e era “feminista”, generalizando que feministas são “um saco”. Em outro áudio, o empresário expressou sua aversão a homossexuais, afirmando, entre risadas: “Não contrato mais viado… mas nem fu.”

As declarações de Diego levaram Jeferson a desistir de alugar a cadeira no salão. Na época em que as ofensas vieram à tona, Jeferson expressou o desejo de que o empresário “pagasse criminalmente pelo que fez”.

Em depoimento à Justiça, Diego confirmou a autenticidade dos áudios, mas negou ter agido com preconceito. No entanto, investigações da Polícia Civil e do Ministério Público constataram que todos os funcionários do salão eram brancos, magros e heterossexuais.

A juíza Manoela Assef da Silva, da 15ª Vara Criminal, determinou que Diego pague R$ 15 mil de indenização por danos morais a Ana e outros R$ 15 mil a um fundo de igualdade racial a ser definido pela Justiça.

Em 2023, Ana relatou ter se sentido “constrangida”, “violada” e “excluída” ao tomar conhecimento das declarações de Diego a seu respeito.

O advogado do empresário, José Miguel da Silva, informou que irá recorrer da condenação.

Fonte: g1.globo.com

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