Agiotas condenados em sp dividiam tarefas para lavar r$ 60 milhões

3 Tempo de Leitura
G1

Uma recente condenação revelou a intrincada divisão de tarefas dentro de uma organização criminosa de agiotagem que movimentou mais de R$ 60 milhões na região de Franca, interior de São Paulo, entre 2020 e 2024. Cinco indivíduos foram considerados culpados por uma série de crimes, incluindo organização criminosa, usura qualificada, corrupção ativa e lavagem de capitais.

As sentenças, proferidas pelo juiz Orlando Brossi Júnior, detalham o papel específico desempenhado por cada um dos condenados. Rayander Luiz Nascimento era responsável pela captação de novos clientes e pela cobrança de dívidas, demonstrando persistência na atividade criminosa mesmo após a prisão de outros membros do grupo. Célio Luís Martins atuava como gerente e contador da organização, atendendo clientes via WhatsApp, supervisionando a política de crédito e cobrança e mantendo contato com os responsáveis pela captação de clientes e cobranças.

Jonathan Nogueira dos Santos Reis, atualmente foragido, era encarregado de movimentar e repassar valores provenientes da agiotagem, buscando dar uma aparência legal ao dinheiro obtido ilegalmente. Everaldo Bastos Guimarães realizou 652 saques em dinheiro entre 2020 e 2024, levantando fortes suspeitas de lavagem de capitais devido aos valores e à incompatibilidade com sua renda declarada. Eraldo Bastos Guimarães também foi apontado como praticante de agiotagem, embora os detalhes de sua atuação não tenham sido totalmente especificados na sentença.

Os réus, durante o processo, apresentaram diversas alegações em suas defesas. Rayander negou ser agiota ou ter feito ameaças, questionando a quebra de seus sigilos fiscal, bancário e telemático. Célio argumentou sobre a falta de individualização das condutas e alegou que seu estilo de vida não correspondia aos R$ 33 milhões mencionados na denúncia. Jonathan alegou vício processual. Everaldo questionou a falta de suporte fático para a acusação e a ausência de delimitação de sua conduta. Eraldo solicitou perícias contábil e no celular, além de uma acareação.

As investigações revelaram que a quadrilha operava de forma estruturada, com divisão clara de funções e hierarquia entre os membros. A organização criminosa recorria a ameaças de morte contra os devedores e seus familiares para garantir o pagamento das dívidas, utilizando a violência como ferramenta de coerção.

Em dezembro do ano anterior, sete pessoas, incluindo um ex-policial, haviam sido condenadas por integrar a mesma quadrilha. No entanto, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo absolveu esse grupo em segunda instância.

A primeira fase da operação contra a quadrilha resultou na prisão de sete pessoas suspeitas de movimentar R$ 36 milhões. A segunda fase da operação, deflagrada posteriormente, revelou uma nova movimentação de aproximadamente R$ 31 milhões. As investigações indicaram que, mesmo com as prisões anteriores, outros integrantes mantiveram a quadrilha ativa, declarando que nada os intimidaria.

Fonte: g1.globo.com

Compartilhe está notícia