Críticas ao Projeto de Incentivo Fiscal para Data Centers no Brasil

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© Divulgação/Gov.Br

Recentemente, diversas organizações da sociedade civil, sindicatos e movimentos sociais se manifestaram contra o projeto de lei que institui o programa Redata, destinado a oferecer incentivos fiscais para a instalação de data centers de grandes empresas de tecnologia no Brasil. Essas entidades destacam a necessidade de um diálogo mais amplo e mudanças no texto da proposta para assegurar a soberania digital do país.

O que são Data Centers e Seus Desafios

Data centers são instalações que abrigam equipamentos de computação essenciais para o funcionamento de plataformas digitais, incluindo processamento de inteligência artificial e armazenamento de dados. No entanto, a criação desses centros levanta preocupações, principalmente em relação ao seu elevado consumo de energia e água.

Críticas ao Projeto de Lei

A nota pública emitida contra o PL 278 de 2026 critica a falta de transparência nas negociações e a exclusão das vozes que estudam a questão. As organizações que assinam o documento, como a Coalizão Direitos na Rede e o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), afirmam que a concessão de benefícios fiscais às big techs deve ser precedida por diretrizes claras que garantam salvaguardas socioambientais.

As entidades enfatizam a importância de garantir contrapartidas significativas das empresas que se beneficiam de isenções fiscais, a fim de promover o desenvolvimento das capacidades tecnológicas e científicas do Brasil. A falta de tais contrapartidas pode resultar em custos ambientais e sociais elevados, enquanto os recursos estratégicos são direcionados para grandes grupos econômicos internacionais.

Detalhes do Projeto Redata

O PL 278 de 2026, que já recebeu aprovação da Câmara dos Deputados, está atualmente em análise pelo Senado. Ele visa substituir uma medida provisória anterior que perdeu a validade. O programa Redata prevê a isenção de impostos federais para a importação de componentes eletrônicos necessários para os data centers, incentivando a instalação desses equipamentos no Brasil.

Em contrapartida, as empresas interessadas deverão utilizar energia de fontes renováveis e atender a critérios de eficiência hídrica. Além disso, é exigido que realizem investimentos equivalentes a 2% do valor dos produtos adquiridos com o benefício fiscal e que reservem 10% dos serviços para o mercado interno.

Expectativas e Implicações

O governo estima que a isenção fiscal resultará em uma economia de aproximadamente R$ 5,2 bilhões no primeiro ano, com valores de R$ 1 bilhão nos dois anos seguintes. O relator do projeto, deputado Aguinaldo Ribeiro, acredita que o Redata proporcionará recursos significativos para o desenvolvimento tecnológico do Brasil.

Perspectivas para a Soberania Digital

As organizações que criticam o projeto alertam que a soberania digital do Brasil não se limita à simples instalação de infraestrutura no território nacional. Ela deve incluir o fortalecimento das capacidades tecnológicas e científicas, a segurança e a governança de dados, além da proteção dos recursos naturais.

A discussão em torno do PL 278 de 2026 continua a ser vital para assegurar que o Brasil avance de maneira estratégica, evitando a dependência de tecnologias estrangeiras e promovendo um desenvolvimento sustentável e autônomo.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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