Em um protesto marcante, proprietários de autoescolas paralisaram cerca de 200 veículos na Ponte Estaiada, em São Paulo, desde a noite de quarta-feira (22). A manifestação é uma resposta à consulta pública aberta pelo Ministério dos Transportes, que visa discutir o fim da obrigatoriedade das autoescolas no processo de habilitação de motoristas.
Os veículos ocuparam toda a extensão da ponte no sentido Jabaquara, gerando atenção e discussões sobre o futuro da formação de condutores no país. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) informou que monitorou a concentração dos manifestantes.
A Federação Nacional das Autoescolas e Centros de Formação de Condutores (Feneauto) lidera a ação, buscando exercer pressão política contra a possível mudança na legislação. O presidente da Feneauto, Ygor Valença, tem mobilizado os proprietários de CFCs a resistirem à proposta, defendendo a coleta de assinaturas para um Projeto de Lei que interrompa a consulta pública. Além disso, busca apoio de políticos estaduais para a manutenção do modelo atual de formação de condutores. Valença também sinalizou a intenção de levar o caso à Justiça, solicitando a interrupção da consulta aberta pelo Ministério dos Transportes.
A consulta pública, aberta até o dia 2 de novembro, já registrou um grande número de sugestões, demonstrando o interesse da população no tema. A minuta do projeto em discussão propõe que as aulas em autoescolas se tornem opcionais. A Feneauto argumenta que a expectativa de mudança nas regras tem causado uma paralisação nas matrículas em autoescolas em todo o país.
Especialistas divergem sobre os impactos da proposta. Defensores da medida argumentam que o alto custo para obtenção da CNH dificulta o acesso, especialmente para pessoas de baixa renda que precisam da habilitação para trabalhar. Apontam também que a obrigatoriedade das autoescolas não garante a segurança no trânsito, citando exemplos de países com altos índices de segurança que não exigem a formação em autoescolas. Críticos, por outro lado, ressaltam o papel das autoescolas na formação inicial dos condutores, fornecendo conhecimentos sobre legislação, direção defensiva e habilidades básicas. Alertam para a falta de um plano concreto para substituir o modelo atual e defendem a melhoria da qualidade das autoescolas em vez de sua eliminação.
Fonte: g1.globo.com


