Bobsled: Edson Bindilatti garante vaga para a sexta Olimpíada de Inverno

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Agência Brasil

O Brasil assegura, mais uma vez, sua presença nos Jogos Olímpicos de Inverno, e o protagonista é um nome já consagrado: Edson Bindilatti. O veterano baiano, aos 46 anos, carimbou sua participação em Milão e Cortina 2026, marcando aquela que será sua sexta aparição olímpica. A conquista veio com atuações de destaque na Copa América de bobsled, realizada no desafiador circuito de Lake Placid, nos Estados Unidos. Bindilatti liderou a equipe brasileira em performances consistentes, que garantiram pontos cruciais no ranking mundial da modalidade, reafirmando a dedicação e o pioneirismo do Brasil nos esportes de gelo. Este feito não apenas celebra a persistência de um atleta, mas também solidifica a presença brasileira em um cenário esportivo dominado por nações com mais tradição no inverno.

O legado de um veterano: Bindilatti e a sexta olimpíada

Edson Bindilatti é um nome que se confunde com a história do bobsled brasileiro. Sua recente qualificação para os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão e Cortina 2026, a sexta de sua carreira, é um testemunho de sua longevidade, resiliência e paixão pelo esporte. Este feito não apenas o coloca entre os atletas mais experientes do Brasil em edições olímpicas, mas também sublinha a evolução e o reconhecimento que o bobsled nacional tem conquistado no cenário internacional. A presença de Bindilatti nas pistas italianas será o culminar de uma jornada dedicada, que iniciou muito antes do Brasil ser considerado um player nos esportes de neve e gelo.

A impecável performance em Lake Placid

A vaga olímpica foi selada graças a um fim de semana de performances notáveis em Lake Placid, berço de duas edições dos Jogos Olímpicos de Inverno e um dos circuitos mais icônicos do mundo. No domingo, 11 de fevereiro, Bindilatti pilotou o trenó de quatro homens (“4-man”) à quarta posição na Copa América de bobsled. A equipe verde e amarela, composta por ele, pelos paulistas André Luiz da Silva e Edson Martins e pelo catarinense Tauler Zatti, ficou atrás apenas de potências da modalidade: Coreia do Sul (ouro), Estados Unidos (prata) e Canadá (bronze). Este resultado rendeu ao quarteto brasileiro a medalha de bronze no Campeonato Pan-Americano da modalidade, que considera apenas as equipes do continente, elevando o trenó brasileiro a uma posição de destaque regional.

Um dia antes, no sábado, 10 de fevereiro, Bindilatti e Tauler Zatti já haviam demonstrado sua sincronia e habilidade na prova de trenó para dois tripulantes (“2-man”). A dupla conquistou a prata na Copa América, sendo superada somente pela forte parceria da Jamaica, conhecida por sua história peculiar e carismática no bobsled. Esse resultado também garantiu o segundo lugar no Pan-Americano, consolidando a excelente fase da equipe brasileira em ambas as modalidades. A soma desses resultados em 4-man e 2-man foi crucial para a acumulação de pontos no ranking da Federação Internacional de Bobsled e Skeleton (IBSF), assegurando, pelo menos, uma vaga para o Brasil na elite dos Jogos de Inverno.

Rumo a Milão e Cortina: O sonho olímpico consolidado

A qualificação por ranking, que leva em conta os desempenhos combinados nas provas de 4-man e 2-man, representa um avanço significativo para o Brasil. Os Jogos de Inverno de Milão e Cortina, que acontecerão entre 6 e 22 de fevereiro de 2026, prometem ser um espetáculo de excelência esportiva. Para Bindilatti, esta edição terá um sabor especial, pois foi anunciado que serão seus últimos jogos como piloto da equipe brasileira. A expectativa agora se volta para o próximo dia 19 de janeiro, quando serão anunciados os demais integrantes da equipe olímpica, que se juntarão a Bindilatti nesta histórica despedida das pistas olímpicas. A composição final do time será determinante para as aspirações brasileiras de superar os melhores resultados já alcançados.

A trajetória de um pioneiro e os desafios do bobsled

A jornada de Edson Bindilatti no bobsled é uma narrativa de paixão e transição. Vindo do atletismo, onde competiu no decatlo, ele fez a transição para as vertiginosas pistas de gelo em 2000. Desde então, tem sido uma figura central no desenvolvimento do bobsled no Brasil, atuando não apenas como atleta, mas como um embaixador e líder. Sua estreia olímpica aconteceu em 2002, em Salt Lake City, Estados Unidos, e desde então ele tem sido uma presença constante nos jogos, testemunhando e contribuindo para o crescimento do esporte no país.

