A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) tem reforçado seu compromisso com a segurança e o bem-estar de sua comunidade acadêmica, especialmente diante de casos de assédio sexual. Recentemente, um professor do Colégio Técnico de Limeira (Cotil), unidade vinculada à instituição, foi demitido por assédio sexual contra uma aluna menor de idade. Este caso, concluído após processo administrativo iniciado em 2025, sublinha a postura rigorosa da Unicamp no combate a condutas inadequadas. A universidade, através de seus órgãos disciplinares, tem mapeado e atuado em outras denúncias, inclusive uma que ainda envolve uma aluna menor de idade e está em fase de apuração, demonstrando uma abordagem contínua e multifacetada para garantir um ambiente acadêmico livre de violências.
Demissão por assédio e a resposta institucional
A Unicamp formalizou a demissão de um professor do Colégio Técnico de Limeira (Cotil) após a conclusão de um processo administrativo que o considerou culpado por assédio sexual contra uma estudante menor de idade. A decisão foi confirmada por documentos da Comissão Processante Permanente (CPP) da universidade, obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI).
O caso do Cotil em Limeira
O processo administrativo, que culminou na demissão do docente, foi instaurado em 2025 e finalizado no início de 2026. A penalidade de demissão foi aplicada, conforme detalhado no documento assinado por Claudia de Souza Alface, presidente Administrativa do Núcleo Disciplinar da Unicamp. A medida levou em consideração “a gravidade dos fatos e da necessidade de preservação da segurança e do bem-estar das alunas”, destacando a seriedade com que a universidade trata tais ocorrências. Este incidente no Cotil é um dos três processos administrativos instaurados na Unicamp nos últimos dez anos que investigam casos de assédio sexual envolvendo docentes contra estudantes. A universidade mantém sob apuração um outro processo relevante que também envolve uma aluna menor de idade, reiterando a vigilância constante.
Levantamento de ocorrências
Em uma análise abrangente dos últimos dez anos, a Unicamp revelou que, além do caso de Limeira, outros dois processos administrativos envolvendo assédio de docentes contra estudantes foram instaurados. Em 2018, um professor da Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP), na faixa etária de 35 a 39 anos na época, foi alvo de denúncia por constranger mais de uma estudante e egressas, buscando “favorecimento sexual” em função de sua posição hierárquica superior. Este processo resultou na suspensão do professor por um período de 90 dias. Mais recentemente, em 2024, um novo processo foi aberto contra um docente do Colégio Técnico de Campinas (Cotuca), com idade entre 65 e 69 anos, para apurar indícios de assédio sexual praticado contra uma aluna menor de 18 anos. Este último processo encontra-se atualmente em andamento, indicando que a Unicamp continua a investigar e a tomar as devidas providências frente a novas denúncias.
Ações de acolhimento e prevenção na Unicamp
Diante da complexidade e da gravidade dos casos de assédio, a Unicamp não se limita apenas à punição, mas também investe em estruturas de acolhimento e prevenção, buscando dar suporte às vítimas e promover uma cultura de respeito.
O papel do Serviço de Atenção à Violência Sexual (SAVS)
Criado em 2019, o Serviço de Atenção à Violência Sexual (SAVS) da Unicamp surgiu após amplos debates e demandas da comunidade acadêmica, com o objetivo primordial de acolher as vítimas de assédio sexual. O SAVS oferece orientação sobre os direitos das vítimas, encaminhamento para órgãos externos, e auxílio na formalização de denúncias à Reitoria. Importante ressaltar que o SAVS não é responsável por instaurar procedimentos administrativos ou sindicâncias, atuando como uma porta de entrada para o suporte. O serviço possibilita que as vítimas registrem queixas sigilosas, que podem ou não se transformar em denúncias formais. Nesses cenários, o SAVS provê apoio psicológico, orientação jurídica e, quando necessário, ajustes acadêmicos, como mudanças de turma, sala de aula ou ambiente de trabalho, para que a pessoa possa permanecer na universidade com segurança. Além do apoio direto, o SAVS também desempenha um papel ativo na prevenção, promovendo rodas de conversa, campanhas educativas e produzindo materiais informativos sobre o tema. Tânia Marin Vichi Freire de Mello, diretora do Serviço de Assistência Psicológica e Psiquiátrica ao Estudante (SAPPE), ressalta que “o posicionamento institucional significa a universidade reconhecer que a violência sexual, a violência relacionada a gênero e a sexualidade são questões institucionais”. Um levantamento do SAVS também indicou um outro caso de assédio sexual, ocorrido em dezembro de 2025, cuja apuração ainda não foi iniciada.
