Fernando Henrique Dardis, conhecido como o falso médico que simulou a própria morte para evitar a Justiça, foi absolvido da acusação de homicídio da paciente Helena Rodrigues, ocorrido em 2011. O veredicto foi proferido na noite da última quinta-feira (26) no Fórum de Sorocaba, após um dia inteiro de depoimentos e deliberações. Apesar da decisão, o Ministério Público anunciou que irá recorrer, mantendo o caso em aberto. Dardis, que já responde por outros crimes, como exercício ilegal da medicina e falsidade ideológica, terá sua liberdade provisória decretada por este processo, embora ainda enfrente outras acusações que continuam em andamento. A complexidade do caso e o histórico do réu têm atraído atenção nacional.
O veredicto e o desdobramento do julgamento
O dia no Fórum de Sorocaba
O julgamento, que teve início pontualmente às 9h, estendeu-se por todo o dia, culminando na divulgação do resultado por volta das 20h30. Durante as horas de sessão, o tribunal ouviu o depoimento de três testemunhas cruciais para o desfecho do caso: uma de acusação e duas de defesa. Além disso, o próprio Fernando Dardis foi interrogado, apresentando sua versão dos fatos e confessando uma série de mentiras que marcaram sua trajetória. Com a absolvição, a Justiça determinou a expedição do alvará de soltura referente especificamente a este processo, embora o acusado ainda enfrente outras pendências judiciais.
Tensão nos depoimentos
Um dos momentos de maior tensão durante o júri foi o depoimento do filho da vítima, a única testemunha de acusação. Em um relato emocionado e direto, ele apontou para Fernando Dardis e o acusou abertamente, afirmando: “matou a minha mãe”. No entanto, a defesa contestou a consistência de seu testemunho, apontando para possíveis discrepâncias em comparação com depoimentos anteriores prestados por ele. Em contrapartida, a defesa convocou a irmã mais velha de Fernando e um médico legista aposentado para depor, buscando reforçar a tese de que a conduta do réu não foi a causa da morte da paciente. Duas outras testemunhas arroladas pela defesa foram dispensadas.
As confissões e a defesa do réu
A versão de Fernando Dardis
Em seu interrogatório perante o júri, Fernando Dardis não negou sua história de enganações. Ele confessou ter fingido cursar medicina para satisfazer as expectativas de sua mãe, o que o levou a conseguir um emprego na Santa Casa de Sorocaba, onde os eventos que culminaram na morte de Helena Rodrigues ocorreram. “Comecei a mentir na minha vida e a mentira vai crescendo, é uma bola de neve, um câncer”, declarou. O falso médico também admitiu ter forjado a própria morte em 2024, uma revelação que chocou o país, alegando medo de ser preso antes do nascimento de sua filha. Além disso, confessou ter falsificado um atestado para adiar o julgamento. Contudo, em relação à morte de Helena, ele alegou que sua função era apenas realizar a triagem dos pacientes e encaminhá-los a outros profissionais, sem definir a conduta final do atendimento, eximindo-se assim da responsabilidade pelo óbito.
A estratégia da defesa
O advogado de Fernando Dardis, Fernando Libman, argumentou que a principal tese da defesa, acatada pelos jurados, era demonstrar que a conduta de seu cliente não foi a causa direta da morte da paciente. Libman enfatizou que o foco do julgamento era determinar se as ações de Dardis, como profissional da saúde habilitado ou não, resultaram no falecimento de Helena Rodrigues. “Ele vai ser julgado se a atitude dele, como profissional da saúde habilitado ou não, causou a morte da dona Helena. O resto para nós é periférico e está sendo respondido em outros processos”, reforçou o advogado antes do júri. Esta estratégia buscou desassociar a acusação de homicídio das outras infrações cometidas por Dardis, como o exercício ilegal da medicina e a falsidade ideológica, que estão sendo apuradas em processos distintos.
