Canetas Emagrecedoras e a Economia Moral da Magreza

3 Tempo de Leitura
© Receita Federal/divulgação

Nos últimos anos, o uso de medicamentos subcutâneos, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras, tem gerado intensos debates na sociedade. Embora esses medicamentos apresentem resultados significativos e recebam apoio de várias sociedades médicas, seu uso sem supervisão profissional é preocupante, especialmente entre pessoas que não apresentam obesidade.

A Economia Moral da Magreza

A professora Fernanda Scagluiza, das faculdades de Saúde Pública e Medicina da Universidade de São Paulo (USP), destaca que a popularidade das canetas emagrecedoras está ligada ao conceito de ‘economia moral da magreza’. Esse conceito reflete como diferentes tipos de corpos são percebidos socialmente, com a magreza sendo associada a virtudes e esforço, enquanto a obesidade é frequentemente estigmatizada.

Estigmas e Privilégios

Scagluiza explica que a sociedade muitas vezes atribui características negativas a corpos gordos, associando-os a preguiça e falta de vontade. Isso cria uma desigualdade nas relações sociais, onde indivíduos com corpos magros desfrutam de privilégios em diversas esferas, como no trabalho e nas relações pessoais, enquanto pessoas gordas enfrentam discriminação e opressão.

A Evolução dos Padrões de Beleza

Os padrões de beleza, que mudam ao longo do tempo, têm um impacto significativo na percepção da diversidade. Scagluiza argumenta que a imposição de um ideal de magreza, seja extrema ou ‘saudável’, marginaliza muitas pessoas, beneficiando a indústria que vende soluções para a conformidade a esses padrões.

Pressão Estética e Gordofobia

A pressão estética por magreza afeta não apenas aqueles que estão acima do peso, mas também pessoas que, mesmo não sendo consideradas gordas, sentem a necessidade de se encaixar em padrões irrealistas. A gordofobia, um sistema que marginaliza pessoas com corpos maiores, perpetua um ciclo de humilhação e opressão.

Um Retorno à Magreza Extrema?

Scagluiza sugere que, após um período de crescente aceitação da diversidade corporal, o cenário pode estar retrocedendo com o ressurgimento das canetas emagrecedoras. Embora o movimento de positividade corporal tenha trazido avanços, ainda há uma resistência significativa na indústria da moda e na sociedade em geral, que continua a favorecer padrões de magreza extrema.

Em conclusão, a discussão acerca das canetas emagrecedoras revela não apenas questões de saúde, mas também profundas implicações sociais sobre como os corpos são percebidos e valorizados. A luta contra a gordofobia e a busca por uma aceitação verdadeira da diversidade corporal são essenciais para construir uma sociedade mais justa e inclusiva.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

Compartilhe está notícia