Homem preso em Americana após Guarda resgatar 39 galos sob maus-tratos

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G1

Na última sexta-feira, 26 de janeiro, a cidade de Americana, no interior de São Paulo, foi palco de uma operação da Guarda Municipal que resultou no resgate de 39 galos e na prisão em flagrante de um homem por maus-tratos a animais. A ação, desencadeada após uma denúncia anônima sobre uma possível rinha de galos, expôs condições deploráveis em um imóvel no Jardim Paz, revelando não apenas a crueldade contra as aves, mas também o descaso com um cão idoso. O caso reforça a importância da vigilância comunitária e da atuação das forças de segurança no combate a crimes contra a fauna, que frequentemente ocorrem em silêncio. A intervenção rápida e eficaz garantiu que os animais recebessem socorro e que o responsável fosse responsabilizado.

A operação de resgate e as condições encontradas

A ação da Guarda Municipal de Americana teve início a partir de informações cruciais recebidas via denúncia anônima. Moradores da região do Jardim Paz alertaram as autoridades sobre atividades suspeitas que indicavam a possível realização de rinhas de galos, uma prática ilegal e extremamente cruel. Ciente da gravidade dessas denúncias, uma equipe da corporação deslocou-se imediatamente para o endereço indicado para verificar a situação. A diligência rápida e a discrição da equipe foram fundamentais para o sucesso da operação, permitindo que as autoridades agissem de forma preventiva e surpreendessem o responsável pelas condições dos animais.

Denúncia anônima e a entrada no imóvel

Ao chegarem ao local, os guardas abordaram o proprietário do imóvel, que, confrontado com a presença das autoridades e a seriedade da denúncia, autorizou a entrada da equipe para uma vistoria. Essa autorização foi um passo decisivo, pois permitiu que os agentes tivessem acesso legal ao interior da propriedade e pudessem constatar as irregularidades. A atitude colaborativa do proprietário, ainda que sob a pressão da situação, evitou a necessidade de mandados judiciais e agilizou o processo de averiguação. A entrada dos guardas no imóvel confirmou as suspeitas iniciais e revelou um cenário de flagrante desrespeito à vida animal.

O cenário de crueldade: galos e outros animais

Dentro da propriedade, os guardas se depararam com uma cena desoladora. Trinta e nove galos estavam confinados em gaiolas de madeira e arame, muitas delas improvisadas e inadequadas para o porte das aves. As condições de alojamento eram precárias, caracterizadas pela pouca ventilação, higiene deficiente e falta de espaço mínimo para que os animais pudessem se movimentar ou sequer se esticar. Esse ambiente insalubre e restritivo é um forte indicativo de maus-tratos a animais, um crime que vai além da negligência e se aprofunda na exploração e sofrimento intencional. As aves apresentavam sinais claros de estresse e possivelmente ferimentos decorrentes do confinamento e da finalidade para a qual estavam sendo mantidas, possivelmente rinhas.

Além dos galos, a situação se tornou ainda mais alarmante com a descoberta de um cão idoso. O animal estava acorrentado, com mobilidade severamente reduzida e apresentava sinais visíveis de artrose, uma condição degenerativa que causa dor e dificuldade de movimento, e cegueira. Um laudo veterinário posterior confirmou o estado de saúde crítico do cão, agravado pela falta de cuidados adequados e pelo confinamento. A presença do cão em tais condições sublinha a amplitude dos maus-tratos praticados no local, demonstrando um padrão de negligência e crueldade que não se restringia apenas às aves, mas se estendia a outros animais vulneráveis sob a guarda do indivíduo. A gravidade do cenário justificou a imediata intervenção das autoridades e a mobilização de recursos para a proteção e recuperação dos animais.

Implicações legais e o futuro dos animais

Diante do flagrante de maus-tratos a animais, a Guarda Municipal de Americana agiu prontamente para assegurar a aplicação da lei. A Polícia Civil foi imediatamente comunicada sobre a ocorrência e peritos foram acionados para o local. A presença da perícia técnica é crucial em casos de crimes contra animais, pois ela permite a coleta de evidências e a elaboração de um laudo detalhado que comprova as condições de maus-tratos. Esse laudo é uma peça fundamental para o processo legal, fornecendo embasamento técnico e científico para a acusação e para a posterior condenação do responsável.

