Criança morta em Ribeirão Preto tinha hematomas e desnutrição severa

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G1

A trágica morte de Sophia Emanuelly dos Santos, uma criança de apenas 3 anos, em Ribeirão Preto, São Paulo, revelou um cenário de graves maus-tratos. Levada sem vida a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) pelo avô, a menina apresentava múltiplos hematomas em diversas partes do corpo, com distintas colorações, além de sinais evidentes de desnutrição severa e perda capilar. As investigações policiais, conduzidas pelo delegado seccional Sebastião Vicente Picinato, apontam para a suspeita de que Sophia vinha sendo vítima recorrente de tortura e negligência sob os cuidados de seu avô, José dos Santos, de 42 anos, e da companheira dele, Karen Tamires Marques, de 33 anos, ambos agora detidos em prisão preventiva. Este caso chocante expõe a crueldade da violência infantil e a responsabilidade daqueles que deveriam proteger.

Sinais de tortura e negligência revelam histórico de sofrimento

As primeiras análises do corpo da pequena Sophia Emanuelly dos Santos, após sua chegada à UPA de Ribeirão Preto, foram alarmantes e indicaram um padrão de violência contínua. O delegado responsável pela investigação, Sebastião Vicente Picinato, descreveu a presença de hematomas com diferentes colorações, variando entre o vermelho, roxo, verde e amarelo. Essa diversidade de tons é crucial, pois sugere que as agressões não foram pontuais, mas sim sequenciais e ocorridas em momentos distintos ao longo do tempo. A progressão das cores em um hematoma é um indicador forense que ajuda a determinar a idade das lesões, e a constatação de múltiplas fases de cicatrização no corpo da criança reforça a tese de que ela era submetida a maus-tratos recorrentes.

Múltiplos hematomas e desnutrição severa

Além dos múltiplos hematomas, a condição física de Sophia Emanuelly era alarmante. A menina apresentava um quadro de desnutrição severa, acompanhado de perda capilar acentuada. Esses indicadores são fortes evidências de que a criança não apenas sofria agressões físicas, mas também era privada de alimentação adequada e de cuidados básicos essenciais à sua saúde e desenvolvimento. O delegado enfatizou que a combinação de lesões físicas em diferentes estágios de recuperação com um estado de saúde tão debilitado indica que o sofrimento da criança era prolongado e agonizante. A perícia forense está em andamento para confirmar detalhes sobre a gravidade exata das lesões, o tempo de sua ocorrência e outros elementos que possam solidificar as provas contra os suspeitos. Os resultados esperados devem fornecer um panorama ainda mais detalhado da extensão da violência e negligência sofridas por Sophia.

Omissão e dever de cuidado

A investigação aponta não apenas para as agressões diretas, mas também para uma grave omissão de socorro e dever de cuidado. José dos Santos, avô da criança e seu responsável legal, tinha a obrigação de zelar pela segurança e bem-estar de Sophia. No entanto, as evidências indicam que ele falhou drasticamente nesse papel. A presença de um quadro de desnutrição severa e lesões em diferentes estágios no corpo da menina revela que ele não apenas permitiu que a violência ocorresse, mas também negligenciou as necessidades básicas e os cuidados médicos que poderiam ter salvado a vida da criança ou, ao menos, amenizado seu sofrimento. A omissão do avô é considerada um fator crucial para a perpetuação dos maus-tratos, transformando-o em coautor das agressões que resultaram na morte de sua neta. A lei brasileira é clara quanto à responsabilidade de quem tem o dever de proteger, e a falha em fazê-lo pode acarretar em sérias consequências criminais.

A chegada à UPA e as contradições

A sequência de eventos na noite do dia 17 de outubro foi crucial para o início da investigação. Sophia Emanuelly foi levada à Unidade de Pronto Atendimento da Avenida Treze de Maio pelo avô, José dos Santos, com a alegação de que a criança estava passando mal. No entanto, o atendimento médico rapidamente desmentiu a versão do avô e acionou as autoridades.

