Um grupo de 43 nações, juntamente com a União Europeia, oficializou a Declaração de Belém sobre Fome, Pobreza e Ação Climática Centrada nas Pessoas, um pacto ambicioso que visa integrar as populações mais vulneráveis nas estratégias globais de combate às mudanças climáticas. A aprovação ocorreu durante o encerramento da Cúpula do Clima, realizada em Belém, capital do Pará, um evento preparatório para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que também acontecerá na cidade.
A cúpula teve como foco a atualização e o fortalecimento dos compromissos internacionais para enfrentar a crescente crise climática. A declaração recém-aprovada propõe uma mudança de paradigma na abordagem global, reconhecendo que, embora as mudanças climáticas representem um desafio para todos, seus impactos atingem de forma desproporcional as comunidades mais vulneráveis do planeta.
“Quase metade da população mundial não tem acesso à proteção social, e muitos dos excluídos estão justamente entre os mais expostos aos impactos das mudanças climáticas. Os sistemas de proteção social são mais frágeis justamente onde deveriam ser mais robustos: nas comunidades afetadas pela pobreza, fome e alta vulnerabilidade climática”, detalha o texto da declaração.
A declaração também defende que o financiamento climático seja direcionado para o apoio a meios de subsistência sustentáveis para agricultores familiares, comunidades tradicionais e povos da floresta, garantindo que as ações climáticas gerem empregos dignos e oportunidades econômicas para aqueles que estão na linha de frente da crise.
Entre os países que assinaram a Declaração de Belém, destacam-se Brasil, Chile, China, Cuba, Alemanha, Indonésia, Malásia, México, Noruega, República do Congo, Ruanda, Espanha, Sudão, Reino Unido, Zimbábue, França e Dinamarca, além da União Europeia.
Além da declaração sobre combate à fome e à pobreza, a Cúpula do Clima também aprovou a Declaração de Belém sobre o Combate ao Racismo Ambiental, que visa promover o diálogo internacional sobre a relação entre igualdade racial, meio ambiente e clima. O texto reconhece que a crise ecológica global é também uma crise de justiça racial e propõe a construção de uma agenda cooperativa em defesa de maior equidade e solidariedade entre as nações e da superação de desigualdades históricas que afetam o acesso a recursos, oportunidades e benefícios ambientais.
Outros dois documentos também foram aprovados durante o evento: a Declaração sobre a Coalizão Aberta de Mercados Regulados de Carbono e o Compromisso de Belém pelos Combustíveis Sustentáveis, que visa quadruplicar a produção e o uso de combustíveis sustentáveis até 2035.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