A prisão em flagrante e as sanções previstas

O proprietário do imóvel foi encaminhado à Central de Polícia Judiciária de Americana, onde foi oficialmente preso em flagrante. Ele será indiciado pelo crime de maus-tratos a animais, conforme a legislação brasileira. A Lei nº 9.605/98, conhecida como Lei de Crimes Ambientais, em seu artigo 32, prevê pena de 2 a 5 anos de prisão, além de multa e proibição da guarda de animais, para quem pratica atos de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos. No caso de morte do animal, a pena pode ser aumentada em até um terço. A prisão em flagrante demonstra a seriedade com que as autoridades estão tratando esse tipo de crime, reforçando o compromisso com a proteção animal e a punição dos agressores. A condenação do indivíduo servirá como um importante precedente e alerta para outros que porventura pratiquem ou contemplem atos de crueldade contra seres indefesos.

O encaminhamento dos animais para santuários

Após o resgate, os 39 galos foram cuidadosamente removidos do local dos maus-tratos e encaminhados para um santuário especializado em Bragança Paulista, no interior de São Paulo. Esses santuários são organizações dedicadas à recuperação e reabilitação de animais vítimas de abuso, negligência ou exploração. Nesses locais, as aves receberão cuidados veterinários, alimentação adequada, ambiente seguro e espaço para expressar seus comportamentos naturais, distantes do sofrimento a que foram submetidas. A expertise dessas ONGs é vital para a recuperação física e psicológica dos animais, oferecendo-lhes uma segunda chance de vida digna. Quanto ao cão idoso, ele também foi entregue aos cuidados de uma organização de proteção animal, onde receberá tratamento para a artrose e a cegueira, além de carinho e atenção que lhe foram negados por tanto tempo. A destinação dos animais a santuários e ONGs sublinha a prioridade em garantir seu bem-estar e promover sua reabilitação, um passo fundamental para romper o ciclo de violência e abandono.

Combate aos maus-tratos: um esforço contínuo

O resgate dos 39 galos e a prisão do responsável em Americana destacam a persistência dos maus-tratos a animais na sociedade, mas também a crescente eficácia das ações de combate a esses crimes. A colaboração entre a população, por meio de denúncias anônimas, e a rápida resposta das forças de segurança, como a Guarda Municipal e a Polícia Civil, é essencial para desmantelar esquemas de crueldade e garantir que os agressores sejam responsabilizados. Este caso serve como um lembrete crucial de que a proteção animal é uma responsabilidade coletiva e que cada denúncia pode fazer a diferença na vida de seres indefesos, promovendo um ambiente mais justo e compassivo para todos.

Perguntas frequentes (FAQ)

O que é considerado maus-tratos a animais pela lei brasileira?
Maus-tratos a animais englobam qualquer ato que cause dor, sofrimento, angústia ou lesão a um animal. Isso inclui abandono, espancamento, privação de alimento ou água, exposição a condições climáticas extremas sem abrigo, confinamento em espaços inadequados, falta de assistência veterinária, mutilação e o uso em rinhas ou outras atividades de exploração.

Qual a pena para quem pratica maus-tratos a animais no Brasil?
A Lei nº 9.605/98 (Lei de Crimes Ambientais), em seu artigo 32, prevê pena de detenção de 2 a 5 anos, multa e proibição da guarda de animais para quem pratica maus-tratos. No caso de cães e gatos, a pena é aumentada de um sexto a um terço. Se o animal morrer em decorrência dos maus-tratos, a pena pode ser acrescida de um terço a um sexto.

Como posso denunciar casos de maus-tratos a animais?
Você pode denunciar casos de maus-tratos a animais anonimamente para a Polícia Militar (190), Guarda Municipal (em cidades que possuem este serviço), Disque Denúncia (181), ou procurar as delegacias especializadas em proteção animal (quando existirem) e promotorias de meio ambiente. É importante coletar o máximo de informações possível, como endereço, nome do agressor e evidências (fotos/vídeos), se seguro.

Sua denúncia é a voz que os animais não têm. Não hesite em agir ao presenciar qualquer forma de maus-tratos e ajude a construir um futuro mais seguro para todos os seres vivos.

Fonte: https://g1.globo.com

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