Partidos de oposição no Distrito Federal protocolaram um pedido de impeachment de Ibaneis Rocha, governador do DF, após a citação de seu nome pelo banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Este ato político se fundamenta em supostos crimes de responsabilidade e atuações temerárias do executivo local. As acusações estão ligadas a operações envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master, instituição que se tornou foco de investigações por irregularidades financeiras. As legendas PSB-DF, Cidadania-DF e PSOL foram as responsáveis pela formalização dos pedidos, alertando para um cenário de risco ao erário público e violação de princípios da administração. A controvérsia central reside na tentativa de venda do Banco Master ao BRB e na suposta compra de títulos de baixa qualidade, gerando um rombo bilionário para o banco público.
Pedidos de impeachment e as sérias acusações
A controvérsia BRB-Master e o elo com o governador
Os partidos de oposição no Distrito Federal, PSB-DF, Cidadania-DF e PSOL, uniram-se para protocolar o pedido de impeachment contra o governador Ibaneis Rocha. A ação é uma resposta direta à menção do nome do governador pelo banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, em depoimentos no âmbito das investigações sobre as transações financeiras entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). As legendas apontam uma série de supostos crimes de responsabilidade, argumentando que a atuação do Executivo local foi “temerária”, colocando em risco o erário público e violando preceitos fundamentais da administração.
Entre as irregularidades citadas nos pedidos de impeachment, destacam-se a suposta compra de títulos de baixa qualidade e origem duvidosa pelo BRB, a criação de dívidas fora do orçamento previsto, negociações realizadas sem a devida transparência com o banqueiro Daniel Vorcaro e uma possível influência indevida do governador nas decisões internas do BRB. Essas alegações sugerem um padrão de conduta que comprometeria a saúde financeira do banco público e a integridade da gestão governamental. Daniel Vorcaro, em depoimento à Polícia Federal no dia 30 de dezembro, sob determinação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou ter conversado “algumas vezes” com o governador Ibaneis Rocha sobre as negociações entre o BRB e o Banco Master. As investigações indicam que, em 2023, o BRB tentou adquirir uma fatia significativa do Banco Master, uma iniciativa que teria contado com o apoio do governo do Distrito Federal, acionista controlador do banco público, mas que acabou sendo barrada pelo Banco Central. Paralelamente, a Polícia Federal apura se o BRB adquiriu carteiras de crédito de alto risco da instituição privada, analisando possíveis falhas nos processos internos de análise, aprovação e governança.
As investigações e o cenário de crise financeira
O papel do Banco Master e os bilhões em questão
O cerne da investigação gira em torno da suspeita de que o Banco Master teria vendido ao BRB cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consideradas inexistentes ou fraudulentas. O objetivo, segundo as apurações do Ministério Público Federal e da Polícia Federal, seria evitar a quebra da instituição privada, que enfrentava uma crise de liquidez. Este escândalo levou à liquidação do Banco Master pelo Banco Central em novembro, após o desenrolar das operações policiais.
As consequências financeiras para o BRB são graves, com um rombo estimado em R$ 4 bilhões. O Banco Central, em resposta a essa situação crítica, determinou que o BRB realize um provisionamento de pelo menos R$ 2,6 bilhões, uma reserva necessária para cobrir os prejuízos potenciais. Além disso, investigações apontam que o BRB injetou R$ 16,7 bilhões no Banco Master em operações que ocorreram ou estavam previstas para os anos de 2024 e 2025, montantes que agora são alvo de apuração por suspeita de gestão fraudulenta. Em novembro, uma operação conjunta da Polícia Federal e do Ministério Público resultou no afastamento do cargo do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que foi posteriormente demitido. As apurações indicam falhas graves de governança e possíveis ilícitos administrativos nas operações, levando ex-executivos de ambas as instituições a serem intimados a prestar depoimento no final de janeiro e início de fevereiro.
A defesa de Ibaneis Rocha e os encontros sociais
A versão do governador sobre as negociações
Diante das graves acusações e do pedido de impeachment, o governador Ibaneis Rocha negou veementemente qualquer envolvimento direto nas negociações entre o BRB e o Banco Master. Em declarações à imprensa, Ibaneis afirmou que nunca tratou da operação BRB-Master com Daniel Vorcaro e que todas as negociações foram conduzidas por Paulo Henrique Costa, que à época presidia o BRB.
