O recente feminicídio de Cibelle Monteiro Alves, de 22 anos, dentro de uma joalheria no Shopping Golden Square, em São Bernardo do Campo, Grande São Paulo, chocou a região e levantou um alerta sobre a persistência da violência contra a mulher. Cássio Henrique da Silva Zampieri, de 25 anos, ex-namorado da vítima, é o principal suspeito e agressor. O crime brutal, ocorrido em 25 de outubro, não foi um ato isolado, mas o desfecho trágico de uma série de perseguições e ameaças que se estenderam por quase um ano, incluindo o envio de fotos íntimas da jovem para o local de trabalho dela e mensagens com intimidações de morte. A vítima possuía medida protetiva, o que não foi suficiente para deter a escalada de violência.
A escalada de violência e perseguição
Este trágico feminicídio foi o ápice de uma série de atos violentos e ameaças que Cibelle Monteiro Alves vinha sofrendo de seu ex-namorado, Cássio Henrique da Silva Zampieri. O relacionamento de cinco anos entre eles havia terminado em abril do ano anterior, mas Cássio não aceitava o rompimento e, ao saber que Cibelle estava em outro relacionamento, iniciou uma perseguição implacável.
Ameaças, nudes e a medida protetiva
Por quase um ano, Cássio utilizou diversas plataformas para assediar e intimidar a jovem. Ele enviou fotos íntimas de Cibelle para o grupo de WhatsApp da joalheria Vivara, onde ela trabalhava. Além disso, as ameaças de morte eram constantes, veiculadas por mensagens de WhatsApp e até mesmo por transferências via PIX, que ele usava para enviar textos agressivos. Em uma das trocas de mensagens, quando Cibelle tentou cortar o contato, Cássio respondeu de forma possessiva: “Problema teu. Quem decide isso não é só você. E eu já falei.”
Cibelle, temendo pela sua vida, havia registrado boletins de ocorrência por violência doméstica e conseguiu uma medida protetiva da Justiça. No entanto, Cássio ignorou completamente a ordem judicial, continuando a se aproximar e a ameaçar a ex-namorada. Em áudios e mensagens para amigas, a vítima expressava seu profundo medo e a sensação de insegurança, chegando a dizer que a medida protetiva “só funciona se ele for pego em flagrante”, e que “ele precisa me bater pra acontecer alguma coisa”. A jovem relatou um episódio em que Cássio tentou invadir o condomínio onde ela morava, descrevendo a cena como “de filme de terror” e confessando que achou que morreria naquele momento.
O ataque fatal na joalheria
O desfecho da perseguição ocorreu na última quarta-feira, 25 de outubro, no interior da Vivara, localizada no Shopping Golden Square. Cássio Henrique da Silva Zampieri adentrou a joalheria portando uma faca e uma arma falsa, ambas ocultas em sua mochila.
A ação e o desfecho no local do crime
Cibelle Monteiro Alves, ao ver o agressor, tentou desesperadamente fugir, mas foi impiedosamente perseguida e esfaqueada diversas vezes, com golpes concentrados próximo ao pescoço. O ataque brutal e repentino causou pânico entre funcionárias e clientes, que correram em busca de segurança. Policiais militares foram acionados e, ao chegarem ao local, tentaram negociar a rendição de Cássio. Contudo, ele resistiu, apontando a arma para os agentes. Sem saberem que se tratava de uma réplica, os policiais foram forçados a reagir, atirando na perna do agressor para contê-lo. Testemunhas registraram em vídeo os momentos de tensão, a negociação e os disparos dentro da loja.
Após ser baleado, Cássio foi internado sob escolta policial em um hospital, onde seu estado de saúde foi declarado estável. A Justiça prontamente decretou sua prisão preventiva. A polícia apura o caso como feminicídio premeditado, com base em evidências e na própria confissão do agressor.
A confissão e o impacto do crime
Poucos minutos após cometer o assassinato, Cássio Henrique da Silva Zampieri enviou vídeos e áudios perturbadores para seus familiares, confessando o crime e revelando sua intenção de morrer. Em uma das gravações, ele afirma: “Eu matei a Cibelle. E eu vou morrer agora. Eu vou me matar.” Ele também demonstrava consciência da situação, mencionando estar cercado por policiais e com a “peça” (a arma falsa), acreditando que seria morto pelos agentes. “Me segurei ao máximo pra não fazer… eu matei a Cibelle”, dizia ele, indicando a premeditação do ato, conforme a investigação policial.
O crime é investigado pelo 2º Distrito Policial de São Bernardo. Cássio, após receber alta médica, será encaminhado a um Centro de Detenção Provisória. Este lamentável episódio ressalta a urgência de fortalecer mecanismos de proteção para mulheres vítimas de violência e de combater a cultura que permite a escalada de comportamentos possessivos e ameaçadores. O Shopping Golden Square e a joalheria Vivara emitiram notas lamentando profundamente a perda e oferecendo apoio à família de Cibelle.
Este trágico desfecho em São Bernardo do Campo é um sombrio lembrete da persistência da violência de gênero no Brasil, mesmo com a existência de medidas protetivas. A história de Cibelle Monteiro Alves expõe a vulnerabilidade de mulheres que, apesar de buscarem auxílio judicial, continuam à mercê de agressores obstinados. O caso reforça a necessidade premente de uma abordagem mais eficaz e integrada entre a Justiça, as forças de segurança e a sociedade civil para garantir que as medidas protetivas sejam verdadeiramente preventivas e que o feminicídio seja combatido em todas as suas manifestações, desde a perseguição e as ameaças online até o ato final de violência. A dor da família de Cibelle é um eco da luta de tantas outras mulheres que ainda buscam segurança e justiça em seus próprios lares e comunidades.
Perguntas frequentes sobre o caso
O que motivou o crime?
O ex-namorado, Cássio Henrique da Silva Zampieri, não aceitava o fim do relacionamento de cinco anos com Cibelle Monteiro Alves e ficou irritado ao saber que ela havia iniciado um novo relacionamento. Essa motivação levou a uma série de perseguições e ameaças.
A vítima tinha alguma medida de proteção?
Sim, Cibelle Monteiro Alves havia registrado boletins de ocorrência por violência doméstica e a Justiça havia concedido uma medida protetiva contra Cássio. No entanto, ele ignorou a determinação judicial e continuou a ameaçá-la e persegui-la.
Como Cássio foi contido após o assassinato?
Após esfaquear Cibelle, Cássio foi cercado por policiais dentro da joalheria. Ele resistiu à prisão, apontando uma arma (que posteriormente se revelou ser uma réplica) para os agentes, que reagiram atirando em sua perna para contê-lo. Ele foi internado sob escolta e preso preventivamente.
Havia histórico de ameaças antes do crime?
Sim, por quase um ano, Cássio enviou inúmeras ameaças de morte a Cibelle por redes sociais e PIX, além de ter divulgado fotos íntimas dela no grupo de trabalho da joalheria. A vítima expressava grande medo e insegurança a amigas.
Se você ou alguém que conhece está sofrendo com violência doméstica ou ameaças, não hesite em buscar ajuda. Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher), 190 (Polícia Militar) ou procure uma Delegacia da Mulher. A denúncia é o primeiro passo para a proteção.
Fonte: https://g1.globo.com


