Asilos clandestinos em ribeirão preto funcionavam como ‘depósitos de idosos’

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G1

Três casas de repouso clandestinas em Ribeirão Preto, São Paulo, foram desmanteladas, revelando condições precárias e falta de segurança para os quase 50 idosos que ali residiam. Os imóveis, localizados nos bairros Marincek, Alto da Boa Vista e Centro, eram administrados por Eva Maria de Lima, de 40 anos, que, segundo investigações, ignorou as liminares judiciais que ordenavam o fechamento das instituições.

O caso veio à tona após denúncias de vizinhos e uma investigação conjunta do Ministério Público, Vigilância Sanitária, secretarias de Assistência Social e Saúde, e Polícia Civil. A suspeita é que os idosos sofriam maus-tratos, vivendo em ambientes insalubres e sem alimentação adequada.

De acordo com o promotor de Justiça da Pessoa Idosa, Carlos Cezar Barbosa, as casas funcionavam como “depósitos de idosos”. Ele aponta a exploração financeira como um dos principais problemas, com a proprietária se apropriando das pensões e benefícios dos internos, que chegavam a pagar mensalidades de até R$ 2,5 mil. Em alguns casos, as famílias complementavam o valor do Benefício de Prestação Continuada para garantir a permanência dos idosos.

A defesa de Eva Maria de Lima nega as acusações, alegando que sempre houve zelo, respeito e dedicação no cuidado com os idosos, muitos deles de baixa renda e abandonados pelas famílias.

A investigação aponta para possíveis crimes de exposição de idosos a perigo, submetendo-os a condições desumanas ou degradantes, e privando-os de alimentos e cuidados indispensáveis, previstos no Estatuto do Idoso. Vídeos obtidos durante a investigação mostram idosos deitados no chão e sem roupas, evidenciando a gravidade da situação.

O promotor Barbosa enfatiza a importância da participação familiar no acompanhamento dos idosos em lares de longa permanência, com visitas regulares e atenção à qualidade do tratamento oferecido. Ele destaca que a observação atenta de mudanças no comportamento e nas condições físicas dos idosos pode ser crucial para identificar e denunciar casos de maus-tratos.

Entre os pontos a serem observados, segundo o promotor, estão a higiene do quarto, o tratamento dispensado pelos funcionários e a presença de escaras ou feridas em idosos acamados. As visitas aos asilos administrados por Eva eram restritas, exigindo aviso prévio, e os funcionários eram contratados por diária e monitorados por câmeras, com restrição ao uso de celulares.

Fonte: g1.globo.com

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