A Resistência das Catadoras de Mangaba em Aracaju Diante da Pressão Imobiliária

3 Tempo de Leitura
© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

As catadoras de mangaba de Aracaju, um símbolo da cultura e da biodiversidade em Sergipe, enfrentam desafios crescentes devido à especulação imobiliária. Este cenário não apenas compromete o sustento de inúmeras famílias, mas também ameaça a preservação de um modo de vida profundamente conectado à natureza.

O Papel Vital da Mangaba na Comunidade

A mangaba, um fruto nativo, é fundamental para a subsistência das comunidades extrativistas. No sul de Aracaju, as últimas mangabeiras estão sob intensa pressão, resultante da urbanização crescente. As mulheres que se dedicam à coleta do fruto, conhecidas como catadoras, veem sua autonomia econômica e social em risco.

A Voz da Comunidade

Maria Eliene Santos, presidente da Associação das Catadoras e Catadores de Mangaba Padre Luiz Lemper (ACCMPLL), expressa a importância da preservação desse recurso: “Eu me sinto guardando um tesouro da humanidade”. A associação desempenha um papel fundamental na organização comunitária, preservação de conhecimentos tradicionais e na articulação com o poder público.

Conquistas e Desafios

Recentemente, a ACCMPLL foi reconhecida com o Prêmio Guardiãs da Sociobiodiversidade, recebendo R$ 45 mil para investir em capacitações e no desenvolvimento do turismo comunitário. Este reconhecimento reflete o esforço contínuo da associação para fortalecer a produção e o manejo sustentável da mangaba.

Território e Sustentabilidade

As catadoras operam em dois territórios protegidos, a Reserva Extrativista Mangabeiras Missionário Uilson de Sá e uma área autorizada pela União. Apesar das diferenças de gestão, ambas as áreas representam um espaço cultural vital, onde as famílias, predominantemente negras, mantêm a prática do extrativismo por mais de oitenta anos.

Participação e Gestão Comunitária

Recentemente, a comunidade lançou o Plano de Manejo Popular, um documento elaborado coletivamente que visa registrar a história local, promover a conservação ambiental e garantir uma gestão participativa. Segundo Leandro Sacramento Santos, da Associação Raízes, essa iniciativa é uma forma de garantir que a voz da comunidade seja ouvida antes da imposição de um plano de manejo pela prefeitura.

Desafios com o Poder Público

Uma preocupação central é a proposta da prefeitura para transformar a reserva em um parque urbano, o que poderia comprometer a essência da unidade de conservação. As catadoras defendem que a comunidade deve ter controle sobre o uso do território, evitando que intervenções externas desconsiderem suas necessidades e tradições.

Conclusão: Um Futuro de Esperança

O caminho das catadoras de mangaba de Aracaju é repleto de desafios, mas também de esperanças. A luta pela preservação de seu território e pela valorização de suas práticas extrativistas é um reflexo do desejo de manter viva uma cultura rica e sustentável. Com o apoio de iniciativas comunitárias e o reconhecimento de sua importância, as catadoras continuam a resistir e a lutar por um futuro onde tradição e desenvolvimento coexistam em harmonia.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

Compartilhe está notícia