O governador confirmou ter tido encontros sociais com o banqueiro, incluindo um almoço na casa de Vorcaro que, segundo ele, foi “organizado por um amigo em comum”. Contudo, Ibaneis Rocha fez questão de enfatizar que em nenhum desses encontros foram discutidos assuntos relacionados aos bancos. Ele reiterou sua posição, afirmando que “tudo era conduzido” pelo ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, demitido após a deflagração das operações da Polícia Federal e do Ministério Público. “Em momento algum nas quatro vezes que o encontrei tratei de assuntos relacionados ao BRB–Master. Entrei mudo e saí calado. O único erro meu foi ter confiado demais no Paulo Henrique “, declarou Ibaneis Rocha, atribuindo a responsabilidade pelas transações ao ex-dirigente do BRB.
Desdobramentos e o caminho das apurações
Próximos passos e a atuação das autoridades
A situação envolvendo o governador Ibaneis Rocha e o escândalo financeiro do Banco Master com o BRB continua em plena efervescência, com desdobramentos esperados nos próximos meses. As investigações indicam a complexidade do caso e a necessidade de aprofundamento das apurações em diversas frentes. O ministro do STF, Dias Toffoli, já marcou depoimentos cruciais para os dias 26 e 27 de janeiro, bem como para o final de janeiro e início de fevereiro, envolvendo ex-executivos das duas instituições.
Além das investigações conduzidas pelo Ministério Público Federal, pela Polícia Federal e pelo Banco Central, a nova gestão do BRB também está realizando uma auditoria interna independente para analisar todas as transações suspeitas. No entanto, as conclusões oficiais dessas análises ainda não foram divulgadas. A expectativa é que esses próximos passos tragam mais clareza sobre as responsabilidades e a extensão dos possíveis ilícitos. A situação política do governador Ibaneis Rocha permanece incerta enquanto os pedidos de impeachment tramitam e as investigações avançam, com sérias implicações para o futuro da administração pública no Distrito Federal e para a imagem do BRB.
Conclusão
A solicitação de impeachment contra o governador Ibaneis Rocha pelo PSB-DF, Cidadania-DF e PSOL representa um marco significativo na crise política e financeira que atinge o Distrito Federal. As alegações de crimes de responsabilidade e atuação temerária, impulsionadas pela citação do governador pelo banqueiro Daniel Vorcaro, expõem um complexo emaranhado de transações financeiras e falhas de governança envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master. Enquanto as investigações do Ministério Público Federal, da Polícia Federal e do Banco Central prosseguem para desvendar a verdade por trás de bilhões em aportes e carteiras supostamente inexistentes, a defesa de Ibaneis Rocha contradiz as afirmações de Vorcaro, atribuindo a total responsabilidade ao ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. O desfecho dessas apurações não apenas definirá o futuro político do governador, mas também terá implicações profundas na credibilidade das instituições públicas e na transparência da gestão financeira no país.
Perguntas frequentes (FAQ)
1. Por que o impeachment do governador Ibaneis Rocha foi solicitado?
O pedido de impeachment foi protocolado por partidos de oposição (PSB-DF, Cidadania-DF e PSOL) após o governador ser citado pelo banqueiro Daniel Vorcaro em investigações sobre operações financeiras entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master. Os partidos alegam supostos crimes de responsabilidade e atuação temerária, com risco ao erário e violação de princípios da administração pública.
2. Quais são as principais acusações contra o governador Ibaneis Rocha?
As acusações incluem a suposta compra de títulos de baixa qualidade pelo BRB, criação de dívidas fora do orçamento, negociações sem transparência com o banqueiro e possível influência indevida do governador em decisões internas do BRB. Daniel Vorcaro afirmou à Polícia Federal ter conversado com Ibaneis sobre as negociações.
3. Qual é o papel de Daniel Vorcaro e do Banco Master neste caso?
Daniel Vorcaro é o proprietário do Banco Master, instituição que, segundo as investigações, teria vendido ao BRB cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito supostamente inexistentes, numa tentativa de evitar sua quebra. O Banco Master acabou sendo liquidado pelo Banco Central em novembro, e Vorcaro citou o governador Ibaneis em seu depoimento à Polícia Federal.
4. O governador Ibaneis Rocha se defende das acusações?
Sim, o governador Ibaneis Rocha nega ter tratado da operação BRB-Master com Daniel Vorcaro. Ele afirma que todas as negociações foram conduzidas por Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB, e que seus encontros sociais com Vorcaro não envolveram discussões sobre assuntos bancários.
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