A tranquilidade das areias de Copacabana, um dos destinos mais cobiçados para as festividades de fim de ano, foi palco de uma operação de grande envergadura nos dias que antecederam o Réveillon, revelando uma prática ilegal persistente. Em uma ação focada na desobstrução e segurança do espaço público, centenas de garrafas e engradados foram apreendidos, muitos deles habilmente escondidos sob a areia. Entre os itens, destacam-se 35 garrafas de bebidas destiladas, encontradas em recipientes plásticos, prontas para serem comercializadas clandestinamente durante a grande virada do ano. A Operação Tatuí, coordenada por órgãos municipais, visava não apenas a remoção desses materiais ilícitos, mas também a garantia de uma orla organizada e segura para os milhões de frequentadores esperados para as celebrações icônicas.
A Operação Tatuí e a descoberta de itens ocultos
Nos dias que precederam o Réveillon, uma força-tarefa da prefeitura do Rio de Janeiro intensificou suas ações nas areias da praia de Copacabana, culminando na descoberta de um vasto arsenal de produtos enterrados. Em apenas dois dias de trabalho, centenas de garrafas e engradados foram desenterrados, concentrando-se principalmente na altura da rua Rodolfo Dantas, um dos pontos de maior aglomeração e palco principal das celebrações da virada. A iniciativa, batizada de Operação Tatuí – em alusão ao crustáceo conhecido por se esconder na areia –, tinha como objetivo principal identificar e remover materiais e produtos que haviam sido ocultados ou deixados de forma irregular na faixa de areia. Além da repressão a atividades ilícitas, a operação visava preparar a orla para o fluxo massivo de pessoas esperado para o Réveillon.
A fiscalização revelou uma gama variada de itens, mas o achado mais notável foram as 35 garrafas de vidro de bebidas destiladas. Estas estavam cuidadosamente acondicionadas em recipientes plásticos com tampa, uma tática para protegê-las da areia e da umidade, evidenciando uma preparação para venda em larga escala. Além das bebidas alcoólicas, a operação também localizou e apreendeu engradados de água e de guaraná natural, todos igualmente enterrados. A presença desses produtos, especialmente as bebidas, sugere uma tentativa de contornar as regulamentações de comércio e consumo na orla, aproveitando o grande volume de pessoas para lucros indevidos. A ação preventiva foi crucial para desarticular essa logística clandestina e garantir um ambiente mais seguro e em conformidade com as normas para os visitantes.
O modus operandi da clandestinidade
A estratégia de enterrar os produtos, como garrafas de bebidas destiladas e refrigerantes, não é aleatória. Ela representa um método de ocultação que visa facilitar a venda ilegal durante o Réveillon, um período de alta demanda e de fiscalização intensa. O secretário municipal de Ordem Pública, Marcus Belchior, reiterou a importância dessas intervenções, destacando que as operações nas areias das praias são realizadas, muitas vezes, durante a madrugada. “Realizamos essas ações na areia das praias, especialmente durante a madrugada, justamente para que se possa desobstruir o espaço público e não permitir que as pessoas utilizem a praia como depósito. Parte desses produtos certamente seria vendida durante o Réveillon”, afirmou o secretário.
Essa declaração sublinha a dimensão do problema: a orla, um patrimônio público, estava sendo utilizada como um depósito clandestino para o comércio irregular. A prática de enterrar as mercadorias permite que os vendedores evitem as rondas da fiscalização antes do evento e, no momento oportuno, desenterrem os itens para venda imediata, muitas vezes a preços exorbitantes e sem as devidas licenças. O risco associado a essas vendas clandestinas inclui a procedência duvidosa dos produtos, a ausência de controle de qualidade e a evasão fiscal. A Operação Tatuí não apenas removeu os itens, mas também enviou uma mensagem clara de que a prefeitura não tolerará o uso indevido e desorganizado do espaço público, especialmente em ocasiões de grande magnitude como a virada do ano.
