A conservadora Sanae Takaichi está a um passo de fazer história como a primeira mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra do Japão. O Partido da Inovação, de tendência direitista, conhecido como Ishin, manifestou apoio à sua candidatura, fortalecendo significativamente suas chances.
A aliança estratégica entre Takaichi e o Partido Ishin, que juntos detêm 231 assentos na câmara baixa do Parlamento, está a apenas dois votos de garantir uma maioria. Esse número se mostra promissor para a votação parlamentar que definirá o próximo primeiro-ministro.
“Estou ansiosa para trabalharmos juntos, em um esforço para fortalecer a economia do Japão e transformar o país”, declarou Takaichi, demonstrando entusiasmo pela colaboração.
A formalização da coalizão foi marcada pela assinatura de um pacto com os líderes do Ishin, o governador de Osaka, Hirofumi Yoshimura, e o chefe do Parlamento, Fumitake Fujita. O acordo estabelece prazos e a adoção de políticas específicas, conforme adiantado anteriormente por Fujita.
A perspectiva de um pacto que pode levar a um aumento nos gastos governamentais já impactou o mercado financeiro, enfraquecendo o iene, a moeda local, e impulsionando as ações a um patamar recorde. O índice Nikkei fechou com uma alta de 3,4%.
Em um eventual segundo turno na votação do Parlamento, Takaichi precisará apenas de uma maioria simples dos votos, e não da totalidade dos parlamentares, para garantir a vitória.
Para governar com efetividade, Takaichi precisará buscar o apoio de outros grupos de oposição, especialmente em relação a questões como um orçamento suplementar que está em pauta.
Em contrapartida ao seu apoio, o Ishin, que até então era o segundo maior partido de oposição do Japão, obteve promessas de Takaichi para avançar sua agenda. Entre os compromissos firmados estão um corte de 10% no número de parlamentares e a suspensão de um imposto sobre o consumo de alimentos por um período de dois anos.
O acordo foi selado dez dias após o rompimento da coalizão de 26 anos entre o Partido Liberal Democrata (LDP) e o Komeito, motivado pela escolha de Takaichi como nova líder do partido governista.
A saída repentina do Komeito abriu espaço para negociações entre os partidos de oposição, incluindo o Ishin, o que poderia ter comprometido as ambições de Takaichi e retirado seu partido do poder pela primeira vez em mais de uma década.
No entanto, a decisão do Ishin de se aliar ao LDP afastou essa ameaça.
Takaichi tem defendido um aumento nos gastos e cortes de impostos para proteger os consumidores do aumento da inflação e tem criticado a decisão do Banco do Japão de aumentar as taxas de juros.
“As expectativas em relação às políticas econômicas de Takaichi, que incluem expansão fiscal e flexibilização monetária, parecem estar facilitando o aumento dos preços das ações e o enfraquecimento do iene”, avaliou Fumika Shimizu, estrategista da Nomura Securities.
Alguns analistas apontam que o Ishin, que defende cortes orçamentários, pode vir a restringir algumas das ambições de gastos de Takaichi.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


