Em protesto pacífico, indígenas munduruku cobram participação na cop30

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© Gabriel Corrêa/Rádio Nacional

Indígenas Munduruku Protestam por Voz na COP30 e Revogação de Decreto

Um grupo de 90 indígenas da etnia Munduruku realizou um protesto no quinto dia da Cúpula das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, reivindicando maior participação nas decisões e a revogação de um decreto federal. A manifestação pacífica teve início por volta das 5h40 da manhã, quando os indígenas ocuparam a área externa de acesso à Zona Azul, espaço reservado para os negociadores e pessoas credenciadas no evento.

A segurança no local foi reforçada com a presença de soldados do Exército. Apoiados por ativistas e indígenas de outras regiões, os manifestantes Munduruku exigiam uma reunião com o presidente Lula, que se encontrava em Brasília. Uma das manifestantes expressou o descontentamento do grupo, afirmando que, apesar das tentativas, eles são frequentemente barrados e não têm suas vozes ouvidas.

A principal demanda dos indígenas é a revogação do Decreto nº 12.600/2025, que trata da privatização de empreendimentos públicos federais no setor hidroviário. O Movimento Munduruku Ipereg Ayu denunciou que o corredor Tapajós-Arco Norte, impulsionado por esse decreto, representa um dos principais vetores de expansão do agronegócio sobre a Amazônia, conforme dados do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc).

Além da questão do decreto, o povo Munduruku também se manifesta contra as negociações climáticas internacionais, alegando que elas tratam as matas nativas como meros ativos de crédito de carbono. Cartazes com frases como “Nossa floresta não está à venda” e “Não negociamos a Mãe Natureza” expressavam a posição do grupo.

Os manifestantes também cobram a retirada imediata dos invasores das terras indígenas e o fim do Marco Temporal, lei que limita o direito dos povos originários às terras que ocupavam na data da promulgação da Constituição Federal, em 1988.

Durante o protesto, um grupo de participantes da COP30 formou uma espécie de “cordão humano” para cercar e proteger os indígenas. A movimentação causou atrasos na entrada dos participantes à conferência, mas um acesso alternativo foi logo aberto.

O presidente da COP30, André Corrêa do Lago, se dirigiu ao local para dialogar com os manifestantes. O advogado Marco Apolo Santana, da Associação Wakoborun, acompanhou as conversas em nome dos indígenas.

O acesso principal à Zona Azul foi liberado após uma reunião entre o presidente da COP30, os representantes Munduruku e as ministras do Meio Ambiente, Marina Silva, e dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara. O povo Munduruku habita principalmente a bacia do Rio Tapajós, na região oeste do Pará.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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