A ex-subprefeita da Lapa, Fernanda Maria de Lima Galdino, presa preventivamente em 2022 sob acusação de extorsão contra comerciantes, ocupa desde maio de 2024 um cargo político na liderança do Partido Verde (PV) na Câmara de Vereadores de São Paulo.
Após ser demitida da Prefeitura de São Paulo em decorrência do escândalo apurado pelo Ministério Público, Galdino foi contratada para atuar no gabinete da liderança do PV na Câmara Municipal. O Partido Verde é representado por um único vereador, Roberto Trípoli, conhecido por sua atuação em defesa dos animais domésticos.
A remuneração mensal de Fernanda Galdino é de R$ 15 mil, acrescida do reembolso do auxílio-saúde da Câmara, que em agosto atingiu R$ 3.405, totalizando uma renda superior a R$ 18 mil no período.
De acordo O PV alega que ela desenvolve um trabalho para o partido na periferia da Zona Leste.
Em suas redes sociais, Fernanda Galdino exibe fotos de campanhas passadas em apoio ao vereador do PV e a outros membros da família Tripoli que se candidataram a cargos políticos, como Ricardo Tripoli, ex-deputado federal, e Giovanna Tripoli, que tentou, sem sucesso, uma vaga na Assembleia Legislativa.
A defesa de Fernanda Galdino contesta as acusações, afirmando que nenhuma testemunha comprovou a extorsão e que ela será inocentada nos processos relacionados à suposta cobrança de propina de comerciantes da Lapa. Segundo o advogado Eduardo Samoel Fonseca, o processo criminal é um “fiasco” e tem motivação política para prejudicar Fernanda no cenário eleitoral.
O Partido Verde argumenta que Fernanda Galdino ainda não foi julgada e que realiza um trabalho para o partido na periferia da Zona Leste. A audiência do caso pelo qual ela foi presa preventivamente está agendada para novembro. O inquérito civil do caso foi arquivado, pois, embora a exigência de propina tenha sido confirmada a duas pessoas, as vítimas não efetuaram o pagamento, o que, segundo a Promotoria, descaracteriza o ato de improbidade administrativa.
Em agosto de 2022, o Ministério Público realizou uma operação na Subprefeitura da Lapa, resultando na prisão de dois fiscais acusados de cobrar até R$ 30 mil para liberar alvarás de eventos. A denúncia do MP apontava que o esquema contava com a anuência da então subprefeita Fernanda Galdino, tornando-a ré por extorsão e improbidade administrativa.
Fernanda Galdino chegou a ser presa preventivamente, mas foi liberada após uma semana por meio de habeas corpus. O MP alegava que ela, em conluio com o coordenador de planejamento urbano e um intermediário, exigia propina para autorizar eventos na área sob sua jurisdição. Tanto Fernanda quanto o coordenador de planejamento urbano foram exonerados de seus cargos pelo prefeito Ricardo Nunes após a prisão do coordenador durante a operação do Ministério Público.
Fonte: g1.globo.com


