Capivara vítima de caça ilegal é resgatada ferida e amarrada em Caraguatatuba

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Animal foi encontrado com uma corda amarrada ao corpo e sinais de debilidade dentro do quintal de...

Na tarde de segunda-feira, 5 de fevereiro, uma capivara resgatada em estado crítico movimentou equipes de resgate e a Polícia Ambiental no bairro Jardim Gaivotas, em Caraguatatuba. O animal, um roedor de grande porte e símbolo da fauna silvestre brasileira, foi encontrado por um morador em seu quintal, apresentando graves ferimentos e um cordão amarrado ao redor do corpo. Este incidente não apenas destaca a vulnerabilidade da vida selvagem em áreas urbanas, mas também lança luz sobre a persistência da caça ilegal, um crime ambiental com sérias consequências para o ecossistema local. A situação alarmante levou à imediata ação das autoridades, que confirmaram indícios de maus-tratos e tentativa de captura forçada, mobilizando esforços para garantir a recuperação da capivara. A urgência do resgate sublinha a necessidade de conscientização e a importância de denunciar tais práticas para a preservação da biodiversidade.

O resgate emergencial no Jardim Gaivotas

O cenário que se desenrolou no Jardim Gaivotas, um bairro de Caraguatatuba, era de profunda preocupação. Um morador, ao se deparar com a capivara em sua propriedade, imediatamente acionou as autoridades. A visão do animal era desoladora: visivelmente debilitado, com ferimentos que indicavam uma luta por sobrevivência e, chocantemente, um cordão firmemente amarrado ao seu corpo. Esta cena, inicialmente interpretada como um simples deslocamento de habitat, rapidamente revelou-se um caso de crime ambiental de maus-tratos à fauna silvestre, conforme avaliação preliminar da Polícia Ambiental. A equipe, ao chegar ao local, confrontou-se com a tarefa delicada de conter um animal selvagem ferido e em estresse, exigindo expertise e cuidado para não agravar sua condição.

Detalhes da descoberta e a intervenção policial

A descoberta da capivara ferida não foi um mero acaso. O cordão encontrado no animal é um forte indicativo de que ele foi vítima de uma tentativa de captura forçada ou, ainda mais grave, de caça ilegal. Acredita-se que, apesar de conseguir escapar dos seus agressores, a capivara carregou consigo as marcas físicas da violência sofrida, tornando seu resgate ainda mais urgente. Os agentes da Polícia Ambiental, especializados no manejo de animais silvestres, empregaram técnicas apropriadas para a contenção do roedor, minimizando o risco de maiores lesões tanto para o animal quanto para os envolvidos na operação. A rápida resposta e a eficiência no resgate foram cruciais para oferecer à capivara uma chance de recuperação, evidenciando o compromisso das forças de segurança com a proteção da fauna.

O crime de caça ilegal e a jornada de recuperação

Dada a severidade dos ferimentos, a soltura imediata da capivara foi prontamente descartada. O animal foi transportado sem demora para o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Caraguatatuba, onde recebeu atenção veterinária especializada. No CCZ, a capivara será submetida a uma bateria completa de exames diagnósticos, incluindo avaliações clínicas e, se necessário, exames de imagem, para determinar a extensão exata dos danos internos e externos. O tratamento intensivo abrangerá desde a limpeza e sutura de ferimentos até a administração de medicamentos para dor, infecções e inflamações, além de um regime alimentar nutritivo para restaurar sua força e vitalidade. A expectativa é que, após um período de convalescença, que pode se estender por semanas ou meses, e uma vez recuperado o estado nutricional e a cicatrização completa, o animal possa ser reintroduzido ao seu habitat natural. Este processo delicado e monitorado visa garantir que a capivara tenha as melhores chances de readaptação e sobrevivência na natureza.