Criança já estava morta ao ser levada

Ao ser examinada pelo pediatra de plantão na UPA, foi constatado que Sophia Emanuelly já havia chegado sem vida à unidade de saúde. Essa constatação desmentiu a versão inicial do avô, que afirmou aos médicos que a criança teria vomitado durante o trajeto até a UPA e estava apenas “passando mal”. Para o delegado responsável, essa declaração é uma tentativa do avô de “espiar a culpa”, ou seja, de atenuar sua responsabilidade, mas, na verdade, reforça a suspeita de sua participação como coautor no crime. A polícia foi imediatamente acionada e iniciou os procedimentos de praxe, que incluíram o encaminhamento do corpo da criança para exames periciais e a condução dos envolvidos para depoimento. A discrepância entre a versão do avô e a realidade dos fatos encontrada pelos profissionais de saúde foi um dos primeiros indícios de que algo grave havia acontecido antes da chegada da menina ao hospital.

Prisões, confissão e desdobramentos legais

Diante das evidências e das contradições, José dos Santos e Karen Tamires Marques foram presos em flagrante no dia seguinte à morte de Sophia, 18 de outubro. No mesmo dia, eles passaram por audiência de custódia, onde a prisão preventiva foi decretada, garantindo que permaneçam à disposição da Justiça enquanto as investigações prosseguem. Durante o interrogatório, Karen Tamires Marques confessou ter agredido a criança. Ela admitiu que não gostava da menina e que a esganou porque Sophia não queria comer, uma motivação cruel que reforça a suspeita de que a companheira do avô foi a autora direta da agressão fatal. A Defensoria Pública, que atua na defesa de Karen, informou que a indiciada foi acompanhada na audiência de custódia, que os autos foram cuidadosamente analisados e os pedidos pertinentes foram feitos. A defesa de José dos Santos não foi localizada. A Polícia Civil agora avalia a tipificação criminal do caso, considerando se os suspeitos responderão por tortura seguida de morte, que é uma conduta prevista na Lei dos Crimes Hediondos, ou por tortura e homicídio. A decisão final sobre a acusação levará em conta todos os detalhes da investigação e a extensão da responsabilidade de cada um dos envolvidos.

Repercussão e reflexões sobre a violência infantil

A morte de Sophia Emanuelly dos Santos é um caso que choca pela sua brutalidade e pela vulnerabilidade da vítima. As evidências de tortura e desnutrição severa revelam uma falha catastrófica no sistema de proteção da criança e na responsabilidade daqueles que deveriam cuidar dela. Este evento trágico transcende o âmbito criminal, tocando em questões sociais profundas sobre a violência infantil, a negligência e a capacidade humana de cometer atos tão desumanos. O delegado responsável pela investigação expressou sua profunda tristeza e preocupação, enfatizando que a violência contra uma criança, independentemente do resultado de morte, é uma agressão que viola todos os direitos humanos e representa um ataque à própria sociedade. O caso serve como um lembrete doloroso da necessidade urgente de vigilância, empatia e ação coletiva para proteger os mais frágeis entre nós, garantindo que nenhuma outra criança precise enfrentar um destino tão cruel.

Perguntas frequentes sobre o caso

Quem são os suspeitos e qual a relação com a criança?
Os suspeitos são José dos Santos, avô da criança, de 42 anos, e sua companheira, Karen Tamires Marques, de 33 anos. Sophia Emanuelly dos Santos, de 3 anos, era neta de José dos Santos.

Quais as evidências de maus-tratos encontradas no corpo da criança?
A criança apresentava múltiplos hematomas em diferentes partes do corpo e com distintas colorações, indicando agressões em períodos variados. Além disso, foram observados sinais de desnutrição severa e perda capilar.

Qual a versão dos suspeitos e o que a polícia apurou até o momento?
O avô, José dos Santos, inicialmente afirmou que a criança estava passando mal e vomitou no caminho para a UPA, versão que foi contestada pelo delegado. Karen Tamires Marques confessou ter esganado a criança porque ela não queria comer, indicando que ela não gostava da menina. A polícia suspeita que o avô seja coautor por omissão, permitindo que os maus-tratos ocorressem.

Qual a situação legal dos suspeitos?
Ambos, José dos Santos e Karen Tamires Marques, foram presos em flagrante e tiveram a prisão preventiva decretada em audiência de custódia. Eles permanecem detidos enquanto a Polícia Civil avalia se serão indiciados por tortura e homicídio ou por tortura que resultou em morte, conduta prevista na Lei dos Crimes Hediondos.

Denuncie maus-tratos infantis e ajude a proteger nossas crianças. Em caso de suspeita, disque 100 ou procure o conselho tutelar de sua cidade para relatar a situação.

Fonte: https://g1.globo.com

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