Crise Climática: a humanidade à beira da própria extinção

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© CRÉDITO: ARTE MARKETING/EBC

A saúde do planeta Terra atinge um ponto crítico, com especialistas alertando sobre um risco sem precedentes para a existência humana. A crise climática, impulsionada pela ação antrópica, não apenas provoca eventos extremos e a deterioração ambiental, mas também ameaça diretamente a saúde e a sobrevivência da nossa espécie. Enquanto o planeta possui uma resiliência impressionante, capaz de se recuperar de extinções em massa anteriores, a humanidade se destaca por ser a primeira a potencialmente causar a própria aniquilação. Este cenário exige uma compreensão aprofundada dos mecanismos geológicos e biológicos em jogo, bem como uma avaliação urgente dos impactos na saúde humana, desde surtos de doenças a situações de fome e desnutrição, especialmente em comunidades vulneráveis.

A dinâmica de Gaia e a resiliência da Terra

A Terra, em sua vasta história de quase 4,5 bilhões de anos, demonstrou uma capacidade notável de autoregeneração. Conceitos como a “Dinâmica de Gaia” descrevem o planeta como um organismo vivo e interconectado, onde todos os sistemas atuam para manter o equilíbrio. Para muitas culturas sul-americanas, como os incas e maias, a Terra é a “Pachamama”, a grande mãe que provê sustento e vida, mas que também demonstra sua fúria através de vulcões, terremotos e eventos climáticos extremos. Essa perspectiva, corroborada pela geologia, destaca que o planeta passará por seus ciclos, independentemente da presença humana.

Um planeta que sobrevive, mas pode excluir a humanidade

A geóloga Adriana Alves, da Universidade de São Paulo (USP), enfatiza que a Terra já enfrentou e se recuperou de cinco grandes extinções em massa, a mais recente eliminando os dinossauros. “A vida se recupera das extinções em massa”, afirma, citando a poetisa Maya Angelou: “Ainda assim, eu me ergo”. A especialista ressalta que essa recuperação, no entanto, não significa o retorno da mesma vida, mas sim o surgimento de novas formas adaptadas às novas condições. Para a dinâmica interna do planeta, a influência humana é ínfima, quase zero. Contudo, na dinâmica externa, a ação humana é avassaladora. “A espécie humana vai ser a primeira a causar a própria extinção”, conclui Alves, sublinhando a responsabilidade da única espécie pensante sobre o restante da biota. A Terra seguirá seu curso, mas poderá fazê-lo sem a presença da humanidade.

O impacto direto da crise climática na saúde humana

A deterioração ambiental impulsionada pela ação humana tem consequências diretas e severas na saúde física e mental das populações. O aquecimento global, a poluição do ar e da água, o desmatamento e a exploração desenfreada de recursos não renováveis levam a um esgotamento planetário que se manifesta em corpos adoecidos.

Doenças, desnutrição e a vulnerabilidade das comunidades

A superaquecimento global e a alteração nos regimes de chuva, que provocam inundações e secas extremas, criam um terreno fértil para diversas enfermidades. As enchentes elevam o risco de leptospirose e doenças cardíacas, enquanto o aumento das temperaturas favorece a proliferação de vetores, como o Aedes aegypti, aumentando os casos de dengue e outras doenças transmitidas. A escassez hídrica e alimentar, por sua vez, resulta em diarreia, desnutrição e fome.

O médico infectologista Eugênio Scannavino Netto, atuante na Amazônia, relata o impacto devastador da seca severa na região. Comunidades ribeirinhas, que dependem diretamente do ambiente para sua subsistência e transporte, ficam isoladas e sem acesso a alimentos e medicamentos. A baixa qualidade da água, frequentemente barrenta e contaminada por esgotos, causa surtos de diarreia e parasitoses. “A seca não só traz incêndios, mas também reflete totalmente na agricultura familiar, as pessoas vivem da floresta!”, explica Scannavino Netto, descrevendo a dificuldade de pequenos cultivos brotarem. Em um contexto de calor intenso e esforço físico extremo para buscar água de má qualidade, a soma de doenças simples, como diarreia, parasitoses e problemas de pele, se torna “uma situação bem grave”. A desnutrição e a anemia tornam-se prevalentes, afetando diretamente as comunidades que, ironicamente, são as maiores guardiãs da floresta.

