Uma multidão se reuniu no centro de Brasília, na região da Torre de TV, no último domingo, 25 de janeiro de 2026, para testemunhar um marco na história urbanística da capital federal: a implosão do Hotel Torre Palace. Em questão de segundos, uma sequência precisa de explosões transformou os imponentes 50 anos do primeiro hotel de luxo da cidade em uma nuvem de poeira e escombros. O evento atraiu olhares curiosos e nostálgicos, simbolizando o fim de uma era e o início de um novo capítulo para um terreno de grande importância na paisagem brasiliense. O adeus a este gigante de concreto foi um espetáculo raro e impactante, observando a remoção de uma estrutura que, outrora símbolo de opulência, havia se tornado um ponto de abandono.
O espetáculo da demolição controlada
Às 10h, o som de uma série de detonações ecoou pela região central de Brasília, marcando o fim da estrutura do Hotel Torre Palace. O processo, meticulosamente planejado, pulverizou em poucos instantes o que um dia foi um ícone arquitetônico e social da capital. Para garantir a segurança do público e das edificações vizinhas, as ruas adjacentes ao hotel foram completamente fechadas, estabelecendo um rigoroso raio de segurança de 300 metros. Equipes de segurança e engenharia trabalharam incansavelmente para assegurar que cada etapa da implosão fosse executada com precisão.
A precisão da engenharia e a segurança do evento
A operação utilizou impressionantes 165,5 quilos de dinamite, estrategicamente distribuídos para garantir o colapso interno e controlado da estrutura. Logo após a explosão, técnicos especializados realizaram uma varredura minuciosa no local, assegurando que não restassem quaisquer resquícios de explosivos ou materiais perigosos. Além do sucesso imediato da implosão, o secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Sandro Avelar, revelou um plano inovador para o futuro dos escombros: o material resultante da demolição se tornaria um campo de treinamento vital para o Corpo de Bombeiros, simulando cenários de resgate de vítimas em estruturas colapsadas. Essa iniciativa não apenas otimiza o uso do material, mas também aprimora a capacidade de resposta das equipes de emergência da capital.
Memórias e expectativas: A multidão à espera
A área em torno da Torre de TV transformou-se em um ponto de encontro para milhares de pessoas que queriam testemunhar o evento. Entre a multidão, a emoção e a curiosidade se misturavam com um sentimento de nostalgia pelo fim de uma parte da história de Brasília. Famílias inteiras, com câmeras e celulares em mãos, buscavam o melhor ângulo para registrar o momento que encerrava um ciclo para dar início a outro. O evento foi um lembrete visual da constante transformação que caracteriza a jovem capital.
Reflexões de uma Brasília em constante transformação
Paulo Carvalho, de 63 anos, observava a cena com um olhar experiente. Ele já havia presenciado a implosão do Alvorada Hotel, localizado do outro lado do Eixo Monumental, quase em frente ao Torre Palace. Para ele, o Torre Palace não era apenas um prédio; era um repositório de memórias. “Ele foi um dos hotéis mais importantes da cidade”, recordou, evocando momentos especiais, como quando teve a chance de conhecer ídolos de seu time do coração nas instalações do hotel. Sua perspectiva contrastava com a de André Luiz, que acompanhava a implosão ao lado do filho Theo. Para eles, era uma experiência rara, algo que marcou pai e filho pela grandiosidade do espetáculo da engenharia. Já Barbara Rocha expressava um desejo diferente, preferindo ver o antigo terreno dar lugar a um novo espaço dedicado à cultura, uma visão que ecoa o anseio de parte da população por mais equipamentos culturais na cidade.
A ascensão e queda de um ícone brasiliense
Inaugurado em 1973, o Hotel Torre Palace rapidamente se estabeleceu como o primeiro hotel de luxo de Brasília, um empreendimento visionário comandado pelo libanês Jibran El-Hadj. Durante décadas, foi sinônimo de sofisticação e hospitalidade, abrigando personalidades e eventos importantes para a história da capital. Sua localização estratégica e arquitetura imponente o tornaram um cartão-postal, simbolizando a modernidade e o potencial de uma cidade que ainda se consolidava.
Do luxo pioneiro ao abandono e renascimento
Após o falecimento de Jibran El-Hadj, o hotel entrou em um período de turbulência. Disputas familiares pela herança se arrastaram na Justiça, culminando no fechamento das portas em 2013. A partir daí, o que era um símbolo de luxo transformou-se em um marco de abandono. O prédio ficou à mercê do tempo, sendo invadido e, lamentavelmente, se tornando um ponto de abrigo para usuários de drogas, comprometendo a segurança e a imagem da área central de Brasília. Diante da situação insustentável, o governo do Distrito Federal precisou intervir, lacrando a propriedade para tentar conter o problema social. Somente no ano passado, o antigo prédio foi finalmente adquirido, abrindo caminho para um novo projeto. A expectativa é que um novo e moderno hotel de luxo, com aproximadamente 300 quartos, seja erguido no local nos próximos três anos, marcando um novo capítulo para este terreno emblemático. O Torre Palace agora vive apenas nas fotografias e nas lembranças dos moradores da capital federal.
O legado e o futuro da área central de Brasília
A implosão do Hotel Torre Palace não é apenas o fim físico de uma estrutura, mas a materialização de um ciclo de renovação urbana em Brasília. De um lado, há a nostalgia pelas décadas de glória e o papel pioneiro que o hotel desempenhou no desenvolvimento da capital. Do outro, reside a esperança de revitalização de uma área estratégica, que esteve marcada pelo abandono e pela degradação social por mais de uma década. O terreno que abrigou um símbolo de luxo, depois um problema urbano, está prestes a se transformar novamente, projetando um futuro onde a modernidade e a funcionalidade se alinham às necessidades de uma cidade em constante evolução. O evento serve como um lembrete vívido da capacidade de Brasília de se reinventar, honrando seu passado enquanto abraça novas possibilidades.
Perguntas frequentes sobre a implosão do Hotel Torre Palace
Por que o Hotel Torre Palace foi implodido?
O Hotel Torre Palace foi implodido por estar abandonado desde 2013, após disputas familiares pela herança do proprietário original. O prédio se tornou um ponto de invasão e uso de drogas, gerando problemas de segurança e urbanísticos, o que levou à sua compra e decisão de demolição para a construção de um novo empreendimento.
Quais foram os principais marcos da história do hotel?
Inaugurado em 1973, o Torre Palace foi o primeiro hotel de luxo de Brasília, comandado pelo libanês Jibran El-Hadj. Por décadas, foi um importante centro social e de hospedagem na capital, até seu fechamento em 2013 e posterior abandono.
O que será construído no local do antigo hotel?
No lugar do antigo Hotel Torre Palace, está prevista a construção de um novo hotel de luxo, que terá cerca de 300 quartos. A expectativa é que o novo empreendimento seja concluído em aproximadamente três anos.
Houve incidentes durante a implosão?
Não foram registrados incidentes significativos. A operação de implosão foi planejada com um rigoroso raio de segurança de 300 metros e ruas fechadas, garantindo a segurança do público e das estruturas vizinhas. Após a detonação, técnicos verificaram o local para assegurar que não houvesse resquícios de explosivos.
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