Amarildo Batista da Silva, pai das gêmeas Heloísa e Helena, nascidas unidas pela cabeça, expressa gratidão e esperança após a segunda alta hospitalar das filhas. As meninas receberam alta 19 dias após passarem pela segunda cirurgia de separação dos crânios, realizada no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto.
“A gente vai vivendo um dia atrás do outro”, declara Amarildo, ressaltando a importância de manter a esperança durante o processo. A próxima etapa do tratamento está prevista para o final de fevereiro de 2026.
O segundo procedimento cirúrgico ocorreu em 8 de novembro, seguindo a primeira intervenção realizada em agosto. Segundo Amarildo, a ansiedade é inevitável, mas a fé e a confiança na equipe médica trazem conforto. “Tenho muita esperança e muita fé que já está dando tudo certo. Só tenho a agradecer”.
De acordo com o HC, o processo cirúrgico completo para a separação das gêmeas deve levar cerca de um ano, com um total de cinco procedimentos planejados. A segunda cirurgia, que durou dez horas, focou em avançar na separação dos cérebros das meninas.
O médico Jayme Farina Junior, que lidera a equipe multiprofissional, explicou que nesta etapa foram completadas as incisões cutâneas, unindo-as aos cortes iniciais feitos em agosto.
Heloísa e Helena têm 1 ano e dez meses e são naturais de São José dos Campos. O procedimento, planejado desde 2024, é composto por cinco fases espaçadas ao longo de meses. As primeiras quatro etapas visam a separação dos tecidos, vasos sanguíneos e estruturas que unem os crânios e os cérebros, utilizando modelos tridimensionais e realidade aumentada.
A separação exige extrema delicadeza para evitar sangramentos e permitir que o cérebro se adapte gradualmente. Durante a quarta etapa, enxertos ósseos e expansores de pele são inseridos para preparar a etapa final, que consiste na cirurgia plástica para o fechamento dos tecidos da cabeça.
A terceira e quarta etapas estão programadas para o final de fevereiro e março, com a separação total prevista para meados de 2026, conforme informações de Farina Junior.
O médico Marcelo Volpon destacou que o formato dos crânios das gêmeas, mais estreito nas laterais, tem facilitado o mapeamento das áreas de cirurgia.
O Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto é referência nacional em cirurgias de separação de gêmeos siameses. O primeiro caso realizado na instituição ocorreu em 2018, separando as irmãs Maria Ysabelle e Maria Ysadora. O segundo caso envolveu as gêmeas Alana e Mariah, cuja separação definitiva foi concluída em agosto de 2023 após um procedimento de 25 horas.
Fonte: g1.globo.com


