Médicas de hospital em são paulo são flagradas em atividades fora do expediente

3 Tempo de Leitura
G1

Três ginecologistas do Ambulatório de Especialidades do Complexo Hospitalar Heliópolis, localizado na Zona Sul de São Paulo, foram vistas realizando atividades pessoais durante o horário em que deveriam estar atendendo pacientes. As médicas foram flagradas fazendo compras e participando de aulas de pilates.

Uma escala fixada na recepção do ambulatório identifica as médicas Márcia Kamilos, Silmara Fialho e Mara Gomes como parte do quadro de profissionais da área de ginecologia. No entanto, pacientes relatam dificuldades em agendar consultas há meses. Uma cozinheira, Rita de Cássia, afirma que não consegue marcar um atendimento com um ginecologista há mais de seis meses, recebendo sempre a informação de que não há vagas disponíveis. A irmã de Rita também enfrenta o mesmo problema.

A médica Márcia Kamilos está afastada do hospital há um ano, apresentando um atestado médico de 365 dias desde dezembro de 2024, justificado por “capacidade laborativa prejudicada”. Apesar do afastamento, foi possível marcar uma consulta com ela em uma clínica particular no bairro dos Jardins, com horários disponíveis. Além disso, Márcia Kamilos participou de congressos, ministrando aulas e palestras em diversas cidades, incluindo São Paulo, Goiânia e Brasília.

Silmara Fialho, que tem escala de trabalho às segundas e quartas-feiras, foi vista chegando com atraso em um dos dias e saindo antes do horário previsto em outro. Em um dos dias em que deveria estar trabalhando, ela foi encontrada fazendo compras na zona cerealista de São Paulo. Nos dias 24 e 26 de novembro, Silmara Fialho não compareceu ao trabalho.

A médica Mara Gomes tem jornadas de trabalho de 10 horas às segundas e quartas e de seis horas às sextas. Em um dos dias, ela retornou ao ambulatório após um período de três horas fora do hospital, onde fez aula de pilates e almoçou. Em outro dia, foi flagrada fazendo pilates em São Caetano durante o horário em que deveria estar no hospital.

Dados do Portal da Transparência do Estado de São Paulo indicam que, de janeiro a outubro de 2025, as médicas Márcia Kamilos, Mara Gomes e Silmara Fialho receberam salários que somam mais de R$ 210 mil.

Márcia Kamilos declarou que a administração do hospital tem conhecimento do seu afastamento e da documentação apresentada.

A Secretaria de Saúde informou que determinou à organização social Albert Einstein, responsável pela gestão do hospital, uma apuração imediata e rigorosa dos fatos, repudiando qualquer conduta incompatível com a ética profissional. Em caso de confirmação de irregularidades, as profissionais envolvidas podem sofrer sanções administrativas, trabalhistas e legais. A Organização Einsten Hospital Israelita informou que iniciou a implementação de melhorias nos controles internos, como registro de ponto por biometria facial, para aprimorar a supervisão de seus colaboradores.

Fonte: g1.globo.com

Compartilhe está notícia