O Bloco Bafo da Onça, uma das mais tradicionais agremiações do carnaval de rua carioca, marcou a segunda-feira de Carnaval de 2026 com uma celebração histórica em seu 70º aniversário. O desfile, que neste ano ocorreu pela primeira vez nas ladeiras boêmias de Santa Teresa, no Centro do Rio de Janeiro, representou um novo capítulo para o bloco fundado em 1956. Além da mudança de rota, a celebração foi embalada por uma bateria inédita composta por mais de 100 ritmistas, demonstrando a vitalidade e a capacidade de renovação do Bafo da Onça. Outro ponto alto foi a aguardada parceria com o lendário Cacique de Ramos, um encontro de titãs que, apesar de no passado ter sido visto como rivalidade, hoje simboliza uma união fraterna em prol do fortalecimento do carnaval de rua e da cultura popular carioca. A atmosfera era de festa, memória e um profundo sentimento de pertencimento.
Setenta anos de história e uma nova rota em Santa Teresa
A celebração do Bafo da Onça no coração do Rio
Fundado em 1956 em um botequim no bairro do Catumbi por Sebastião Maria, conhecido carinhosamente como Tião Maria, o Bafo da Onça se solidificou ao longo de sete décadas como um dos pilares do carnaval de rua do Rio de Janeiro. A agremiação é a segunda mais antiga em atividade na cidade, perdendo apenas para o icônico Cordão da Bola Preta, e tornou-se um símbolo vibrante da cultura popular carioca. A celebração de seu 70º aniversário, neste Carnaval de 2026, foi marcada por um desfile especial que, pela primeira vez em sua longa trajetória, tomou as charmosas ladeiras de Santa Teresa, no coração do Centro do Rio.
Para os integrantes, essa mudança de trajeto é mais do que uma simples alteração geográfica; é percebida como um significativo retorno às origens e um abraço à identidade do bloco. “É o quarto ano consecutivo que venho como oncinha do Bafo da Onça. É uma alegria muito grande. Todos os outros anos foram na Avenida Chile. A primeira vez em Santa Teresa traz muita alegria e muita coisa boa”, afirmou Rafa Manso, integrante do bloco, ressaltando a emoção da estreia na nova localidade. Ela também explicou o simbolismo da figura da “oncinha” como uma representação da força e da essência selvagem do bloco.
O presidente Roberto Saldanha, conhecido como Capilé, que lidera o Bafo da Onça há mais de 50 anos, expressou a profunda conexão pessoal com o novo cenário. “Isso aqui para mim é um sonho. Eu estou no meu quintal. Eu estou em casa. Aqui a gente conhece todo mundo. Não tem nada de confusão, problema, aqui a gente só quer brincar”, declarou Saldanha, transmitindo a sensação de familiaridade e acolhimento que Santa Teresa proporcionou. O cortejo, cheio de energia e alegria, contou com a presença de figuras emblemáticas como Chelen Verlink, a Rainha do Bafo da Onça, que acompanha o bloco desde a adolescência. “Comecei como princesa, com 13 anos. Hoje estou com 27 e no posto de Rainha. A gente vai crescendo junto com o bloco”, explicou Chelen, destacando a relação familiar e contínua com a agremiação.
Renascimento e inovação: a nova bateria e desafios superados
A reconstrução após o incêndio e o futuro do bloco
A celebração dos 70 anos do Bafo da Onça também serviu para relembrar a notável capacidade de superação da agremiação diante das adversidades. O desfile foi um marco de reconstrução após um evento traumático: o incêndio que, em 2020, atingiu a sede histórica do bloco, destruindo uma parte significativa de seu acervo, incluindo instrumentos e fantasias que guardavam memórias de décadas de história. O ocorrido representou um golpe duro para a comunidade do Bafo da Onça, mas também impulsionou um processo de renovação e resiliência.
Como parte desse processo de renascimento, o bloco estreou neste carnaval uma nova bateria, que ecoou pelas ladeiras de Santa Teresa com uma força renovada. Os instrumentos que compõem essa bateria foram adquiridos por meio de uma emenda parlamentar, um apoio crucial que permitiu ao Bafo da Onça reequipar-se e voltar a brilhar com sua sonoridade característica. A bateria, composta por mais de 100 ritmistas, não apenas encheu de ritmo e alegria o percurso, mas também simbolizou a capacidade do bloco de se reerguer e de investir em seu futuro, mantendo viva a chama do samba e da folia. Essa nova formação, robusta e cheia de energia, é um testemunho da paixão e dedicação de seus membros e da comunidade que apoia o Bafo da Onça, garantindo que sua música continue a embalar os carnavais por muitos anos.
