Em um movimento estratégico durante a World Travel Market (WTM) Latin America 2026, o Brasil tomou a iniciativa de compartilhar suas medidas anticrise para aviação com autoridades de turismo de toda a América Latina. O ministro do Turismo brasileiro detalhou a resposta governamental aos crescentes desafios impostos pelo aumento global dos preços dos combustíveis, uma consequência direta do prolongado conflito no Oriente Médio. O objetivo primordial foi apresentar soluções que pudessem mitigar o impacto financeiro no setor aéreo, reverberando positivamente no turismo global. A proposta central, a eliminação temporária de tributos sobre o querosene de aviação (QAV), foi recebida com grande interesse, destacando o papel do Brasil na busca por estabilidade regional.
Ações estratégicas para mitigar impactos
A resposta brasileira à crise do querosene de aviação
Diante de um cenário econômico global instável, exacerbado pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio, o governo brasileiro agiu proativamente para proteger o setor aéreo nacional e, por extensão, o turismo. A principal ação apresentada foi a eliminação temporária das alíquotas de PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre o querosene de aviação (QAV). Essa decisão, formalizada por um decreto presidencial, visa diretamente aliviar a pesada carga tributária sobre as companhias aéreas, que enfrentam custos operacionais significativamente elevados devido à valorização do petróleo no mercado internacional.
A lógica por trás dessa medida é clara: ao reduzir os custos de insumos essenciais, como o combustível de aviação, o governo busca evitar que esses aumentos sejam integralmente repassados aos passageiros na forma de passagens mais caras. Tal repasse teria um efeito cascata prejudicial, impactando diretamente o poder de compra dos turistas, desestimulando viagens e comprometendo a recuperação e o crescimento do setor. A medida é vista como um fôlego para as empresas aéreas, permitindo que mantenham suas operações de forma mais sustentável e contribuam para a competitividade do Brasil como destino turístico em um mercado global cada vez mais acirrado, beneficiando tanto os viajantes quanto a infraestrutura de transporte aéreo.
Contexto global e desafios para a aviação
O conflito no Oriente Médio tem sido um catalisador de incertezas nos mercados globais, com um impacto particularmente severo nos preços do petróleo e, consequentemente, nos combustíveis de aviação. Esse aumento do custo do QAV representa um dos maiores desafios para a indústria aérea mundial, uma vez que o combustível pode corresponder a uma parcela substancial dos custos operacionais totais de uma companhia aérea, chegando a 30% ou mais em alguns casos. A volatilidade dos preços do petróleo dificulta o planejamento financeiro das empresas, exigindo respostas rápidas e eficazes por parte dos governos para mitigar os riscos.
Além do impacto direto nos custos das passagens e na rentabilidade das companhias, a crise do combustível pode levar à redução da oferta de voos, fechamento de rotas menos lucrativas e, em casos extremos, à paralisação de operações, gerando instabilidade no mercado e perdas de emprego. Para um setor tão interconectado como o turismo, essas interrupções e encarecimentos representam um obstáculo significativo à circulação de pessoas e mercadorias, afetando economias inteiras que dependem do fluxo turístico e da conectividade aérea. A apresentação brasileira, portanto, não apenas abordou uma questão interna, mas propôs uma solução para um desafio transnacional que afeta a resiliência e a recuperação econômica de toda a região latino-americana.
Repercussão internacional e interesse regional
O impacto das propostas no encontro da WTM Latin America
A World Travel Market Latin America 2026 serviu como palco ideal para a apresentação das estratégias brasileiras. Este evento de grande prestígio, que reúne líderes e profissionais do turismo de diversas nações, proporcionou o ambiente propício para que a iniciativa do Brasil fosse não apenas divulgada, mas também debatida e compreendida por seus pares regionais. A clareza e a objetividade com que as medidas anticrise para aviação foram expostas sublinharam a seriedade do compromisso brasileiro em enfrentar os desafios econômicos globais, projetando uma imagem de liderança e proatividade.
