Banco master sofre liquidação e dono é preso: entenda a crise

4 Tempo de Leitura
G1

A crise que culminou na liquidação extrajudicial do Banco Master e na prisão de seu proprietário, Daniel Vorcaro, deflagrou-se nesta terça-feira, após um dia de reviravoltas no sistema financeiro. O Banco Central (BC) decretou a liquidação após a instituição ter anunciado uma tentativa de compra pela Fictor Holding Financeira. A EFB Regimes Especiais de Empresas foi nomeada pelo BC para conduzir a administração especial, suspendendo qualquer negociação de compra.

A liquidação extrajudicial ocorre quando o BC encerra as atividades de um banco sem condições de operar, com um liquidante assumindo o controle para fechar operações, vender bens e pagar credores, extinguindo a instituição.

Vorcaro foi preso pela Polícia Federal (PF) no aeroporto de Guarulhos na noite de segunda-feira, sob suspeita de tentar fugir para Malta em um avião particular. A defesa nega a acusação, alegando que o destino final era Dubai, para encontrar investidores.

A crise do Banco Master teve origem em uma estratégia de captação de recursos considerada arriscada, oferecendo Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com taxas acima do mercado, atraindo investidores com a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que protege até R$ 250 mil por investidor em caso de falência.

Essa estratégia levou o banco a acumular um passivo bilionário, sustentado por ativos de baixa liquidez, como precatórios e participações em empresas em dificuldades.

Para tentar solucionar a crise, Vorcaro buscou um comprador, chegando o Banco de Brasília (BRB) a anunciar a aquisição, vetada pelo Banco Central em setembro. A Fictor Holding Financeira anunciou a compra, com um aporte de R$ 3 bilhões, horas antes da prisão de Vorcaro.

Durante a operação da PF, R$ 1,6 milhão foram encontrados na casa de Augusto Ferreira Lima, diretor do Banco Master, que também teve a prisão decretada, juntamente com outros três diretores.

Com a liquidação extrajudicial, os correntistas com recursos em conta corrente, poupança ou pagamentos pendentes têm saldos protegidos pelo FGC até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição. Investidores com CDBs e Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e do Agronegócio (LCAs) também são protegidos pelo FGC.

A investigação da PF revelou que o Banco Master emitiu R$ 50 bilhões em CDBs prometendo juros acima do mercado sem comprovar liquidez, aplicando parte dos recursos em ativos inexistentes.

A investigação também atingiu o Banco de Brasília (BRB), com indícios de gestão fraudulenta, tendo o BRB injetado R$ 16,7 bilhões no Master entre 2024 e 2025, com pelo menos R$ 12,2 bilhões envolvendo operações com fortes indícios de fraude.

O presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi afastado do cargo por decisão judicial.

O Rioprevidência, fundo de pensão de servidores do Rio de Janeiro, investiu bilhões de reais em fundos do grupo liderado pelo Banco Master, com cerca de 25% dos recursos aplicados expostos a operações do banco.

Fonte: g1.globo.com

Compartilhe está notícia