Do atletismo às pistas de gelo: A evolução de Bindilatti

A adaptação do atletismo para o bobsled não é incomum, dada a importância da força explosiva e da velocidade na fase inicial do empurre do trenó. Bindilatti, com sua experiência no decatlo, possuía as qualidades físicas ideais para a modalidade. No entanto, o bobsled exige muito mais: precisão na pilotagem, coragem para enfrentar curvas em alta velocidade e uma coordenação impecável com a equipe. Ao longo dos anos, Bindilatti não só dominou essas habilidades, como também elevou o patamar do bobsled brasileiro. Seu ponto alto até então foi o 13º lugar no Campeonato Mundial de 2025, realizado em Lake Placid, o melhor desempenho do país na história da modalidade. Este resultado demonstra a capacidade de uma equipe brasileira de competir de igual para igual com as nações mais tradicionais do esporte.

O legado de Bindilatti não se limita aos resultados. Ele é um mentor para os atletas mais jovens, transmitindo conhecimento e experiência sobre as complexidades do esporte e a cultura olímpica. Sua decisão de que Milão e Cortina serão seus últimos jogos como piloto marca o fim de uma era, mas abre caminho para a continuidade e a renovação.

O futuro do bobsled brasileiro: Novos talentos em ascensão

Enquanto Bindilatti se prepara para sua última dança olímpica como piloto, o bobsled brasileiro já olha para o futuro com a ascensão de novos talentos. Um nome promissor é o do paulista Gustavo Ferreira, de 24 anos, que lidera a equipe que busca classificar um segundo trenó para Milão e Cortina. No mesmo fim de semana em Lake Placid, a equipe de Gustavo, composta por Davidson de Souza, Luiz Henrique Bacca e Rafael de Souza, também paulistas, e pelo carioca Rafael de Souza, alcançou a sexta posição na Copa América de 4-man e o quarto lugar no Pan-Americano. Na prova de 2-man, Gustavo e Rafael terminaram em quarto lugar.

A busca por uma segunda vaga olímpica continua intensa. O trenó pilotado por Gustavo Ferreira terá uma nova oportunidade de somar pontos cruciais na etapa de Innsbruck, na Áustria, da Copa Europa, que ocorrerá entre 14 e 18 de fevereiro. A equipe liderada por Bindilatti também estará presente neste evento, o que sublinha a estratégia da Confederação Brasileira de Desportos no Gelo (CBDG) de maximizar as chances de qualificação e proporcionar experiência valiosa a todos os atletas. A presença de duas equipes brasileiras nas pistas de gelo mais competitivas do mundo é um indicativo claro do compromisso do país com o desenvolvimento da modalidade e a formação de futuras gerações de bobsledders.

Conclusão

A conquista de Edson Bindilatti, garantindo sua sexta participação olímpica, é um marco para o esporte brasileiro de inverno. Representa não apenas a excelência individual de um atleta, mas o esforço coletivo e a persistência de uma nação que, apesar de não ter tradição em esportes de neve e gelo, tem conseguido se firmar no cenário internacional. A presença do Brasil em Milão e Cortina 2026, com Bindilatti liderando a equipe em sua despedida, será um momento de celebração e inspiração. Ao mesmo tempo, a ascensão de atletas como Gustavo Ferreira e a busca por uma segunda vaga olímpica indicam um futuro promissor para o bobsled brasileiro, garantindo que o legado de pioneirismo e superação continue a ser escrito nas pistas de gelo ao redor do mundo. A expectativa para os Jogos é alta, e o Brasil se prepara para mais um capítulo de sua história olímpica de inverno.

FAQ

O que é bobsled?
Bobsled é um esporte de inverno onde equipes de dois ou quatro atletas descem uma pista de gelo sinuosa em um trenó aerodinâmico, visando completar o percurso no menor tempo possível. A largada é crucial, com os atletas empurrando o trenó e saltando para dentro dele em movimento.

Como um país se classifica para o bobsled nas Olimpíadas?
A classificação olímpica no bobsled é baseada em um sistema de pontos acumulados em competições internacionais ao longo da temporada, como Copas do Mundo e Copas Continentais. Os pontos são somados em um ranking da Federação Internacional de Bobsled e Skeleton (IBSF), e as nações com os melhores ranqueamentos garantem as vagas.

Qual a diferença entre o bobsled de 2-man e 4-man?
A principal diferença está no número de tripulantes e, consequentemente, no tamanho e peso do trenó. O bobsled de 2-man (dois homens) exige um piloto e um freio. Já o de 4-man (quatro homens) tem um piloto, dois empurradores/empurradores laterais e um freio. A dinâmica e a estratégia de pilotagem e empurre variam entre as duas modalidades.

Qual o significado da sexta aparição olímpica de Edson Bindilatti?
A sexta aparição olímpica de Edson Bindilatti demonstra uma longevidade e dedicação extraordinárias no esporte. Ele se torna um dos atletas brasileiros com mais participações em Jogos Olímpicos de Inverno, solidificando seu status de lenda e pioneiro do bobsled no Brasil. É um testemunho de sua persistência, habilidade e liderança, inspirando novas gerações de atletas.

Gostaria de acompanhar de perto a jornada do bobsled brasileiro e de outros esportes de inverno? Fique ligado em nossas próximas atualizações e prepare-se para torcer por nossos atletas em Milão e Cortina 2026!

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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