Durante sua fala, o ministro detalhou o decreto presidencial, explicando os mecanismos de desoneração e os benefícios esperados. A abordagem prática e orientada para resultados ressoou entre os presentes, que buscam ativamente soluções para problemas semelhantes em seus próprios países. A apresentação destacou como uma ação governamental bem direcionada pode servir como um escudo protetor para um setor tão vital quanto o aéreo e o turístico, demonstrando liderança e proatividade em um momento de incerteza global. A discussão não se limitou à esfera política, mas se estendeu à capacidade de adaptação e inovação necessárias para garantir a sustentabilidade do ecossistema de viagens e turismo e promover o desenvolvimento econômico de forma mais ampla.
O exemplo mexicano e a busca por soluções conjuntas
Entre as diversas autoridades presentes na WTM Latin America 2026, o representante do turismo mexicano demonstrou particular interesse na iniciativa brasileira. Reconhecendo a urgência de medidas semelhantes em seu próprio país para beneficiar os turistas e seus próprios cidadãos, o representante solicitou uma cópia detalhada do decreto presidencial. Esse gesto sublinha a relevância da proposta brasileira como um modelo prático e aplicável para outras economias da região que enfrentam os mesmos desafios impostos pela volatilidade dos preços do combustível e buscam proteger seus próprios mercados de turismo.
O entusiasmo mexicano não foi um caso isolado, mas um reflexo da necessidade latente por estratégias colaborativas na América Latina. A crise do querosene de aviação é um problema transfronteiriço, e a solução brasileira foi percebida como um valioso precedente para a cooperação regional. A adoção de tais medidas por outros países poderia fortalecer a malha aérea regional, facilitar o intercâmbio turístico e comercial, e fomentar uma recuperação econômica mais robusta em todo o continente. O diálogo aberto e o compartilhamento de melhores práticas, exemplificados pela receptividade mexicana, reforçam o potencial para uma abordagem unificada na mitigação dos impactos econômicos e na promoção de um ambiente mais estável para o crescimento do turismo na América Latina, gerando benefícios mútuos e duradouros.
Conclusão
As ações apresentadas pelo Brasil na WTM Latin America 2026 representam um marco significativo na resposta regional aos desafios econômicos que afetam o setor de aviação e turismo. A eliminação temporária de tributos sobre o querosene de aviação não é apenas uma medida de alívio fiscal, mas um investimento estratégico na estabilidade e na competitividade da indústria aérea. Ao compartilhar essa iniciativa com seus vizinhos latinos, o Brasil não só demonstrou liderança e proatividade, mas também abriu caminho para um diálogo construtivo e para a potencial adoção de estratégias similares em toda a região. Este esforço coletivo é fundamental para assegurar a resiliência do turismo e da aviação, garantindo que o continente possa superar os obstáculos atuais e prosseguir em sua trajetória de desenvolvimento e integração econômica.
Perguntas frequentes (FAQ)
1. Qual foi a principal medida apresentada pelo Brasil para o setor de aviação?
A principal medida foi a eliminação temporária das alíquotas de PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre o querosene de aviação (QAV), com o objetivo de reduzir os custos operacionais das companhias aéreas.
2. Por que essa medida foi necessária?
A medida foi implementada em resposta à alta internacional dos preços dos combustíveis, causada pelo conflito no Oriente Médio, que impacta diretamente os custos da aviação e, consequentemente, o setor de turismo global.
3. Como outros países latino-americanos reagiram à proposta brasileira?
A proposta foi recebida com grande interesse, especialmente pelo representante do turismo mexicano, que solicitou uma cópia do decreto para avaliar a implementação de medidas similares em seu país, demonstrando o potencial de cooperação regional e a busca por soluções conjuntas.
4. Quais são os benefícios esperados com a desoneração do QAV?
Espera-se que a desoneração alivie a pressão sobre os custos das passagens aéreas, estimule o fluxo turístico, preserve a rentabilidade das companhias e contribua para a recuperação e estabilidade econômica do setor aéreo e do turismo em toda a América Latina.
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