A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro protocolou na tarde desta quarta-feira um novo e detalhado pedido de prisão domiciliar ao Supremo Tribunal Federal (STF). O requerimento, direcionado ao ministro Alexandre de Moraes, que tem sido o relator dos casos envolvendo o ex-mandatário, intensifica a disputa legal em torno das condições de detenção de Bolsonaro. Os advogados fundamentam a solicitação em um suposto agravamento do estado de saúde do ex-presidente, argumentando que a permanência em regime fechado, especialmente após recentes procedimentos cirúrgicos, representa um risco iminente e desnecessário. Este movimento ocorre em um momento crítico, visto que Bolsonaro se encontra hospitalizado e com previsão de alta para as próximas horas, levantando questionamentos sobre seu retorno à custódia da Polícia Federal e a pertinência da prisão domiciliar de Bolsonaro.
A nova solicitação e os argumentos da defesa
O cerne do terceiro pedido de prisão domiciliar para Jair Bolsonaro reside na preocupação com o agravamento de seu estado de saúde caso permaneça em uma unidade prisional. Os advogados do ex-presidente enfatizam que a manutenção em regime fechado, logo após sua alta hospitalar, exporia o paciente a um “risco concreto de agravamento súbito do estado de saúde”. Esta alegação não apenas busca proteger a integridade física do ex-mandatário, mas também se ampara em princípios fundamentais do direito.
Riscos à saúde e princípios humanitários
No novo requerimento, a defesa de Bolsonaro argumenta que a situação atual do ex-presidente fere os “princípios da dignidade da pessoa humana, da humanidade da pena e do direito fundamental à saúde”. A petição detalha que a execução penal não deve, sob nenhuma circunstância, transformar-se em um instrumento que exponha o apenado a “riscos médicos relevantes e evitáveis”. A equipe jurídica ressalta que, com base em laudos e relatórios médicos atualizados, há uma comprovação de novas circunstâncias que demandam uma reavaliação das condições de cumprimento da pena.
O advogado Paulo Cunha Bueno, da defesa do ex-presidente, detalhou em publicação os possíveis riscos enfrentados por Bolsonaro, citando um relatório médico ao qual teve acesso. A lista de potenciais complicações é extensa e preocupante, incluindo “pneumonia broncoaspirativa e insuficiência respiratória, acidente vascular cerebral, risco de queda com traumatismos múltiplos, especialmente traumatismo crânio encefálico, piora da insuficiência renal por desidratação ou hipertensão não controlada, crises hipertensivas, risco de declínio funcional e outras condições imprevisíveis, associadas às demais comorbidades relatadas”. Essas condições, segundo a defesa, são especialmente relevantes “considerando a idade do paciente e as comorbidades conhecidas e documentadas”, e a falta de medidas adequadas ou o agravamento das condições clínicas pode precipitar tais complicações. A insistência da defesa em detalhar esses riscos visa sublinhar a urgência e a necessidade de cuidados médicos contínuos e adequados que, segundo eles, seriam melhor fornecidos em ambiente domiciliar.
Precedentes e o histórico dos pedidos
A estratégia da defesa de Jair Bolsonaro não se limita apenas à apresentação de riscos médicos inerentes à sua condição, mas também se apoia em precedentes jurídicos que, em sua visão, reforçam a validade do pleito pela prisão domiciliar. A citação de casos anteriores de concessão de domiciliar para outros ex-presidentes é um pilar importante dessa argumentação.
A referência a Fernando Collor de Mello
Um dos precedentes mais destacados pela defesa de Bolsonaro é a concessão de prisão domiciliar ao também ex-presidente Fernando Collor de Mello. A petição faz questão de lembrar que Collor teve o benefício concedido, “ainda que se tratasse de condenado ao cumprimento de pena em regime inicial fechado”. A analogia é clara: a defesa busca demonstrar que, mesmo em casos de condenações graves e regimes iniciais mais rigorosos, a Justiça pode flexibilizar a pena diante de condições de saúde específicas.
No caso de Collor, a decisão levou em consideração “comorbidades relevantes, entre elas apneia do sono grave com uso obrigatório de CPAP, somadas à idade avançada e à necessidade de tratamento médico contínuo”. Ao traçar este paralelo, a defesa de Bolsonaro tenta estabelecer que as condições de saúde do ex-presidente, somadas à sua idade e à necessidade de acompanhamento médico constante após cirurgias, são igualmente justificativas para a substituição da prisão pelo regime domiciliar. A defesa argumenta que, se o critério de humanidade foi aplicado em um caso semelhante, deve ser estendido a Bolsonaro, cujas condições clínicas foram detalhadamente apresentadas.
