Anistia Internacional Denuncia Ataques ao Multilateralismo por EUA, Israel e Rússia

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© REUTERS/Gideon Markowicz/Proibida reprodução

A Anistia Internacional, em seu relatório anual “A Situação dos Direitos Humanos no Mundo”, aponta um cenário preocupante onde Estados Unidos, Israel e Rússia são acusados de minar ativamente os pilares do multilateralismo e do direito internacional. O documento, que avalia a situação em 144 países, destaca a ação predatória desses países contra os princípios que regem a cooperação global e a proteção dos direitos humanos.

Crise no Sistema Multilateral

A secretária-geral da Anistia Internacional, Agnès Callamard, expressou preocupação com o que chamou de “predadores políticos e econômicos”. Segundo ela, esses atores, juntamente com seus facilitadores, estariam promovendo o colapso do sistema multilateral. Callamard esclarece que essa ameaça não decorre da ineficácia do sistema em si, mas sim de sua resistência em servir a interesses hegemônicos e de controle, o que exige um enfrentamento mais assertivo de suas falhas e uma aplicação mais justa e universal de suas normas.

Ações de Israel e Estados Unidos sob Escrutínio

Israel: Acusações de Genocídio e Expansão de Assentamentos

O relatório detalha que Israel tem continuado com ações que a Anistia Internacional classifica como genocídio contra a população palestina em Gaza, mesmo após um cessar-fogo acordado. A organização reitera a existência de um sistema de apartheid contra os palestinos e denuncia a aceleração da expansão de assentamentos ilegais na Cisjordânia ocupada, visando a anexação. Há também relatos de incentivo e impunidade para colonos que atacam palestinos, com autoridades israelenses sendo acusadas de glorificar a violência e promover detenções arbitrárias e tortura.

Estados Unidos: Execuções Extrajudiciais e Agressão

Quanto aos Estados Unidos, a Anistia Internacional aponta a realização de mais de 150 execuções extrajudiciais, incluindo bombardeios em embarcações no Caribe e no Pacífico. O relatório também menciona um ato de agressão contra a Venezuela, com o sequestro do presidente Nicolás Maduro. O uso ilegítimo da força contra o Irã, em conjunto com Israel, violando a Carta da ONU, é citado como catalisador de ataques iranianos e intensificação de conflitos regionais. A organização alerta para os riscos de danos ambientais e à população civil decorrentes desses conflitos, afetando acesso à energia, saúde, alimentação e água.

O Papel da Europa e a Situação na Rússia

Rússia: Ataques a Infraestruturas Civis

Na Europa, a Rússia é acusada de intensificar ataques aéreos contra infraestruturas civis essenciais na Ucrânia. Paralelamente, a União Europeia e a maioria dos países europeus são criticados por uma postura conciliatória frente às ações dos Estados Unidos contra o direito internacional e os mecanismos multilaterais. A Anistia Internacional ressalta a falta de ação determinante para frear o genocídio em Gaza e impedir a transferência irresponsável de armas e tecnologia que alimentam crimes internacionais.

Violência Policial Persiste no Brasil

No contexto brasileiro, o relatório destaca a persistência da violência policial como um dos principais problemas. É mencionada uma operação antidrogas no Rio de Janeiro em outubro de 2025, que resultou na morte de mais de 120 pessoas, com predominância de negros e em situação de vulnerabilidade social, e múltiplos relatos de execuções extrajudiciais. A Anistia Internacional descreve esse episódio como parte de um padrão histórico de letalidade policial que afeta desproporcionalmente comunidades negras e periféricas, onde a população negra é a principal vítima do uso letal da força pelo Estado.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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