Importância ecológica e orientação à população

A Polícia Ambiental reforça o alerta de que a caça de animais silvestres é uma prática criminosa, com sanções legais rigorosas, e representa uma grave ameaça ao equilíbrio ecológico. Capivaras, sendo os maiores roedores do mundo e herbívoros essenciais, desempenham um papel vital na manutenção da biodiversidade. Elas atuam como dispersoras de sementes e controlam a vegetação em ecossistemas aquáticos, influenciando diretamente a estrutura e a saúde de rios e margens. A remoção desses animais do seu ambiente natural por caça ilegal desestabiliza cadeias alimentares e pode levar a desequilíbrios populacionais de outras espécies. Diante da descoberta de animais silvestres em áreas urbanas, especialmente se feridos ou em situação de risco, a orientação clara é não tentar a captura. A intervenção direta por pessoas não qualificadas pode causar mais estresse ao animal, agravar seus ferimentos ou, em casos mais raros, resultar em ataques defensivos. O procedimento correto é sempre isolar a área, afastando crianças e animais domésticos, e acionar a Polícia Militar Ambiental pelo telefone 190. O serviço de emergência está disponível 24 horas por dia, garantindo uma resposta rápida e profissional para a proteção da fauna.

Conclusão

O resgate desta capivara em Caraguatatuba serve como um doloroso, mas importante, lembrete da constante ameaça que a fauna silvestre enfrenta, mesmo nas proximidades de centros urbanos. O ato de caça ilegal e maus-tratos não é apenas um crime contra a natureza, mas um atentado contra a biodiversidade que sustenta nossos ecossistemas. A pronta ação da Polícia Ambiental e o cuidado dedicado do Centro de Controle de Zoonoses oferecem esperança para a recuperação deste indivíduo, mas a responsabilidade de proteger a vida selvagem recai sobre toda a comunidade. É fundamental que cada cidadão compreenda o valor inestimável de espécies como a capivara e adote uma postura de vigilância e denúncia contra quaisquer crimes ambientais. A conscientização e a colaboração são as ferramentas mais poderosas para garantir que esses episódios de violência se tornem cada vez mais raros e que a harmonia entre o homem e a natureza possa ser preservada para as futuras gerações.

FAQ

O que fazer ao encontrar um animal silvestre ferido em área urbana?
Ao encontrar um animal silvestre ferido ou em perigo, a primeira e mais importante ação é não tentar intervir diretamente. Mantenha distância, isole a área para evitar que outros animais ou pessoas se aproximem e entre em contato imediatamente com a Polícia Militar Ambiental, geralmente pelo telefone 190, ou com o órgão ambiental responsável da sua localidade. Profissionais treinados sabem como manejar o animal sem causar mais estresse ou ferimentos.

Quais são as penalidades para caça ilegal de animais silvestres no Brasil?
A caça ilegal de animais silvestres é um crime ambiental previsto na Lei nº 9.605/98 (Lei de Crimes Ambientais). As penalidades incluem detenção de seis meses a um ano e multa. Em casos de espécies ameaçadas de extinção, as penas podem ser aumentadas. Além disso, a prática de maus-tratos a animais também configura crime, com sanções que variam de três meses a um ano de detenção, e multa, podendo ser elevadas em caso de morte do animal.

Qual a importância das capivaras para o ecossistema local?
As capivaras são herbívoros essenciais e desempenham um papel crucial na manutenção do equilíbrio ecológico, especialmente em áreas úmidas e ribeirinhas. Elas atuam no controle da vegetação aquática, ajudando a manter os corpos d’água desobstruídos e facilitando a dispersão de sementes. Sua presença indica a saúde do ecossistema e serve de alimento para predadores, contribuindo para a manutenção de diversas cadeias alimentares. A remoção de capivaras de seu habitat natural pode causar desequilíbrios significativos.

Denuncie crimes ambientais e ajude a proteger nossa fauna. Sua atitude pode fazer a diferença na vida de muitos animais e na saúde do nosso planeta.

Fonte: https://novaimprensa.com

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