Doce menina de 11 anos encontrada morta com sinais de violência em serrana

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G1

O pai de Ana Alice Santos França, de 11 anos, não consegue conter a emoção ao descrever a filha, falecida na última quinta-feira (13) no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. A Polícia Civil investiga o caso como violência sexual, após constatar sinais no corpo da menina.

Recém-chegada da Primeira Comunhão, Ana Alice demonstrava grande alegria e religiosidade, convidando frequentemente o pai para orações conjuntas. “Ela fez a Primeira Comunhão há pouco tempo e aconteceu isso com minha filha. Não é fácil, vocês não sabem a dor que eu estou passando, mas a Justiça vai ser feita”, declarou o pai, emocionado.

O sepultamento de Ana Alice ocorreu no sábado (15) em Serrana, onde residia com a mãe, seus irmãos de 19 e 15 anos, e o padrasto, Douglas Junior Nogueira, de 32 anos. O padrasto foi preso e apontado como principal suspeito, mas nega envolvimento no crime.

Segundo o pai, Ana Alice era uma criança doce e educada. A menina havia expressado o desejo de morar com ele, e Flávio já estava preparando um quarto para recebê-la. “Era uma menina doce, educada, meiga, rezava comigo. Me ensinou uma oração e, quando eu esquecia, ela falava ‘pai, cadê a mão?’ Pegava na minha mão pra rezar. Eu nunca vou esquecer na minha vida. Tiraram o ouro de mim, a minha filha”, lamentou.

Na segunda-feira (17), Flávio prestou depoimento na Delegacia de Serrana, afirmando nunca ter notado qualquer queixa da filha em relação ao padrasto ou a outras pessoas. “Eu sempre perguntei a ela se tinha alguma coisa errada dentro de casa, na escola, nunca me falou e nunca vi suspeita também. Ela sempre chegou bem em casa. Eu procurava saber o cuidado com minha filha, a mãe dela cuidou bem dela. Só que, se foi esse cara, ele disfarçou muito bem pra ela. Eu nunca desconfiei. Se caso ele fez isso, foi a primeira vez que fez isso com minha filha. Ele deve ter pegado ela na marra, ela gritou alguma coisa e ele fez isso com a minha filha”, desabafou.

Abalado, Flávio clama por justiça e espera que os responsáveis sejam punidos. “Que complete isso o mais rápido possível pra aliviar meu coração e pra eu voltar a trabalhar. Meu comércio está fechado e, enquanto eu tiver assim, não vou conseguir trabalhar. Estou sentindo muita falta dessa criança, quero que a Justiça seja feita o mais rápido possível. E que sirva de alerta para todas as mães deste mundo, não deixe seus filhos com ninguém, cuidado com quem você põe dentro da sua casa, pelo amor de Deus”.

O caso teve início na terça-feira (11), quando Ana Alice foi levada a uma UPA em Serrana. Segundo o padrasto, ele a encontrou desacordada em casa por volta das 23h, ao retornar para buscar a companheira no trabalho. A irmã de Ana Alice, que voltava da igreja, ajudou no socorro. A menina foi transferida para Ribeirão Preto no mesmo dia.

O delegado Marcelo Melo de Lima Garcia informou que o padrasto concordou em fornecer amostras de sangue para comparação com material genético encontrado no corpo da vítima. Ele permanece preso temporariamente como principal suspeito.

Inicialmente tratado como tentativa de suicídio, o caso tomou um novo rumo após a identificação de material semelhante a sêmen no corpo de Ana Alice, durante atendimento no HC. A polícia foi acionada e iniciou a investigação por suspeita de abuso sexual. A perícia constatou lesões na região genital e hematomas no pescoço da menina.

Além do padrasto, a polícia investiga um outro suspeito e planeja ouvir outros familiares da criança. A Polícia Civil aguarda os laudos do IML e do IC para determinar a causa da morte de Ana Alice.

Fonte: g1.globo.com

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