Uma aliança histórica: Bafo da Onça e Cacique de Ramos
De supostos rivais a irmãos de carnaval
Um dos pontos altos e mais comentados do desfile de 70 anos do Bafo da Onça foi a inusitada e poderosa parceria estabelecida com o lendário Cacique de Ramos. Tradicionalmente vistos como forças distintas do carnaval carioca, a aproximação entre os dois blocos começou em 2025, quando a renomada roda de samba do Cacique se apresentou pela primeira vez na quadra do Bafo da Onça, durante o evento “Mergulho da Onça”. Essa interação inicial pavimentou o caminho para a colaboração histórica que se concretizou neste carnaval.
Para Roberto Saldanha, o Capilé, essa união transcende qualquer antiga percepção de rivalidade. “Na realidade, nós nunca fomos rivais. Nós somos irmãos. Eles trazem uma ala para desfilar com a gente. Carnaval é festa”, reforçou o presidente do Bafo da Onça, sublinhando a essência de irmandade e celebração que permeia o encontro. A presença de uma ala do Cacique de Ramos no desfile do Bafo da Onça foi um momento de grande simbolismo, demonstrando a força que a união entre as tradições pode gerar.
Entre os foliões, a novidade foi amplamente celebrada e recebida com entusiasmo. Luana Brito, de 31 anos, que viajou de Bangu, na Zona Oeste, para acompanhar o desfile, expressou sua satisfação. “Eu já tinha planejado vir. No sábado, fui para outros blocos, mas hoje quis vir para o Bafo da Onça, que eu sei que é um bloco muito bom. Essa parceria é perfeita. A expectativa é que seja perfeito”, disse Luana, refletindo o sentimento geral de otimismo e alegria. Para os integrantes do Bafo da Onça, essa colaboração é um passo fundamental para o futuro do carnaval de rua. “Vai atrair mais público. É bom que outros blocos também se unifiquem para valorizar os blocos tradicionais”, avaliou Rafa Manso, destacando a importância de fortalecer as raízes culturais e atrair novas gerações para a folia. A união entre Bafo da Onça e Cacique de Ramos não apenas enriqueceu o desfile, mas também reforçou a mensagem de que, no carnaval, a camaradagem e o espírito festivo superam quaisquer barreiras.
Legado e futuro: o Bafo da Onça como ícone do carnaval carioca
O desfile de 70 anos do Bafo da Onça, com sua estreia em Santa Teresa e as marcantes inovações, reafirmou a inestimável vocação do bloco em ocupar o espaço público como um vibrante território de encontro, memória e celebração. Mais do que um simples evento carnavalesco, a agremiação demonstrou sua resiliência e capacidade de se reinventar, mantendo-se firme no circuito oficial do carnaval de rua carioca. A superação do incêndio que destruiu parte de sua sede, a formação de uma nova e robusta bateria e a histórica parceria com o Cacique de Ramos são testemunhos de um bloco que não apenas celebra o passado, mas projeta-se com vitalidade para o futuro. O Bafo da Onça continua a ser um elo fundamental na cadeia da cultura popular, um ponto de convergência para diferentes gerações e um símbolo perene da alegria contagiante do carnaval do Rio de Janeiro, garantindo que sua onça continue a rugir pelas ladeiras e ruas da cidade por muitas décadas.
FAQ
1. Qual evento o Bloco Bafo da Onça celebrou neste Carnaval?
O Bloco Bafo da Onça celebrou seu 70º aniversário de fundação, marcando sete décadas de história no carnaval de rua do Rio de Janeiro.
2. Onde o Bafo da Onça desfilou pela primeira vez neste carnaval de 70 anos?
Neste Carnaval de 70 anos, o Bafo da Onça desfilou pela primeira vez nas ladeiras de Santa Teresa, no Centro do Rio de Janeiro.
3. Qual foi a parceria inédita do Bafo da Onça neste desfile de aniversário?
O Bafo da Onça realizou uma parceria inédita e histórica com o tradicional Bloco Cacique de Ramos, que teve uma ala desfilando junto com a agremiação.
4. Como o Bafo da Onça se recuperou após o incêndio de 2020?
Após o incêndio que destruiu sua sede em 2020, o Bafo da Onça se reergueu e estreou uma nova bateria, cujos instrumentos foram adquiridos por meio de uma emenda parlamentar.
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