Impactos do Regulamento da UE sobre Produtos Livres de Desmatamento para Cafeicultores Brasileiros

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© REUTERS/Jose Roberto Gomes

As novas restrições impostas pelo Regulamento da União Europeia sobre Produtos Livres de Desmatamento (EUDR), que entrarão em vigor até junho de 2027, representam um desafio significativo para cooperativas e pequenos produtores de café no Brasil. Um estudo recente do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) destaca como essas regulamentações podem dificultar a exportação de café para o mercado europeu, onde mais da metade da produção brasileira é direcionada.

Entendendo o EUDR

O EUDR, ou Regulamento da União Europeia sobre Desmatamento, foi criado para coibir o desmatamento associado à produção de produtos importados para a UE. Uma das principais exigências desse regulamento é que os exportadores provem que seus produtos não foram cultivados em áreas desmatadas após dezembro de 2020. A ausência dessa comprovação resultará em restrições severas de importação.

Classificação de Risco e Desafios para os Produtores

O Brasil é classificado pela UE como um país de ‘risco padrão’, o que implica em um processo de rastreabilidade rigoroso. Essa condição impõe desafios adicionais, especialmente para micro e pequenos produtores que frequentemente enfrentam limitações técnicas e falta de regularização fundiária, dificultando a comprovação da origem sustentável de suas safras.

Impacto nas Exportações e Commodities

A pesquisa da UFRJ indica que cerca de 5,3% das exportações brasileiras podem ser afetadas pelas novas regras, com o café sendo a commodity mais vulnerável, dada sua dependência do mercado europeu. Juntamente com o café, outras commodities relevantes incluem gado bovino, cacau, óleo de palma, borracha, soja e madeira, todas sujeitas às exigências do EUDR.

As Consequências do EUDR

Embora não se possa afirmar que o Brasil perderá completamente sua participação no mercado europeu de café, há preocupações de que o EUDR favoreça a concentração de produção nas mãos de grandes produtores. Esses produtores têm mais recursos e capacidades para atender às exigências de rastreabilidade, o que pode marginalizar os pequenos agricultores.

Considerações Finais

Embora o EUDR tenha um objetivo ambiental legítimo, pode ser visto como uma forma de ‘protecionismo verde’, criando barreiras não tarifárias que impactam desproporcionalmente países em desenvolvimento como o Brasil. A implementação do regulamento, prevista para começar em 2026 para grandes e médios produtores, e em 2027 para pequenos, levantará desafios significativos que exigem atenção e ação coordenada para garantir que pequenos cafeicultores possam continuar a competir no mercado europeu.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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