A busca por alimentos funcionais e produtos enriquecidos com proteína transformou as prateleiras dos supermercados e a dieta dos brasileiros. Pães, iogurtes, biscoitos, cafés e chocolates agora exibem versões com teor proteico elevado, prometendo saciedade e benefícios para a saúde. Impulsionado pelo interesse em nutrição funcional e ganho de massa muscular, o consumo desses produtos, em particular o whey protein, antes restrito ao universo esportivo, se popularizou entre diversos grupos de consumidores. Diante dessa tendência, especialistas alertam para a importância de um consumo consciente e orientado.
Nutricionistas enfatizam que o whey protein pode ser um aliado valioso em situações de suplementação, mas não deve substituir a alimentação equilibrada nem ser utilizado sem a devida orientação profissional.
O mercado global de suplementos proteicos está em franca expansão, com projeções que ultrapassam os US$ 3 milhões em 2026, reflexo do aumento do consumo de proteínas. Pesquisas indicam que mais de 63% dos consumidores preocupados com a saúde utilizam suplementos diariamente. A praticidade impulsiona a demanda por bebidas proteicas prontas para consumo, que representam mais de 58% das vendas. Observa-se também um crescente interesse por suplementos à base de plantas, com um aumento de 54% na preferência global, indicando uma busca por alternativas consideradas mais saudáveis e sustentáveis.
A proteína desempenha um papel crucial no organismo, sendo fundamental para a manutenção e reparo dos tecidos, a síntese de enzimas e hormônios, o fortalecimento do sistema imunológico e a preservação da massa muscular. No entanto, o consumo excessivo de proteína tem gerado preocupação. Muitos acreditam que quanto mais proteína, melhor, mas essa ideia não corresponde à realidade. Em muitos casos, a dieta já fornece a quantidade suficiente, e a ingestão adicional por meio de produtos industrializados não traz benefícios adicionais. Além disso, produtos rotulados como “alta proteína” podem conter quantidades elevadas de açúcar, adoçantes artificiais ou serem ultraprocessados, o que compromete seu valor nutricional.
A recomendação para adultos saudáveis é de 0,8 a 1 grama de proteína por quilo de peso corporal por dia. Atletas e pessoas que praticam exercícios intensos podem necessitar de uma ingestão maior, entre 1,4 e 2,0 g/kg/dia. Idosos também podem precisar de cerca de 1,2 g/kg/dia para preservar a massa muscular. O corpo possui um limite para o aproveitamento da proteína. O excesso é convertido em energia ou gordura e eliminado pelos rins, o que pode causar sobrecarga.
O consumo exagerado de proteína não potencializa o ganho de massa muscular. A síntese proteica atinge um ponto de saturação, e o excesso é oxidado ou convertido em ureia e excretado. Dietas com excesso de proteína podem levar à redução do consumo de carboidratos, causando fadiga, queda no desempenho físico e dificuldade de recuperação muscular. Sintomas como fadiga, mau hálito, distensão abdominal, constipação e aumento da ureia no sangue podem indicar consumo excessivo de proteína. É importante estar atento aos sinais do corpo, pois muitas vezes esses sintomas são atribuídos ao ritmo de treinamento.
A suplementação proteica é indicada para pessoas que não conseguem atingir a meta diária de proteína apenas com a alimentação, como atletas de alto rendimento, idosos com risco de sarcopenia, pessoas em recuperação de cirurgias ou com restrições alimentares. Para quem mantém uma dieta variada com carnes magras, ovos, leite, iogurtes e leguminosas, a suplementação geralmente não é necessária. O suplemento deve ser encarado como um complemento, e não como um substituto das refeições.
Erros comuns no uso de proteína incluem o consumo acima da necessidade real, a substituição de refeições por suplementos, a falta de atenção à distribuição da ingestão ao longo do dia, a desconsideração de condições clínicas preexistentes, a escolha de marcas sem certificação e a crença de que o produto, por si só, é responsável pelos resultados. Uma alimentação equilibrada deve ser a base da nutrição, complementada por hábitos saudáveis como uma dieta variada, prática de exercícios, sono adequado e hidratação.
Fontes naturais de proteína que não podem faltar na dieta:
Carnes magras: Frango, peixe, carne bovina sem gordura e cortes suínos magros oferecem proteína de alta qualidade e aminoácidos essenciais, ideais para ganho e manutenção de massa muscular.
Ovos: Considerados um dos alimentos mais completos, a clara é praticamente proteína pura, enquanto a gema concentra nutrientes como ferro, zinco e vitaminas do complexo B.
Leguminosas: Feijão, lentilha, grão-de-bico e ervilha são opções vegetais ricas em proteína e fibras. Combinadas com cereais, fornecem todos os aminoácidos essenciais.
Laticínios: Leite, iogurte e queijos são fontes de proteína de fácil absorção e também fornecem cálcio, importante para ossos e músculos. Prefira versões com menor teor de gordura e sem adição de açúcar.
Fonte: www.jornaldebarueri.com.br


