O sistema prisional brasileiro impõe um ônus significativo às famílias de detentos, que são forçadas a arcar com custos que deveriam ser responsabilidade do Estado. Isso gera um impacto econômico considerável, afetando especialmente as mulheres que visitam os presos semanalmente.
Custos Elevados para as Famílias
Uma pesquisa realizada pela Pastoral Carcerária Nacional, em parceria com a Assessoria Popular Maria Felipa, revela que as famílias gastam, em média, 70% de um salário mínimo em visitas a detentos. Anualmente, esse gasto totaliza cerca de R$ 4,33 bilhões. Os itens de higiene e alimentação, que deveriam ser fornecidos pelas instituições prisionais, são custeados pelas famílias.
Perfil dos Visitantes
A pesquisa indica que 94,1% dos visitantes são mulheres, com destaque para esposas, que representam 30,3% desse grupo. A maioria dos visitantes é composta por pessoas pretas ou pardas, com idades entre 25 e 34 anos. Esse fenômeno evidencia uma ‘feminização e racialização do trabalho social’ no contexto prisional.
Despesas por Visita
Os custos das visitas são alarmantes. Mais da metade dos entrevistados gasta mais de R$ 200 por visita. O preço de um kit de suprimentos que dura 15 dias chega a R$ 263,67, enquanto o custo semanal é de R$ 293,52. Considerando transporte e alimentação, o gasto total para visitas quinzenais é de R$ 624,80, e para visitas semanais, R$ 1.053,90.
Consequências das Arbitrariedades Institucionais
Além das dificuldades financeiras, os visitantes enfrentam condições precárias nas prisões, incluindo superlotação e violência institucional. A pesquisa revela que 58,9% dos entrevistados já sofreram constrangimentos, como revistas íntimas e humilhações. Essas experiências não apenas ferem a dignidade dos visitantes, mas também os associam ao crime de forma injusta.
Conclusão
Os dados apresentados evidenciam que o sistema prisional brasileiro transfere um custo financeiro e emocional significativo para as famílias dos detentos, especialmente para as mulheres. É urgente uma análise crítica desse modelo, que perpetua desigualdades e violações de direitos, exigindo uma reavaliação das políticas prisionais para garantir a dignidade e os direitos de todos os envolvidos.


