Recentemente, um estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que a diferença salarial entre homens e mulheres é significativamente menor em entidades sem fins lucrativos em comparação a empresas e ao setor público. Essa descoberta, apresentada em um levantamento divulgado em 25 de outubro, oferece uma nova perspectiva sobre a equidade salarial no Brasil.
Contexto da Pesquisa
O estudo analisou dados de 10,6 milhões de empresas e organizações no Brasil em 2024, onde o salário médio mensal registrado foi de R$ 3.900. Quando segmentados por gênero, os homens recebiam, em média, R$ 4.200, enquanto as mulheres recebiam R$ 3.900, resultando em uma disparidade de 16,6%.
Disparidade Salarial por Setor
A análise mais detalhada do Cadastro Central de Empresas (Cempre) revelou que, nas entidades sem fins lucrativos, as mulheres ganham 95,3% do salário dos homens, com vencimentos médios de R$ 3.589,82 para mulheres e R$ 3.768,81 para homens. Em contraste, nas empresas, essa diferença se acentua, com as mulheres recebendo apenas 78,1% do que os homens ganham, e na administração pública, a disparidade é de 82%.
Salários por Setor
Os dados salariais, conforme o setor, são os seguintes: – **Entidades Sem Fins Lucrativos:** – Mulheres: R$ 3.589,82 – Homens: R$ 3.768,81 – **Empresas:** – Mulheres: R$ 2.996,79 – Homens: R$ 3.838,67 – **Administração Pública:** – Mulheres: R$ 4.967,51 – Homens: R$ 6.058,19
Fatores Contribuintes para a Equidade Salarial
A pesquisadora Caroline Santos, do IBGE, sugere que a menor disparidade nas entidades sem fins lucrativos pode estar relacionada à natureza dessas organizações, frequentemente voltadas para assistência social, onde pode haver uma maior preocupação em promover a igualdade salarial. Além disso, a predominância de mulheres em funções sociais e de saúde pode contribuir para a redução da diferença salarial.
Implicações da Lei de Igualdade Salarial
Em julho de 2023, foi sancionada a Lei 14.611, que visa garantir igualdade salarial entre homens e mulheres que desempenham a mesma função. No entanto, a persistente diferença salarial pode ser atribuída a fatores como a sub-representação feminina em cargos de liderança e interrupções na carreira devido à maternidade.
Conclusão
O estudo do IBGE destaca a importância de compreender as nuances da disparidade salarial entre gêneros em diferentes setores. Embora a situação seja mais favorável em entidades sem fins lucrativos, ainda há muito a ser feito para alcançar a equidade total em todos os setores da economia. A análise contínua e a implementação eficaz de políticas de igualdade salarial são fundamentais para promover um ambiente de trabalho justo e igualitário.


