Hospital de Guarulhos: banheiro como sala de medicação e denúncias de óbitos

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G1

O Hospital Municipal Pimentas Bonsucesso, uma das principais unidades da rede pública de Guarulhos, na Grande São Paulo, encontra-se sob intenso escrutínio devido a graves denúncias de precariedade estrutural, falta de materiais básicos e escassez de profissionais de saúde. A situação alarmante, exposta por pacientes, familiares e funcionários, revela um cenário crítico onde a assistência médica é comprometida. Relatos chocantes incluem a utilização de um banheiro como sala de medicação improvisada, a ausência de itens essenciais como lençóis e superlotação nas enfermarias. Além disso, famílias enlutadas relatam falhas na assistência e demora no atendimento, questionando a qualidade do serviço prestado nesta unidade de grande porte, que atende milhares de pessoas diariamente em Guarulhos.

Crise de infraestrutura e gestão no Hospital de Guarulhos

Imagens revelam improvisos e falta de recursos básicos

A realidade do Hospital Municipal Pimentas Bonsucesso foi trazida à tona através de vídeos gravados por funcionários que, temendo represálias, preferiram manter o anonimato. As imagens chocantes mostram um espaço, originalmente destinado a ser um banheiro, transformado em uma sala de medicação. Neste local, um vaso sanitário permanece visível, apenas disfarçado sob uma cadeira, enquanto pacientes adultos e crianças são medicados. Segundo o funcionário denunciante, essa adaptação precária estaria em uso há aproximadamente duas semanas, evidenciando a busca desesperada por espaços funcionais em meio a uma infraestrutura inadequada.

Além do improviso na sala de medicação, outros registros internos revelam a superlotação crônica nas enfermarias, onde o número de pacientes excede a capacidade de leitos e recursos. A falta de itens básicos é outro ponto crítico: em vez de um lençol para cada paciente, a equipe teria à disposição cerca de 15 lençóis para atender 36 pacientes, o que força os profissionais a priorizar os casos mais graves para a troca de roupas de cama, comprometendo a higiene e o conforto dos demais. Esses problemas estruturais e de suprimentos apontam para uma falha sistêmica na administração e manutenção da unidade, que é vital para a saúde pública de Guarulhos.

Tragédias familiares e a busca por respostas

Denúncias de negligência e atrasos no atendimento

A crise estrutural do Hospital Municipal Pimentas Bonsucesso se traduz em histórias de sofrimento e perda para as famílias dos pacientes. Andressa Valdivino Santos Melo, auxiliar administrativa, vivenciou a dolorosa perda de sua mãe, Maria Aparecida, de 58 anos. Internada em 21 de janeiro com insuficiência cardíaca, Maria Aparecida teria aguardado mais de dez horas por um leito. Andressa relata que sua mãe sofreu um sangramento por três horas ao seu lado, ainda no quarto, sem que houvesse equipe de enfermagem presente na sala no momento.

Outro caso emblemático é o de Kátia da Silva, de 47 anos, que faleceu cinco dias após ser internada. Sua filha, Natália Silva Bonifácio, denuncia a demora no atendimento especializado e a ausência de profissionais. Segundo Natália, apesar de ter sido informada sobre a presença de cinco cirurgiões, sua mãe não recebeu o tratamento necessário a tempo. “Um foi para uma coisa, outro foi para outra, e não a atenderam. A gente sentiu como se minha mãe fosse só mais um número para eles”, desabafou. A paciente só teria recebido atendimento especializado após ser entubada. A certidão de óbito aponta choque séptico de foco abdominal com abdômen agudo perfurado como causa da morte, e a família registrou um boletim de ocorrência para apurar as responsabilidades.

O complexo cenário da gestão e os repasses financeiros

Histórico de contratos e investigações em curso

O Hospital Municipal Pimentas Bonsucesso é uma unidade de grande porte, responsável por mais de 15 mil atendimentos diários no pronto-socorro, cerca de 2 mil consultas ambulatoriais por dia e uma média de 428 cirurgias mensais. Com 144 leitos de internação e um quadro de pouco mais de 900 profissionais, a eficiência de sua gestão é crucial. Desde 2021, a administração do hospital está a cargo de uma Organização Social de Saúde (OSS), a Irmandade Santa Casa de Misericórdia de São Bernardo do Campo. Durante esse período, a Prefeitura de Guarulhos repassou mais de R$ 290 milhões à entidade.

No entanto, o contrato com essa OSS não foi isento de controvérsias. Em 2025, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) reprovou o contrato entre a prefeitura e a organização. Apesar da reprovação, um novo contrato emergencial de 12 meses foi firmado com a mesma entidade, que se encerrou nesta terça-feira, 31 de janeiro. A partir de 1º de fevereiro, a gestão da unidade passará para outra organização social, a Univida, que deverá receber mais de R$ 147 milhões por um período de um ano. A prefeitura de Guarulhos, procurada para comentar as denúncias, informou que abriu uma sindicância para apurar os casos e que as situações não são consideradas pontuais, com outras reclamações já registradas. A gestão anterior, da Irmandade Santa Casa, declarou que encerra o contrato sem pendências com a prefeitura, embora em 2024 os atendimentos tenham sido parcialmente suspensos devido à falta de repasses municipais, mantendo apenas os serviços de urgência e emergência.

Conclusão

A série de denúncias e o histórico de problemas de gestão no Hospital Municipal Pimentas Bonsucesso em Guarulhos revelam uma situação crítica que exige atenção e ações imediatas das autoridades. A improvisação de um banheiro como sala de medicação, a escassez de materiais e as trágicas perdas de pacientes, com relatos de falhas no atendimento, sublinham a urgência em garantir um serviço de saúde digno e eficiente. A investigação em curso pela Prefeitura de Guarulhos, aliada à transição de gestão para uma nova organização social, representa uma oportunidade para implementar melhorias substanciais e restaurar a confiança da população na capacidade da unidade de Guarulhos. A fiscalização rigorosa e a responsabilização dos envolvidos são passos fundamentais para assegurar que a saúde dos cidadãos seja tratada com a prioridade e o respeito que merece.

Perguntas frequentes

Quais são os principais problemas relatados no Hospital Municipal Pimentas Bonsucesso?
Os principais problemas incluem a improvisação de um banheiro como sala de medicação, a falta de materiais básicos como lençóis, superlotação nas enfermarias, e denúncias de demora no atendimento e falhas na assistência médica que resultaram em óbitos de pacientes.

Como a gestão do hospital mudou recentemente?
A gestão do Hospital Municipal Pimentas Bonsucesso, que estava sob a responsabilidade da Irmandade Santa Casa de Misericórdia de São Bernardo do Campo desde 2021, encerrou seu contrato em 31 de janeiro. A partir de 1º de fevereiro, a administração da unidade passou para uma nova Organização Social de Saúde, a Univida.

O que a Prefeitura de Guarulhos está fazendo em relação às denúncias?
A Prefeitura de Guarulhos informou que abriu uma sindicância para apurar os casos citados nas denúncias e reconheceu que as situações de reclamação não são pontuais, com outros registros já sendo feitos.

Para mais informações sobre o progresso das investigações e as medidas tomadas para melhorar o Hospital Municipal Pimentas Bonsucesso, acompanhe os comunicados oficiais da Prefeitura de Guarulhos e as notícias locais.

Fonte: https://g1.globo.com

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