Moradores da Serra da Cantareira, em São Paulo, denunciam o persistente tráfego de caminhões na antiga Estrada da Roseira, agora Avenida Vereador Belarmino Pereira de Carvalho, apesar da proibição para veículos pesados. A via, que conecta a capital a Mairiporã, é conhecida por sua inclinação acentuada, traçado sinuoso e histórico de acidentes graves.
Apesar da sinalização restritiva e da presença de um posto da Polícia Militar, caminhoneiros continuam a utilizar a via sem aparente fiscalização, conforme relatos de moradores da região, que abrange São Paulo, Guarulhos, Mairiporã e Caieiras.
Andresa Mendes, residente na Serra da Cantareira há cinco anos, observa um agravamento do problema desde a pandemia. Ela expressa preocupação com o aumento do número de caminhões e os frequentes acidentes, descrevendo a situação como uma “roleta-russa” devido ao risco constante de falhas mecânicas ou manobras perigosas.
Acidentes, especialmente no fim da tarde, interrompem o fluxo e obrigam os moradores a buscar rotas alternativas. Uma moradora da Reserva das Hortênsias, que preferiu não se identificar, relata testemunhar diariamente a irregularidade e menciona um trágico acidente fatal ocorrido anos atrás na “curva da morte”, localizada próxima à divisa entre São Paulo e Mairiporã.
A proibição de circulação de caminhões é formalizada por lei municipal de Mairiporã e pelo Código de Trânsito Brasileiro, considerando a inclinação da via e o risco de acidentes. A Prefeitura de Mairiporã, em 2025, estabeleceu multa para o descumprimento da norma, com valores que podem dobrar em caso de reincidência.
Moradores apontam para um impasse entre os municípios responsáveis pelo trecho como um dos fatores que contribuem para a falta de solução. O Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) de São Paulo e o governo estadual já foram acionados, sem resultados efetivos.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que a via é municipal e que existe um convênio de fiscalização de trânsito com Mairiporã vigente até 2029. A pasta afirma que policiais orientam e determinam o retorno de caminhões que deixam o município em direção à capital quando há restrição de circulação.
O Comando de Policiamento de Trânsito (CPTran) declarou ter realizado reuniões para aprimorar a fiscalização no sentido capital–Mairiporã, sugerindo a implantação de fiscalização eletrônica, medida ainda não adotada. A SSP reitera que a fiscalização de trânsito é de competência municipal em vias municipais, enquanto o estado atua em questões de habilitação, veículos, crimes de trânsito e policiamento ostensivo.
A gestão do prefeito de Mairiporã não se manifestou sobre o assunto.
Em janeiro, um caminhão bloqueou o acesso à Serra da Cantareira. Moradores relatam diversos acidentes graves em 2025, incluindo manobras perigosas e perda de freios por caminhões. O trecho é conhecido como “curva da morte” devido a um acidente em 1994 que vitimou uma jornalista e seus filhos.
Dados do Infosiga indicam redução nos acidentes em São Paulo em outubro, mas o governo estadual não forneceu informações específicas sobre a Serra da Cantareira.
Fonte: g1.globo.com


