O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou que as investigações conduzidas pelo Banco Central (BC) em relação ao Banco Master devem ser substanciais, considerando a prisão do proprietário da instituição, Daniel Vorcaro. A declaração foi dada a jornalistas, indicando que o processo investigativo aparenta ser sólido.
Haddad, ao ser questionado sobre a operação da Polícia Federal (PF) que resultou na prisão de Vorcaro, preferiu não tecer comentários detalhados sobre o caso. Ele assegurou que o Ministério da Fazenda está à disposição para colaborar com o Banco Central no que for necessário para lidar com os desdobramentos da situação.
“O Banco Central é o órgão regulador do sistema financeiro, e estou certo de que, para se chegar a este ponto, todo o processo deve ser muito robusto”, afirmou Haddad ao chegar à sede do Ministério da Fazenda na manhã desta terça-feira.
A prisão de Daniel Vorcaro ocorreu no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, no momento em que ele tentava deixar o país. A ação faz parte da Operação Compliance Zero, que visa combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras que integram o Sistema Financeiro Nacional.
Paralelamente à prisão, o Banco Central comunicou a liquidação extrajudicial da Master Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários. A autarquia também decretou a indisponibilidade dos bens de controladores e ex-administradores do grupo.
Haddad ressaltou que o Banco Central divulgará informações sobre o caso à medida que o processo de liquidação avance. Ele enfatizou que o Ministério da Fazenda está pronto para dar suporte em relação às consequências desse ato, caso seja necessário.
A liquidação da Master Corretora pode acarretar no uso do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para ressarcir investidores. “É uma questão que diz respeito ao sistema financeiro como um todo, e nós vamos acompanhar os desdobramentos e o impacto disso”, ponderou Haddad.
O Fundo Garantidor de Créditos, entidade privada gerida pelos bancos associados e regulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), assegura saldos em conta e investimentos de pessoas físicas e jurídicas em até R$ 250 mil por instituição financeira, com um limite global de R$ 1 milhão em quatro anos. O montante é pago aos investidores em caso de falência ou liquidação da instituição financeira.
Em agosto, o CMN já havia endurecido as regras para que instituições financeiras se associassem ao fundo. As novas normas, com previsão de entrada em vigor em junho de 2026, surgiram após o Banco Master ser alvo de investigação por parte do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, em meio ao anúncio de uma possível compra do banco pelo Banco de Brasília (BRB).
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