Procedimentos para menores e a importância da denúncia
Os casos que envolvem estudantes menores de idade, como os registrados nos colégios técnicos da universidade (Cotil em Limeira e Cotuca em Campinas), seguem diretrizes específicas estabelecidas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Segundo a coordenação do SAVS, nessas situações, o encaminhamento é geralmente mais ágil e requer obrigatoriamente a comunicação com a família da vítima e, quando pertinente, com o Conselho Tutelar. “Quando envolve menor, aí a coisa é mais séria e tendo materialidade, então, a coisa é bem mais ágil”, explicou um dos responsáveis pelo atendimento. Além disso, a equipe de assistência social da Unicamp pode atuar em parceria com os colégios técnicos para acompanhar o caso e articular o atendimento com profissionais da própria unidade escolar. Tânia Marin Vichi Freire de Mello enfatiza que a denúncia é um passo crucial para que a universidade possa tomar providências institucionais e, assim, prevenir a repetição de situações de violência. Ela destaca que a violência sexual é um dos tipos mais difíceis de comprovar, tornando o acolhimento e a existência de uma rede de apoio essenciais para que as vítimas se sintam seguras em buscar ajuda.
Como buscar ajuda na universidade
A Unicamp assegura que toda a sua comunidade – incluindo professores, estudantes, pesquisadores, funcionários, terceirizados, estagiários, patrulheiros e usuários dos serviços da universidade – tem acesso aos serviços do SAVS. Embora sediado em Campinas, o serviço estende seu atendimento aos campi de Limeira e Piracicaba, além dos colégios técnicos. O atendimento funciona de segunda a sexta-feira, das 11h30 às 17h30, mediante agendamento prévio que pode ser realizado pelo e-mail savs@unicamp.br ou pelo WhatsApp (19) 3521-7924. Adicionalmente, a universidade disponibiliza espaços de acolhimento em todas as suas unidades, onde membros da comunidade treinados podem receber relatos iniciais e encaminhar os casos para os serviços especializados. É crucial, contudo, que em situações graves ou que envolvam violência física, as vítimas priorizem a ida a um pronto-atendimento, como o ambulatório do Hospital da Mulher da Unicamp (Caism) ou outros serviços médicos de urgência especializados.
Compromisso com um ambiente seguro
A demissão do professor do Cotil e a contínua investigação de outros casos de assédio sexual reafirmam o compromisso da Unicamp em combater veementemente qualquer forma de violência em seu campus. A universidade busca estabelecer um ambiente onde a segurança, o respeito e a integridade de seus membros sejam prioridades inegociáveis. Através de processos administrativos rigorosos, serviços de acolhimento especializados como o SAVS, e a implementação de políticas pautadas em legislações como o ECA, a Unicamp trabalha para prevenir futuras ocorrências e assegurar que as vítimas recebam o suporte necessário. A postura institucional proativa e transparente é fundamental para fomentar uma cultura de denúncia e de apoio mútuo, consolidando um espaço acadêmico seguro para todos.
Perguntas frequentes
1. Quais são as penalidades para assédio sexual na Unicamp?
As penalidades podem variar desde suspensão, como no caso do professor da FOP que recebeu 90 dias de suspensão, até a demissão, como ocorreu com o professor do Cotil. A gravidade da punição é determinada pela Comissão Processante Permanente (CPP) da universidade, levando em conta a seriedade dos fatos e a necessidade de proteger a segurança e o bem-estar dos estudantes.
2. Como o SAVS atua no acolhimento de vítimas?
O Serviço de Atenção à Violência Sexual (SAVS) da Unicamp oferece acolhimento psicossocial, orientação jurídica e auxilia no encaminhamento de denúncias à Reitoria. Ele também pode propor ajustes acadêmicos, como mudanças de turma ou ambiente, para garantir a segurança da vítima. O serviço permite que as queixas sejam registradas de forma sigilosa.
3. Qual o procedimento para casos envolvendo menores de idade?
Em casos de assédio sexual envolvendo menores de idade, como nos colégios técnicos da Unicamp, os procedimentos seguem as regras específicas do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O encaminhamento tende a ser mais rápido e exige a comunicação obrigatória com a família e, se necessário, com o Conselho Tutelar.
Para mais informações sobre as ações da Unicamp contra o assédio e como buscar apoio, entre em contato com os canais oficiais da universidade.
Fonte: https://g1.globo.com