Requerimentos anteriores e a posição do ministro Moraes
Este é o terceiro pedido de prisão domiciliar apresentado pela defesa de Jair Bolsonaro em um curto período, pouco mais de um mês. Os dois requerimentos anteriores, protocolados em 22 de novembro e 19 de dezembro, foram negados pelo ministro Alexandre de Moraes. Nas decisões que indeferiram os pedidos anteriores, o ministro citou como fundamentos o risco de fuga do ex-presidente e a garantia de que Bolsonaro já possuía acesso total e adequado a cuidados médicos dentro da prisão. Moraes argumentava que o sistema prisional estava apto a fornecer a assistência necessária, não justificando a alteração do regime de cumprimento da pena.
Contudo, a defesa de Bolsonaro insiste que a petição atual, protocolada no último dia do ano, diferencia-se das anteriores por apresentar “circunstância nova, devidamente comprovada por documentos médicos”. Essa “nova circunstância” seria o resultado das recentes intervenções cirúrgicas e dos relatórios médicos mais recentes, que, segundo os advogados, atestam um agravamento e uma maior complexidade no quadro de saúde do ex-presidente, que não estavam presentes ou documentados com a mesma profundidade nos pedidos anteriores. A expectativa da defesa é que esta nova documentação possa persuadir o ministro Moraes a reavaliar sua posição, considerando o estado atual e as previsões de risco para a saúde do ex-presidente.
Situação atual e próximos passos
A situação de Jair Bolsonaro é dinâmica, com a previsão de alta hospitalar iminente e a incerteza sobre o desfecho do novo pedido de prisão domiciliar. As próximas horas serão cruciais para definir os próximos passos do ex-presidente.
Alta hospitalar e retorno à custódia
Médicos que acompanham Jair Bolsonaro confirmaram em entrevista coletiva, na tarde desta quarta-feira, que a previsão de alta do ex-presidente está mantida para esta quinta-feira (1º). Após a alta, a expectativa é que Bolsonaro retorne à Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde está detido desde novembro, após condenação.
Jair Bolsonaro está internado no Hospital DF Star, também em Brasília, desde a véspera do Natal. Durante esse período, ele foi submetido a cirurgias para correção de uma hérnia inguinal bilateral, que vinha lhe causando desconforto, e para tentar conter crises persistentes de soluços, uma condição que o acompanhava há algum tempo e que se intensificou, exigindo intervenção médica. A internação e os procedimentos destacam a fragilidade de sua saúde e são o cerne da argumentação da defesa para a concessão da prisão domiciliar, reforçando a ideia de que o ambiente prisional poderia agravar um quadro já delicado.
O futuro da detenção e o papel do STF
Atualmente, Jair Bolsonaro cumpre uma pena de 27 anos e 3 meses de reclusão, decorrente de sua condenação por coordenar uma trama de golpe de Estado. A análise do novo pedido de prisão domiciliar recai agora sobre o ministro Alexandre de Moraes, que terá a responsabilidade de ponderar os argumentos da defesa, os relatórios médicos apresentados e os precedentes citados, em contraponto aos motivos que o levaram a negar os pedidos anteriores. A decisão do STF será fundamental para definir se o ex-presidente continuará em regime fechado na Polícia Federal ou se terá sua pena convertida para prisão domiciliar. O caso de Bolsonaro, devido à sua repercussão política e jurídica, continuará sob os holofotes, e a decisão de Moraes será acompanhada de perto por diversos setores da sociedade.
Perguntas frequentes
Por que a defesa de Bolsonaro pede prisão domiciliar?
A defesa argumenta que as condições de saúde de Jair Bolsonaro podem ser gravemente agravadas em regime fechado, especialmente após suas recentes cirurgias. Eles citam riscos médicos detalhados e princípios como a dignidade da pessoa humana e o direito à saúde.
Quantos pedidos de prisão domiciliar já foram feitos pela defesa?
Este é o terceiro pedido de prisão domiciliar em pouco mais de um mês. Os dois anteriores foram negados pelo ministro Alexandre de Moraes.
Qual a situação de saúde atual de Jair Bolsonaro?
Jair Bolsonaro foi internado no Hospital DF Star desde a véspera do Natal, passando por cirurgias para correção de uma hérnia inguinal bilateral e para conter crises persistentes de soluços. A previsão de alta é para esta quinta-feira (1º).
O que argumentou a defesa ao citar o caso Collor?
A defesa usou o caso do ex-presidente Fernando Collor de Mello, a quem foi concedida prisão domiciliar mesmo em regime fechado devido a comorbidades, idade avançada e necessidade de tratamento contínuo, para estabelecer um precedente jurídico e reforçar a necessidade de humanidade na aplicação da pena.
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