A Articulação Nacional da Marcha de 8 de Março, um coletivo robusto composto por 42 organizações e movimentos dedicados à defesa dos direitos femininos, entregou um manifesto detalhado ao governo federal, delineando suas principais reivindicações para este ano. Este documento reafirma pautas históricas e essenciais, ao mesmo tempo em que aborda questões urgentes que ecoam em todo o cenário global e nacional. As demandas se estendem desde a garantia de direitos básicos e a autonomia reprodutiva até a condenação do imperialismo e da instrumentalização de tecnologias a serviço da extrema-direita. A mobilização, que engloba um espectro vasto de mulheres, também se posiciona firmemente contra os padrões de violência observados em diversas regiões, desde a Venezuela até o Oriente Médio, reforçando o caráter internacionalista da Marcha de 8 de março e a urgência de ação coordenada.
A amplitude das reivindicações feministas
Direitos fundamentais e lutas históricas
O manifesto da Articulação Nacional da Marcha de 8 de Março não apenas reitera pautas já estabelecidas, mas as aprofunda, conectando-as à capacidade histórica das mulheres de se auto-organizar e resistir. Entre as reivindicações fundamentais estão a garantia de direitos básicos – como acesso à saúde, educação e segurança – e a defesa dos direitos sexuais e reprodutivos, incluindo a legalização do aborto. Estes pontos são cruciais para a autonomia das mulheres e refletem décadas de luta por reconhecimento e justiça. A documentação entregue à ministra das Mulheres, Márcia Lopes, sublinha que “a luta das mulheres nasce da nossa capacidade histórica de auto-organização”, enfatizando que a mobilização transcende fronteiras e gerações, sendo um motor contínuo para a transformação social.
Desafios globais: imperialismo e tecnologia
Em um movimento que reafirma o caráter internacionalista da mobilização, as militantes da Articulação Nacional expressam profunda preocupação com as interferências dos Estados Unidos na governança de outros países. Elas denunciam ameaças bélicas e ataques cibernéticos como manifestações modernas de “dominação colonial” que perpetuam e intensificam a fome, a exploração capitalista patriarcal e racista em escala global. Essa perspectiva amplia a luta feminista para além das questões de gênero, conectando-a a um ativismo anti-imperialista e anti-colonialista. Além disso, o manifesto aborda a preocupação com o uso de tecnologias digitais que, em vez de promoverem o avanço social, são cooptadas e utilizadas por forças da extrema-direita para disseminar desinformação, incitar ódio e minar democracias, aprofundando padrões de violência em todo o mundo.
Interseccionalidade e a luta por justiça social
A voz das mulheres diversas
O documento da Articulação Nacional é um mosaico de vozes, refletindo a diversidade intrínseca do movimento feminista brasileiro. Ele declara explicitamente a presença e a luta de “mulheres trabalhadoras da cidade, do campo, das florestas e das águas, pelas mulheres negras, quilombolas, indígenas, lésbicas, bissexuais, transexuais e travestis, com deficiência, mães solo, atípicas, em situação de rua, atingidas por barragens, privadas de liberdade, mulheres de tradição de matriz africana, religiosas ou não, migrantes, jovens, idosas e meninas”. Essa enumeração detalhada não é meramente uma lista, mas uma afirmação da natureza interseccional da luta, reconhecendo que as opressões se entrelaçam e afetam mulheres de diferentes formas, exigindo uma abordagem inclusiva e multifacetada para a construção de uma sociedade verdadeiramente justa e equitativa.
Questões sociais e econômicas urgentes
Ainda no escopo das preocupações sociais, o manifesto expressa veemente protesto contra o racismo sistêmico, a violência policial que afeta desproporcionalmente comunidades marginalizadas, e a crescente intolerância religiosa que ameaça a liberdade de culto, especialmente de religiões de matriz africana. O controle sobre os corpos femininos, uma pauta histórica, continua sendo uma preocupação central, englobando desde a autonomia reprodutiva até a condenação de qualquer forma de cerceamento da liberdade individual. A insegurança alimentar, agravada por políticas econômicas precárias, também é destacada como uma violação fundamental dos direitos humanos. No âmbito econômico, as organizações manifestam suas preocupações com a precarização no mercado de trabalho, um fenômeno que tem provocado reações populares intensas, como as reivindicações pelo fim da escala de trabalho 6×1, que impõe condições exaustivas e desumanas, comprometendo a saúde e a vida social das trabalhadoras e trabalhadores.
