Campinas adota ceps em favelas, promovendo inclusão e cidadania

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G1

As 118 favelas e comunidades urbanas de Campinas, São Paulo, agora possuem Códigos de Endereçamento Postal (CEP), um marco que promete facilitar o acesso a serviços essenciais e promover a inclusão social. A iniciativa, concretizada no início deste mês pelos Correios, abrange a totalidade das áreas mapeadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no município.

De acordo com o Censo 2022, 140.784 pessoas residem nessas áreas, sendo 70.789 mulheres e 69.995 homens, com uma idade mediana de 29 anos. A composição étnico-racial revela que 53,32% se declaram pardos, 33,08% brancos, 13,35% pretos, 0,16% indígenas e 0,09% amarelos.

Para moradores como Maria Leonice Silva, dona de casa, a ausência do CEP sempre representou um obstáculo. “Vou limpar meu nome”, planeja, explicando como a falta de um endereço formal dificultava o recebimento de contas, levando ao acúmulo de dívidas e restrições de crédito.

A pesquisadora Camila Massaro, do Observatório da PUC-Campinas, enfatiza que a iniciativa é uma “reparação histórica” diante da urbanização desordenada no Brasil. Marcela Reis, coordenadora social da Central Única das Favelas (CUFA) em Campinas, aconselha os moradores a procurarem os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) para acessar benefícios municipais e governamentais, como o Bolsa Família e o vale-gás, mediante a comprovação de endereço.

Os CEPs podem ser consultados no site dos Correios. A ação faz parte do programa “CEP Para Todos”, uma parceria entre o Ministério das Cidades e os Correios, que visa expandir o acesso ao endereçamento em todo o país até o final de 2025. Em âmbito nacional, 12.348 comunidades foram contempladas, beneficiando 16,39 milhões de pessoas em 656 cidades. A maioria dos novos endereçados (72,9%) se autodeclara preta ou parda.

O programa prevê ainda o mapeamento completo de logradouros em 300 favelas e comunidades, com a criação de CEPs específicos para ruas, vielas e becos (765 códigos já foram gerados), e a implantação de atendimento físico dos Correios em 100 favelas.

Para a Secretaria Nacional de Periferias, ter um endereço formal é crucial para a inclusão social e o exercício da cidadania. A ausência de CEP dificulta o acesso a serviços de saúde, educação e programas sociais, além de impedir a participação em concursos públicos e processos seletivos de emprego. A iniciativa busca transformar essa realidade, promovendo a igualdade de oportunidades e o acesso a direitos para todos os cidadãos.

Fonte: g1.globo.com

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