Alckmin: redução tarifária dos eua é positiva, mas distorções persistem

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© Valter Campanato/Agência Brasil

A recente decisão dos Estados Unidos de diminuir as tarifas de importação sobre aproximadamente 200 produtos alimentícios foi recebida com otimismo, sendo considerada um passo positivo na direção correta. No entanto, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, alertou que a persistência de uma sobretaxa de 40%, aplicada exclusivamente ao Brasil, ainda gera distorções significativas e representa um obstáculo considerável para as exportações brasileiras.

“Há uma distorção que precisa ser corrigida”, enfatizou Alckmin. “Todos tiveram 10 pontos percentuais a menos, mas no caso do Brasil, que tinha 50%, ficou com 40%, o que é muito alto.” Ele destacou o caso do suco de laranja, que teve a tarifa zerada, o que poderia gerar um aumento de US$ 1,2 bilhão nas exportações.

Alckmin também apontou que concorrentes do Brasil, como o Vietnã no setor de café, obtiveram reduções tarifárias ainda maiores. “O café também reduziu 10 pontos percentuais, mas tem concorrente que reduziu 20 pontos percentuais. Então, esse é o empenho que tem que ser feito agora para melhorar a competitividade”, afirmou o vice-presidente.

A declaração ocorreu no Palácio do Planalto, após o anúncio do governo norte-americano da retirada da tarifa global, conhecida como “taxa de reciprocidade”, criada em abril. Para os países latino-americanos, essa tarifa estava em 10%. Contudo, como a alíquota adicional de 40% aplicada em julho aos produtos brasileiros continua em vigor, tarifas sobre itens como café, carne bovina, frutas e castanhas caíram de 50% para 40%.

De acordo com Alckmin, a medida reflete avanços diplomáticos recentes, incluindo conversas entre autoridades brasileiras e norte-americanas.

O vice-presidente também ressaltou que os Estados Unidos mantêm superávit na balança comercial bilateral. “O Brasil não é problema, é solução”, declarou.

Com a retirada da tarifa global, aumentou de 23% para 26% o volume das exportações brasileiras para os Estados Unidos isentas de sobretaxas, o equivalente a aproximadamente US$ 10 bilhões.

Os efeitos variam por setor: o suco de laranja teve a tarifa zerada, beneficiando um setor de US$ 1,2 bilhão; a alíquota do café caiu de 50% para 40%, apesar das vendas terem recuado 54% em outubro na comparação anual; e as tarifas de carne bovina e frutas reduziram de 50% para 40%, um ganho considerado limitado devido à sobretaxa remanescente.

O governo norte-americano justifica a redução tarifária como parte de um esforço para conter a inflação de alimentos e equilibrar a oferta interna.

Alckmin lembrou progressos recentes nas negociações comerciais, como a retirada da tarifa global de 10% e da sobretaxa de 40% sobre o ferro-níquel e a celulose, em setembro. Também destacou a redução de 50% para 40% em madeira macia e serrada e de 50% para 25% para armário, móveis e sofá, decidida no início de outubro.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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