A crescente popularidade das bolhas infláveis utilizadas para flutuar no mar tem gerado preocupação e alertas por parte das autoridades no Litoral Norte de São Paulo. Esses brinquedos, que prometem diversão, são, na verdade, proibidos em diversas praias da região devido aos sérios riscos que representam à segurança dos banhistas. Com a chegada do verão e o aumento do fluxo de turistas, o Corpo de Bombeiros Marítimo (GBMar) reforça a importância de conscientizar a população sobre os perigos associados ao uso desses equipamentos, que podem rapidamente transformar um momento de lazer em uma situação de emergência. Incidentes já foram registrados, evidenciando a urgência de seguir as orientações e evitar o uso de bolhas infláveis no mar, protegendo a vida de adultos e, principalmente, de crianças.
Riscos inerentes e alertas dos especialistas
O uso de bolhas infláveis e outros objetos flutuantes no mar, longe de ser uma brincadeira inofensiva, expõe os banhistas a uma série de perigos significativos. Especialistas em segurança aquática têm reiterado que a natureza imprevisível do ambiente marinho, combinada com a falta de controle sobre esses dispositivos, cria um cenário propício para acidentes graves. A aparente segurança oferecida pelas bolhas é uma ilusão que pode ter consequências devastadoras.
Perigos da deriva e colisão
O primeiro-tenente Guilherme Vegse, do Grupamento de Bombeiros Marítimos (GBMar), esclarece que as bolhas infláveis surgiram e passaram a ser exploradas comercialmente nas praias sem qualquer regulamentação ou garantia de segurança. Este é um ponto crucial, pois a ausência de normas significa que não há testes ou padrões que assegurem a integridade ou o comportamento desses brinquedos em condições reais de mar. O oficial destaca que, por serem utilizadas em um ambiente aberto, as bolhas ficam sujeitas à ação do vento, das ondas e da maré, fatores que podem levar o banhista a ser arrastado para longe da faixa de areia em questão de minutos.
“As bolhas infláveis surgiram como uma forma de diversão, mas isso não foi feito de maneira regulamentar, de modo a oferecer segurança. A praia é um ambiente aberto, sofre muita ação dos ventos, das ondas e da maré”, explicou o tenente. Em um momento de distração, as pessoas dentro dessas bolhas podem “navegar” para longe, em direção ao mar aberto. Essa deriva descontrolada não só afasta o indivíduo da segurança da costa, mas também aumenta o risco de colisões com outras pessoas, embarcações e até mesmo outros objetos flutuantes, podendo resultar em ferimentos graves ou no banhista se perder em alto-mar. Segundo Vegse, nessas situações, a vítima, presa dentro da bolha, se encontra em uma posição extremamente perigosa e pode necessitar de resgate por equipes de busca e salvamento.
Outros objetos flutuantes perigosos
O alerta dos bombeiros se estende para além das bolhas infláveis, abrangendo outros objetos flutuantes que, embora pareçam seguros, também representam riscos consideráveis. O tenente Vegse compara as bolhas a colchões infláveis, que também já foram uma febre nas praias e foram posteriormente proibidos devido aos perigos que apresentavam. A lógica é similar: esses objetos são facilmente levados pela correnteza e pelo vento, distanciando rapidamente os usuários da costa.
Mesmo dispositivos de segurança como coletes salva-vidas, que são projetados para manter a pessoa com a cabeça fora da água e presos ao corpo, podem, em determinadas situações, facilitar a ação da correnteza, especialmente com crianças. A principal preocupação recai sobre itens como bolas, boias de cintura, boias de personagens (como as de patinho) e pranchinhas de isopor (bodyboards). “Elas não são recomendadas. A criança não está bem presa, não está segura, ela vai navegar na correnteza, vai parar no lado mais fundo, vai se desesperar, vai querer abandonar aquele objeto para tentar voltar e aí começa o processo de afogamento”, reforça Vegse. É crucial observar que esses riscos não se limitam às crianças; adultos também podem ser vítimas da falsa sensação de segurança proporcionada por esses objetos, muitas vezes com consequências trágicas.
Regulamentação, fiscalização e incidentes registrados
A segurança nas praias é uma responsabilidade compartilhada que envolve os órgãos públicos, comerciantes e, fundamentalmente, os próprios banhistas. A regulamentação e a fiscalização do uso de objetos nas praias são atribuídas às prefeituras locais, que buscam garantir a ordem e a segurança para todos.
A proibição e as consequências legais
No Litoral Norte de São Paulo, diversas cidades já estabeleceram proibições e sanções para o uso e a comercialização de bolhas infláveis e outros brinquedos perigosos. A Prefeitura de Caraguatatuba, por exemplo, informou que a atividade de bolha inflável não é licenciada no município por questões sanitárias e de segurança. O descumprimento dessa proibição pode resultar em uma multa de R$ 3.614,40, além da apreensão do equipamento. Em São Sebastião, não há autorização para a locação de tais equipamentos, e qualquer flagrante nas praias leva à apreensão imediata. Ubatuba também considera a atividade irregular e realiza fiscalização ativa.
