Há 50 anos, o jornalista Vladimir Herzog, conhecido como Vlado, foi preso e morto sob tortura por agentes do Estado brasileiro no DOI-Codi, órgão de repressão da ditadura militar. O assassinato do então diretor de Jornalismo da TV Cultura desencadeou uma onda de protestos e fortaleceu a luta pela redemocratização do país.
Cinco décadas depois, o legado de Vlado é lembrado e preservado por meio de novas produções e tecnologias. Um documentário e um podcast exploram sua vida e obra, enquanto uma ferramenta de inteligência artificial simula sua voz e respostas com base em seu vasto acervo.
O documentário “A Vida de Vlado – 50 anos do Caso Herzog”, da TV Cultura, apresenta materiais inéditos sobre a história da família Herzog, a trajetória de Vlado e seu impacto na sociedade. O filme inclui fotos e documentos nunca antes divulgados, além de entrevistas com pessoas que trabalharam e conviveram com o jornalista. O lançamento oficial ocorreu durante a 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, com um pôster que exibe uma foto rara de Vlado com sua esposa e filhos, tirada pouco antes de sua morte.
Na Praça Memorial Vladimir Herzog, em São Paulo, foi inaugurado o “Calçadão do Reconhecimento”, uma intervenção permanente que homenageia os vencedores do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Entre os homenageados está o conjunto dos trabalhadores da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), reconhecidos em 2022 por sua resistência na defesa da comunicação pública durante um período de censura e perseguição.
O podcast “O Caso Herzog: A Foto e a Farsa” investiga as circunstâncias da morte de Vlado, com foco na fotografia que simulava um suicídio. O jornalista Camilo Vannuchi entrevista o fotógrafo Silvaldo Leong, autor da imagem, e apresenta documentos e áudios inéditos que desmentem a versão oficial da época. Especialistas apontam que a cena do suicídio foi uma montagem, já que Vlado era mais alto que a janela em que foi encontrado e apresentava sinais de tortura.
Paulo Markun, amigo e colega de Herzog, desenvolveu uma ferramenta de inteligência artificial que permite criar respostas na voz do jornalista. A plataforma utiliza um banco de dados com livros, reportagens, textos e cartas de Vlado para responder a perguntas sobre sua vida, carreira e o contexto político da época. A ferramenta será apresentada em um evento sobre o uso da IA na preservação da memória.
As homenagens e iniciativas em torno do legado de Vladimir Herzog demonstram que, apesar das divergências políticas, há um consenso sobre a importância da democracia, dos direitos humanos e da liberdade de expressão. A morte de Vlado impulsionou a criação de uma frente democrática que uniu diferentes setores da sociedade em busca do fim da ditadura e da redemocratização do país.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


