Na quinta-feira, 16 de outubro, São Paulo perdeu uma de suas mais proeminentes demógrafas, Elza Salvatori Berquó, que faleceu aos 100 anos. Com uma trajetória marcada pela pesquisa e pela educação, Elza, que começou sua carreira como matemática, dedicou sua vida ao estudo e à análise de dados demográficos no Brasil.
Contribuições e Legado
Elza Berquó foi fundamental na criação de centros de pesquisa que se tornaram essenciais para a compreensão da urbanização e das mudanças sociais no Brasil entre as décadas de 1960 e 2000. Seu trabalho não apenas trouxe à tona dados demográficos, mas também promoveu o debate sobre direitos reprodutivos e questões sociais, incluindo a mortalidade infantil.
Formação Acadêmica e Início da Carreira
Nascida em Guaxupé, Minas Gerais, Elza formou-se em Matemática pela Universidade Católica de Campinas. Posteriormente, obteve um mestrado em Estatística na Universidade de São Paulo (USP) em 1949 e uma especialização em Bioestatística na Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, no ano seguinte. Sua análise do crescimento populacional paulista a partir dos censos de 1940 e 1950, realizada em 1965, destacou-se como um marco em sua carreira.
Impacto Institucional
Em 1969, Elza co-fundou o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), ao lado de figuras proeminentes como Fernando Henrique Cardoso e Octávio Ianni, em um período em que a ditadura tentava silenciar vozes críticas. Sua influência se estendeu à Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde ajudou a estabelecer o Núcleo de Estudos de População (Nepo), que hoje leva seu nome.
Reconhecimento e Homenagens
O legado de Elza foi celebrado em várias ocasiões, incluindo as comemorações de seu centenário em 2022, que destacaram suas contribuições inestimáveis à demografia e à pesquisa social no Brasil. Cientistas e acadêmicos a lembram como uma mulher de visão, cujo trabalho ajudou a moldar políticas públicas e a ampliar os direitos humanos.
Conclusão
Elza Berquó deixa um legado indelével na demografia brasileira. Este impacto é reconhecido por colegas e alunos, que ressaltam sua habilidade de ver além dos números, focando nas vidas por trás das estatísticas. Sua dedicação à democracia e às políticas públicas baseadas em evidências continua a inspirar novas gerações de pesquisadores e ativistas.