Fraudes adicionais e o contexto do caso
A investigação paralela sobre a advogada
O complexo cenário judicial em torno de Fernando Dardis se intensificou com uma investigação paralela conduzida pela Polícia Civil, a pedido do Ministério Público de São Paulo (MP-SP). A apuração visa determinar se a advogada Leandra Ferreira dos Santos Bastos se apresentou como assistente de acusação no caso sem ter sido contratada pela família da vítima. Eliana Rodrigues, filha de Helena, declarou ao MP que não reconhece a assinatura na procuração que outorgava poderes à advogada. O promotor Antônio Farto Neto classificou o episódio como uma “sucessão de fraudes” e uma interferência indevida no processo judicial, levantando sérias questões sobre a integridade do andamento da justiça. Contudo, o juiz responsável pelo caso não autorizou que Eliana fosse ouvida durante o júri que absolveu Dardis.
O histórico do falso médico e outras acusações
Fernando Henrique Dardis tem um histórico que transcende a acusação de homicídio. Ele foi preso em 2024, após uma reportagem investigativa revelar que havia forjado a própria morte para escapar da justiça, um evento que ganhou repercussão nacional. Atualmente, ele responde por homicídio qualificado, exercício ilegal da medicina e falsidade ideológica em outros procedimentos. A data para o julgamento específico sobre o crime de simulação da própria morte ainda não foi definida. Além do caso de Helena Rodrigues, Dardis também é acusado pela morte de outra paciente, Therezinha Monticelli Calvim, em um caso que ainda aguarda julgamento. O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) também está apurando as condutas do falso médico em relação ao exercício ilegal da profissão.
Relembrando a morte de Helena Rodrigues
Os fatos que levaram ao julgamento remontam a outubro de 2011, quando Helena Rodrigues buscou atendimento na Santa Casa de Sorocaba com sintomas de um possível infarto. Ela foi atendida por Fernando Dardis, que à época se identificava como “Dr. Ariosvaldo”. Após o atendimento, Dardis diagnosticou a paciente com dor nas costas e prescreveu um analgésico. Lamentavelmente, no dia seguinte, Helena Rodrigues sofreu uma parada cardiorrespiratória e veio a óbito, levantando sérias dúvidas sobre a conduta e o diagnóstico do então falso médico. A absolvição de Dardis pela morte de Helena Rodrigues reabre o debate sobre a responsabilidade profissional e as complexidades dos processos judiciais envolvendo negligência médica e identidades falsas.
Os impactos e o futuro do caso
A absolvição de Fernando Henrique Dardis no caso da morte de Helena Rodrigues é um marco que, longe de encerrar a controvérsia, adiciona uma nova camada de complexidade ao seu já intrincado histórico judicial. A decisão, embora celebrada pela defesa, é contestada pelo Ministério Público, que prometeu recorrer, garantindo que o caso ainda terá novos capítulos. A história do falso médico, que forjou a própria morte e se envolveu em uma série de fraudes, continua a levantar questionamentos sobre a fiscalização de profissionais da saúde, a segurança dos pacientes e a eficácia do sistema judiciário em lidar com casos de tamanha repercussão e singularidade. A investigação paralela sobre a advogada adiciona outra dimensão de desconfiança, indicando que a busca por justiça para Helena Rodrigues e outras vítimas de Dardis está longe de um desfecho definitivo.
Perguntas frequentes
Quem é Fernando Henrique Dardis?
Fernando Henrique Dardis é o indivíduo que se passava por médico, simulou a própria morte para fugir da Justiça e foi absolvido da acusação de homicídio da paciente Helena Rodrigues em Sorocaba, mas ainda responde por outros crimes.
Qual foi o veredicto do julgamento em Sorocaba?
Ele foi absolvido da acusação de homicídio qualificado da paciente Helena Rodrigues, com a Justiça determinando a expedição de seu alvará de soltura para este processo.
O Ministério Público pode recorrer da decisão?
Sim, o Ministério Público já anunciou que irá recorrer da decisão de absolvição, buscando reverter o resultado em instâncias superiores.
Quais outras acusações Fernando Dardis enfrenta?
Além deste caso, Fernando Dardis responde por exercício ilegal da medicina, falsidade ideológica e pela simulação da própria morte. Ele também é acusado pela morte de outra paciente, Therezinha Monticelli Calvim, em um processo que ainda não foi a julgamento.
Para acompanhar as atualizações sobre este complexo caso judicial e outros desdobramentos na região de Sorocaba, fique atento às nossas próximas reportagens.
Fonte: https://g1.globo.com


