Aumento alarmante de assassinatos e trabalho escravo no campo brasileiro, aponta relatório da CPT

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© Bruno Mancinelle | Casa de Governo

Um cenário preocupante se desenha no campo brasileiro, com um aumento expressivo nos casos de assassinatos e trabalho análogo à escravidão, conforme revela a 40ª edição do relatório “Conflitos no Campo Brasil”, divulgado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT). Embora o número total de conflitos tenha apresentado uma queda, a gravidade de alguns episódios, como homicídios e exploração de trabalhadores, salta aos olhos.

Assassinatos Dobram em Meio a Conflitos Fundiários

Apesar de uma redução de 28% no número geral de ocorrências de conflitos no campo entre 2024 e 2025, os assassinatos de trabalhadores rurais e de povos tradicionais (da terra, das águas e das florestas) dobraram no mesmo período, passando de 13 para 26 vítimas. A região da Amazônia Legal concentra a maioria desses crimes, com 16 casos, distribuídos principalmente entre Pará, Rondônia e Amazonas.

Expansão Colonial e Consórcio do Crime

Larissa Rodrigues, integrante da Articulação das CPTs da Amazônia, aponta que esses números refletem um projeto histórico de expansão capitalista e colonial na Amazônia, que transforma territórios e populações em alvos de expropriação e extermínio. Ela também destaca o fortalecimento de um “consórcio” entre grilagem, crime organizado, setores estatais e privados, que atuam em conjunto para invadir terras públicas e áreas protegidas.

Os fazendeiros figuram como os principais responsáveis pelos assassinatos, respondendo por 20 dos 26 casos, seja como mandantes ou executores. Outros registros de violência que apresentaram crescimento significativo incluem prisões, humilhações e casos de cárcere privado, evidenciando a escalada de abusos no campo.

Violência Multifacetada no Campo

Ao analisar a totalidade dos conflitos, a violência relacionada à terra lidera com 75% dos casos, seguida por conflitos trabalhistas (10%), disputas pela água (9%) e questões de acampamentos e ocupações (6%). As principais formas de violência na terra incluem contaminação por agrotóxicos, invasões e pistolagem. Povos indígenas, posseiros, quilombolas e sem-terra são as populações mais vulneráveis.

Principais Causadores e Vítimas em Disputas por Terra e Água

Em disputas por terra, fazendeiros são os principais causadores de violência, seguidos por empresários, governo federal e governos estaduais. Já nos conflitos pela água, as principais causas envolvem a resistência contra destruição ou poluição, o descumprimento de procedimentos legais e a diminuição do acesso à água. Mineradoras, empresários e garimpeiros lideram entre os agentes causadores de violência hídrica, com povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos sendo as principais vítimas.

Trabalho Escravo: Um Aumento Preocupante

O relatório da CPT também aponta um aumento de 5% nos casos de trabalho análogo à escravidão, com um total de 159 ocorrências em 2025. Consequentemente, o número de trabalhadores resgatados nessa condição cresceu 23%, totalizando 1.991 pessoas. A construção de uma usina em Porto Alegre do Norte (MT) foi um dos casos mais graves, com o resgate de 586 trabalhadores aliciados de outras regiões, submetidos a condições precárias de moradia, alimentação e acesso à água.

Atividades Econômicas com Mais Casos de Exploração

As atividades econômicas com maior incidência de trabalhadores resgatados em condição análoga à escravidão são: construção de usinas, lavouras, cana-de-açúcar, mineração e pecuária. Esses setores, historicamente, concentram os maiores registros de exploração, com destaque recorrente para lavouras e pecuária.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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