Anvisa moderniza gestão para acelerar análises e inovações nacionais

9 Tempo de Leitura
© Valter Campanato/Agência Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) inicia uma nova fase sob a liderança do economista Leandro Safatle, empossado diretor-presidente em agosto de 2025 após aprovação do Senado Federal. Sua chegada à frente da autarquia ocorre em um momento crucial, onde o dinamismo das descobertas científicas, especialmente na área da saúde, contrasta com a necessidade de otimização dos processos regulatórios. A gestão de Safatle foca em duas frentes estratégicas: a redução das filas de análises processuais e a priorização das inovações nacionais em saúde. Essa abordagem visa não apenas modernizar a agência, mas também posicionar o Brasil como um polo de desenvolvimento sanitário, impulsionando soluções que beneficiem diretamente a saúde pública e o Sistema Único de Saúde (SUS).

Nova liderança e o desafio regulatório

A chegada de Leandro Safatle
Leandro Safatle assumiu a presidência da Anvisa sucedendo Antônio Barra Torres, em um período de intensa e contínua transformação para o setor regulatório sanitário. Em diversas ocasiões, Safatle tem destacado a importância de alinhar o ritmo da agência com a velocidade das inovações científicas globais. Um de seus pilares de gestão é o incentivo à pesquisa e ao desenvolvimento de tecnologias dentro do próprio país, com um olhar atento para as necessidades do Sistema Único de Saúde (SUS). A visão é clara: embora o Brasil ainda dependa de muitas inovações importadas, o foco agora se volta para o crescente número de desenvolvimentos realizados em território nacional. Este movimento representa uma oportunidade ímpar para a indústria e a ciência brasileiras atenderem às demandas internas de forma mais autônoma e eficiente.

Impulsionando a inovação brasileira em saúde

O promissor caso da polilaminina
A Anvisa recentemente autorizou o início da primeira fase de estudos clínicos para a polilaminina, um medicamento desenvolvido por pesquisadores brasileiros com potencial para tratar lesões na medula espinhal. Este projeto é um exemplo emblemático da inovação nacional que a Anvisa busca priorizar: uma pesquisa concebida em universidade pública, com cientistas e desenvolvimento inteiramente brasileiros. A aprovação da Fase 1, que se concentra na segurança do produto em cinco pacientes, é um passo inicial crucial. A expectativa é que, se bem-sucedida, a pesquisa avance para as fases 2 e 3, onde a eficácia e segurança serão aprofundadas. O processo regulatório completo é rigoroso, mas a Anvisa assegura que conferirá a celeridade necessária para o avanço deste projeto promissor, reconhecendo seu potencial impacto na vida de pessoas com lesão medular.

O papel estratégico do Comitê de Inovação
Para sistematizar o acompanhamento e apoio a projetos de alta relevância, a Anvisa criou o Comitê de Inovação. Este comitê, que realizou sua primeira reunião em dezembro, tem como objetivo principal avaliar e impulsionar produtos e tecnologias inovadoras que possuam impacto significativo na saúde pública brasileira. Quatro projetos iniciais foram selecionados para acompanhamento prioritário: a já mencionada polilaminina, uma vacina contra a Chikungunya, o método Wolbachia para o combate à dengue e endopróteses. A escolha desses casos se justifica pelo fato de representarem inovações radicais, com desenvolvimento integralmente nacional e grande potencial de repercussão em termos de saúde pública. O comitê atua aproximando a alta gestão da agência dos progressos e desafios desses projetos, oferecendo o suporte e os subsídios necessários para que as equipes técnicas realizem as melhores análises possíveis, garantindo que a inovação chegue mais rapidamente à população, sem abrir mão do rigor científico.

Redução de filas: agilidade com segurança

Medidas excepcionais para otimizar processos
Reconhecendo a lentidão em alguns trâmites, a Anvisa aprovou, em dezembro, uma proposta com medidas excepcionais e temporárias destinadas a otimizar a fila de análises processuais. O objetivo ambicioso é reduzir as filas pela metade em seis meses e normalizar os pedidos em um ano. As ações visam principalmente processos relacionados a medicamentos, vacinas, dispositivos médicos e inspeções. Para alcançar esses resultados, a agência implementará diversas estratégias, incluindo a formação de forças-tarefa internas, o aproveitamento de estudos clínicos realizados em outros países por meio do conceito de “reliance” (confiança regulatória), e a realização de análises otimizadas que permitem avaliar múltiplos produtos conjuntamente.

É crucial destacar que essas medidas não implicam um afrouxamento das regras. A Anvisa reitera que o rigor científico e a segurança sanitária permanecem como primazia absoluta. As mudanças são de gestão, focadas na otimização de tempo e processos. Para monitorar o progresso, uma sala de situação foi estabelecida, acompanhando diariamente a evolução das filas, e um comitê de monitoramento com participação da sociedade civil e do setor regulado garante a transparência das ações. Adicionalmente, um reforço significativo na força de trabalho da agência está a caminho: 100 novos especialistas, o maior contingente em dez anos, serão nomeados entre janeiro e fevereiro para integrar o esforço de redução das filas.

Anvisa rumo ao reconhecimento global

Qualificação internacional pela OMS
A ambição da Anvisa vai além das fronteiras nacionais, buscando solidificar sua posição como autoridade sanitária de referência em nível global. Atualmente, a agência está passando por um processo de qualificação junto à Organização Mundial da Saúde (OMS). Embora já reconhecida como uma agência de referência informalmente, este processo formal de qualificação é fundamental para que a Anvisa seja oficialmente chancelada pela OMS, colocando-a no mesmo patamar das principais agências reguladoras do mundo. A meta é atingir este reconhecimento até 2026. Este feito seria de imensa importância para o Brasil, reforçando a credibilidade do seu sistema regulatório e impactando positivamente as relações comerciais e a cooperação internacional na área da saúde, especialmente na região das Américas e no cenário mundial.

Perguntas frequentes sobre a Anvisa

Quem é o novo diretor-presidente da Anvisa e quais são suas prioridades?
Leandro Safatle é o economista que assumiu a diretoria-presidência da Anvisa em agosto de 2025. Suas prioridades incluem a redução das filas de análises processuais e a promoção de inovações nacionais em saúde, visando agilizar os processos regulatórios sem comprometer a segurança.

Como a Anvisa pretende acelerar a análise de processos sem comprometer a segurança?
A Anvisa implementou medidas temporárias como forças-tarefa, aproveitamento de estudos clínicos externos (“reliance”) e análises otimizadas. Essas ações são de gestão e processuais, mantendo o rigor científico e a segurança sanitária como inegociáveis. Um reforço de 100 novos especialistas também contribuirá para a aceleração.

O que é o Comitê de Inovação da Anvisa e quais projetos ele acompanha?
O Comitê de Inovação é um órgão criado para acompanhar e avaliar produtos e tecnologias inovadoras prioritárias para a saúde pública brasileira. Atualmente, acompanha projetos como a polilaminina (lesão medular), a vacina contra a Chikungunya, o método Wolbachia (combate à dengue) e endopróteses.

Qual o objetivo da Anvisa em relação ao reconhecimento internacional?
A Anvisa busca a qualificação formal pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma agência de referência global até 2026. Este reconhecimento fortalecerá a credibilidade do Brasil no cenário internacional, confirmando o alto padrão de seu sistema regulatório.

Acompanhe as próximas notícias e comunicados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária para ficar por dentro dos avanços e impactos dessas importantes iniciativas na saúde do Brasil.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

Compartilhe está notícia