Alertas de relatórios globais e projeções futuras

Relatórios globais, como o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) de 2023, detalham a crescente influência da crise climática na saúde humana. Apontam para o aumento de doenças de origem alimentar e hídrica, bem como a elevação da incidência de doenças transmitidas por vetores. Pesquisas do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, em parceria com instituições de saúde, projetam o crescimento de enfermidades como malária e leishmaniose em cenários de mudança climática. A crise hídrica e a alimentar, destacadas por relatórios das Nações Unidas, são consideradas as maiores ameaças, com o potencial letal da fome pairando sobre as populações mais vulneráveis do planeta.

Chamado à resiliência e à ação imediata

Diante da gravidade do cenário, a urgência de uma mudança de postura global é inquestionável. A resiliência, tanto do planeta quanto da humanidade, é um tema central nas discussões sobre o futuro. A capacidade de se adaptar e de agir proativamente é crucial para mitigar os riscos e construir um caminho mais sustentável.

O papel das novas gerações na mitigação e adaptação

O climatologista Carlos Nobre faz um apelo contundente à ação, especialmente direcionada às futuras gerações. Ele compara as experiências de sua própria geração com as que seus netos e bisnetos enfrentarão. “Meus netos vão enfrentar 40, 50 ondas de calor”, mesmo em cenários mais otimistas de aquecimento de 1,5 grau Celsius, enquanto sua geração enfrentou 10 a 15. Nobre enfatiza que as novas gerações terão a missão de “reduzir o risco, zerar todas as emissões e tornar a população muito mais resiliente às mudanças climáticas”. A tarefa é árdua e exige esforços que a geração atual não conseguiu cumprir plenamente. A esperança reside na capacidade de inovação e engajamento das futuras gerações para encontrar soluções que possam salvar o planeta da autodestruição humana.

Conclusão

A crise climática não é uma ameaça distante, mas uma realidade que já afeta a saúde e a existência humana em escala global. As evidências científicas e os relatos de especialistas convergem para um alerta claro: a humanidade está no caminho de causar a própria extinção, enquanto o planeta, em sua resiliência, persistirá. A “fúria” da natureza, em resposta à ação antrópica, manifesta-se em eventos extremos e proliferação de doenças, impactando desproporcionalmente as comunidades mais vulneráveis. A necessidade de ação imediata, de zerar emissões e de construir resiliência para as futuras gerações não é apenas um conselho, mas um imperativo para a continuidade da vida humana na Terra.

FAQ

1. A Terra realmente corre risco de ser extinta?
Não. Segundo geólogos, a Terra é um planeta rochoso com quase 4,5 bilhões de anos e já passou por cinco grandes extinções em massa, se recuperando e seguindo seu curso. A ameaça de extinção é para a espécie humana e outras formas de vida, não para o planeta em si.

2. Quais são as principais doenças relacionadas à crise climática?
A crise climática está ligada a diversas doenças, incluindo leptospirose (por inundações), dengue, malária e leishmaniose (por proliferação de vetores), doenças cardíacas e respiratórias (por poluição), diarreia e outras infecções gastrointestinais (por água contaminada), e condições de desnutrição e fome (por escassez de água e alimentos).

3. O que pode ser feito para evitar a extinção humana e mitigar os impactos da crise climática?
Especialistas apontam a necessidade urgente de reduzir drasticamente as emissões de gases de efeito estufa a zero, investir em energias renováveis, promover a conservação ambiental, e desenvolver estratégias para tornar as populações mais resilientes aos eventos climáticos extremos. A ação individual e coletiva, em conjunto com políticas governamentais e inovações tecnológicas, são cruciais.

Este é o momento de agir. Para aprofundar seu conhecimento sobre os desafios e soluções para a crise climática, busque informações confiáveis e participe de iniciativas que promovam a sustentabilidade. O futuro do nosso planeta e da humanidade depende das escolhas que fazemos hoje.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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