Conexões entre crise climática e capitalismo
A Articulação Nacional da Marcha de 8 de Março também traça um elo direto entre a crise climática e o modelo de exploração econômica vigente. O manifesto denuncia que “a crise climática é parte desse modelo de exploração. Ela resulta da destruição predatória dos territórios e da mercantilização das mulheres e da natureza”. Essa análise ecofeminista reconhece que a devastação ambiental não é um problema isolado, mas uma consequência intrínseca de um sistema capitalista patriarcal que mercantiliza e explora tanto os recursos naturais quanto os corpos e o trabalho das mulheres. A luta pela justiça ambiental, portanto, torna-se indissociável da luta por justiça social e de gênero, buscando um modelo de desenvolvimento que respeite os limites planetários e promova a equidade.
Propostas para um futuro justo e democrático
As militantes afirmam com convicção que a luta pelo fim de todas as opressões é inseparável da luta por democracia, soberania nacional e justiça social. Nesse sentido, o manifesto propõe medidas concretas para alcançar um Brasil mais justo, como a taxação das grandes fortunas. Essa medida é vista como fundamental para promover a redistribuição de renda e combater a desigualdade social, gerando recursos para investimentos em políticas públicas essenciais. Além das pautas imediatas, o movimento projeta seu olhar para o futuro, declarando que, em 2026, todas as suas frentes de atuação convergirão para o que chamam de “batalha decisiva de defesa da democracia em nosso país”, sinalizando um compromisso contínuo com a salvaguarda das instituições democráticas e dos direitos conquistados.
Atos e mobilizações nacionais
Em um esforço coordenado e abrangente, a Articulação Nacional da Marcha de 8 de Março prevê a realização de 34 manifestações em diversos municípios do Brasil, ocorrendo entre os dias de hoje e a próxima segunda-feira, 9 de março. Essas mobilizações são cruciais para dar visibilidade às pautas do movimento e pressionar por mudanças efetivas. Na capital paulista, um dos atos mais aguardados está marcado para este domingo, 8 de março, com concentração prevista para as 14h em frente ao Fórum Pedro Lessa, um local de grande simbolismo por sua proximidade com o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), ponto de referência cultural e social da cidade. A expectativa é de uma grande adesão, consolidando o poder de mobilização e a força do movimento feminista no país.
Perguntas frequentes
O que é a Articulação Nacional da Marcha de 8 de Março?
É um coletivo composto por 42 organizações e movimentos que atuam na defesa dos direitos das mulheres no Brasil, responsável por organizar e coordenar as pautas e mobilizações da Marcha de 8 de Março.
Quais são as principais demandas da marcha deste ano?
As demandas incluem a garantia de direitos básicos, legalização do aborto, combate ao racismo e à violência policial, fim da precarização do trabalho (como a escala 6×1), e a condenação do imperialismo e da instrumentalização tecnológica pela extrema-direita.
Como o movimento aborda questões globais e locais simultaneamente?
O movimento integra a luta por direitos femininos com questões anti-imperialistas, ambientais e de justiça social, denunciando a dominação colonial e a exploração capitalista enquanto defende a diversidade de mulheres no Brasil.
Onde e quando acontecerá o principal protesto em São Paulo?
O ato na capital paulista está agendado para este domingo, 8 de março, com concentração às 14h, em frente ao Fórum Pedro Lessa, próximo ao Masp.
Participe das mobilizações em sua cidade e apoie as pautas da Marcha de 8 de Março para a construção de um futuro mais justo e igualitário para todas as mulheres.


