O Festival Bonito CineSur, que acontece de 24 de agosto a 1 de setembro de 2023 em Bonito, MS, é uma significativa plataforma de integração para o cinema e o audiovisual sul-americano. Nesta quarta edição, o evento se destaca pela diversidade de filmes que contemplam narrativas e contextos indígenas, refletindo a crescente valorização dessas histórias no cenário cinematográfico.
Variedade nas Seleções Cinematográficas
De acordo com Zé Geraldo Couto, um dos curadores do festival, não há uma definição rígida de temas ou estilos para as obras selecionadas. O foco está na qualidade estética e narrativa, além da relevância dos temas abordados. A curadoria é moldada pela oferta de filmes disponíveis, permitindo a identificação de tendências e conexões entre as produções.
Representação Indígena nas Mostras
Os filmes que tratam de questões indígenas estão presentes em diversas mostras do festival, como a Mostra Ambiental e a Sul-Mato-Grossense. Couto observa que, embora a temática indígena tenha uma presença notável, ela ainda é sub-representada em relação à importância desses povos na América do Sul.
Destaques do Festival
Entre os filmes em destaque, está ‘Aldeia de Nalike’, um documentário de 1936 que retrata o povo Kadiwéu, e ‘Vípuxovuko-Aldeia’, de Dannon Lacerda, que aborda a comunidade Terena a partir de uma perspectiva queer. Marcos Pierry, curador da Mostra Sul-Mato-Grossense, enfatiza a importância de dar voz aos indígenas, que agora são os responsáveis por contar suas próprias histórias.
Sessão Especial com Líder Indígena
Um dos momentos mais esperados do festival será a presença do líder indígena Almir Suruí, que participará da exibição do documentário ‘Minha Terra Estrangeira’. O filme discute questões de território e resistência indígena, refletindo sobre a preservação da Amazônia e o futuro das comunidades indígenas.
Produções Internacionais e Homenagens
O festival também contará com produções internacionais que abordam a temática indígena, como o curta colombiano ‘Sukua’ e o boliviano ‘Uma Uñjirinaka Cuidadorxs del Água’, ambos explorando a luta de comunidades contra a contaminação e em defesa de seus direitos. O cineasta Vincent Carelli será homenageado com o Troféu Pantanal, reconhecendo sua contribuição ao cinema e à capacitação audiovisual indígena.
Carelli destaca a importância do cinema feito por indígenas, que promove um exercício de autovalorização e permite que as comunidades expressem suas próprias narrativas, contribuindo para um entendimento mais profundo da realidade indígena.