Ilhabela apresenta uma situação ligeiramente diferente: o uso de bolhas infláveis não é proibido em si, desde que o empresário responsável obtenha todas as autorizações necessárias dos órgãos municipais e da Marinha. Contudo, a prefeitura afirma que atualmente não há bolhas infláveis operando legalmente no arquipélago, sugerindo que, na prática, a atividade é inexistente ou não autorizada na ilha. Essas medidas demonstram um esforço conjunto dos municípios para mitigar os riscos e proteger os frequentadores de suas praias.
O caso da criança resgatada em Ubatuba
Os alertas sobre os perigos das bolhas infláveis ganharam um reforço significativo na região após um incidente alarmante ocorrido em dezembro de 2024. Uma criança de aproximadamente 8 anos foi resgatada à deriva dentro de uma bolha inflável no mar, na costa de Ubatuba, no Litoral Norte de São Paulo. O resgate foi efetuado por tripulantes de uma lancha que retornavam à praia, demonstrando a rapidez com que tais situações de emergência podem surgir.
Um marinheiro envolvido no salvamento relatou a apreensão ao perceber que o vento e a correnteza estavam afastando rapidamente o brinquedo da faixa de areia. A situação era de alto risco, e o desfecho poderia ter sido trágico. Este episódio serve como um lembrete vívido dos perigos que as bolhas infláveis representam, transformando a diversão em um potencial acidente grave e reforçando a necessidade de vigilância constante e obediência às proibições.
Orientações e recomendações cruciais
Diante dos riscos evidentes e dos incidentes registrados, a colaboração entre as autoridades e a população é fundamental para garantir a segurança nas praias. As orientações dos bombeiros e das prefeituras visam a um veraneio tranquilo e seguro para todos.
O tenente Vegse reforça a importância do cuidado dos pais e responsáveis, já que a maioria das vítimas em acidentes aquáticos são crianças. Ele também alerta para o problema do consumo de serviços oferecidos por comerciantes irregulares. “Não incentive o comércio irregular e não coloque a sua criança em um brinquedo ou dispositivo que não tem condições de segurança, que é proibido pelas prefeituras e não é recomendado pelo Corpo de Bombeiros”, orientou o oficial. A compra de produtos ou serviços de vendedores sem licença não só expõe o usuário a perigos, mas também contribui para a proliferação de atividades ilegais que não respeitam as normas de segurança.
O Grupamento de Bombeiros Marítimos (GBMar) destaca que brinquedos infláveis no mar podem transmitir uma falsa sensação de segurança, levando as pessoas a subestimar os perigos da correnteza, do vento e da profundidade. Recomenda-se que os banhistas sigam sempre as orientações dos guarda-vidas presentes nas praias e respeitem a sinalização local, que indica áreas perigosas, proibidas ou de alto risco. A prevenção é a ferramenta mais eficaz contra acidentes aquáticos, e a consciência sobre os riscos é o primeiro passo para um lazer seguro.
Perguntas frequentes
Por que as bolhas infláveis são perigosas no mar?
As bolhas infláveis são perigosas no mar porque são facilmente levadas pelo vento e pela correnteza, afastando rapidamente o banhista da costa. Isso aumenta o risco de ser arrastado para alto-mar, colidir com embarcações ou outros objetos, e ficar preso dentro da bolha em uma situação de emergência, dificultando o resgate.
Quais outras boias ou brinquedos infláveis devem ser evitados?
Além das bolhas infláveis, os bombeiros desaconselham o uso de colchões infláveis, bolas, boias de cintura, boias de personagens e pranchinhas de isopor (bodyboards) no mar. Esses objetos oferecem uma falsa sensação de segurança, não prendem o usuário adequadamente e podem facilitar a deriva, levando a situações de pânico e afogamento para crianças e adultos.
Onde o uso de bolhas infláveis é proibido no litoral de SP?
O uso e a comercialização de bolhas infláveis são proibidos em diversas cidades do Litoral Norte de São Paulo, incluindo Caraguatatuba, São Sebastião e Ubatuba, onde a atividade é considerada irregular e sujeita a fiscalização. Em Ilhabela, embora não haja proibição formal caso haja autorização municipal e da Marinha, a prefeitura informa que não há bolhas infláveis operando legalmente na cidade.
Qual a multa para quem usa bolhas infláveis ilegalmente?
Em Caraguatatuba, o descumprimento da proibição do uso de bolhas infláveis ou o exercício da atividade comercial sem alvará pode acarretar em multa de R$ 3.614,40, além da apreensão do equipamento. Outras cidades do litoral também preveem a apreensão do equipamento em caso de flagrante.
Para garantir um verão seguro e prazeroso, priorize a sua segurança e a de seus familiares. Consulte sempre os guarda-vidas e as sinalizações nas praias, evitando brinquedos e atividades desaconselhadas pelas autoridades.
Fonte: https://g1.globo.com