Medidas de ordenamento urbano e o Réveillon
As operações de ordenamento urbano na praia de Copacabana vão além da descoberta e apreensão de produtos enterrados. Elas se inserem em um contexto mais amplo de esforços para garantir um ambiente organizado e seguro para os milhões de cariocas e turistas que celebram o Réveillon na cidade. A fiscalização conta com a colaboração de agentes da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) e da Guarda Municipal, trabalhando em conjunto para assegurar não apenas a ordem, mas também a limpeza da orla.
Além da questão do comércio ilegal, as ações também focam na remoção de acampamentos irregulares. É comum que, nos dias que antecedem o Réveillon, muitas pessoas armem grandes barracas na faixa de areia, com o intuito de “reservar” espaço para a última noite do ano. Essa prática, além de desorganizar o espaço, impede o acesso democrático à praia e pode gerar conflitos. A retirada desses acampamentos é essencial para manter a fluidez e a acessibilidade da orla para todos, garantindo que o espaço público seja usufruído de maneira equitativa e segura. As operações noturnas e de madrugada são estratégicas para coibir essas instalações antes que se consolidem e gerem maiores transtornos.
O papel das novas regulamentações
A base para muitas dessas ações de ordenamento é um decreto municipal, publicado em maio do ano corrente, que impôs novas e rigorosas regras para a organização da orla carioca. Este decreto visa promover um uso mais democrático, seguro e organizado do espaço público. Entre as proibições específicas, destacam-se itens como garrafas de vidro e os chamados “cercadinhos”, que eram estruturas usadas para delimitar espaços na areia, frequentemente em detrimento de outros frequentadores.
Além das proibições, a nova regulamentação também padronizou barracas, exigindo que possuam nomes ou números para facilitar a fiscalização e a identificação. A música na orla também foi regulamentada, com volumes e horários específicos, visando mitigar a poluição sonora e garantir o sossego. O objetivo principal dessas medidas é coibir uma série de irregularidades que historicamente comprometiam a experiência dos frequentadores da praia. Ao estabelecer diretrizes claras e fiscalizá-las rigorosamente, a prefeitura busca assegurar que a praia de Copacabana, e a orla carioca como um todo, permaneça um espaço de lazer e celebração acessível e agradável para todos, especialmente durante eventos de grande porte como o Réveillon. Essas regulamentações são um pilar fundamental na estratégia de gestão urbana para os grandes eventos da cidade.
O impacto na segurança e organização da orla
A Operação Tatuí e as demais ações de ordenamento urbano em Copacabana são cruciais para a segurança e o sucesso das celebrações de Réveillon. A apreensão de bebidas destiladas enterradas, a remoção de acampamentos irregulares e a aplicação das novas regras do decreto municipal contribuem significativamente para a manutenção da ordem pública e a garantia de um ambiente festivo seguro e agradável para milhões de pessoas. Essas iniciativas demonstram o compromisso da cidade em proteger seus espaços públicos contra o uso indevido e o comércio ilegal, assegurando que a experiência na orla seja positiva para todos. A colaboração entre diferentes órgãos e a aplicação de regulamentações claras são essenciais para preservar o status de Copacabana como um ícone mundial de celebração e lazer.
FAQ
O que foi a Operação Tatuí?
A Operação Tatuí foi uma força-tarefa coordenada por órgãos municipais do Rio de Janeiro, com o objetivo de encontrar e apreender materiais e produtos enterrados ou deixados irregularmente nas areias da praia de Copacabana, visando limpar e organizar a orla para o Réveillon.
Quais itens foram encontrados e apreendidos?
Foram apreendidas centenas de garrafas e engradados, incluindo 35 garrafas de vidro de bebidas destiladas, além de engradados de água e guaraná natural, todos encontrados enterrados na areia em recipientes plásticos.
Qual o objetivo das novas regras para a orla de Copacabana?
As novas regras, impostas por um decreto municipal, visam organizar a orla carioca, proibindo itens como garrafas de vidro e “cercadinhos”, regulamentando música e padronizando barracas, com o intuito de coibir irregularidades e promover um uso mais democrático e seguro do espaço público.
Para mais informações sobre as regulamentações e a segurança em eventos de grande porte na cidade, acesse os canais oficiais da prefeitura do Rio de Janeiro.


