A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) formalizou uma notícia-crime contra o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) junto ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. A acusação, apresentada neste domingo (23), alega que Ferreira desrespeitou uma decisão judicial ao utilizar seu aparelho celular durante uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
De acordo com a denúncia, imagens divulgadas por uma emissora de televisão mostram o deputado mineiro manuseando o celular na residência de Bolsonaro, onde o ex-presidente cumpria prisão domiciliar desde agosto. Hilton argumenta que essa ação viola a determinação da petição (PET 14.129/DF), que proíbe o uso de celulares por terceiros na presença de Bolsonaro.
A visita de Ferreira ocorreu um dia antes de Bolsonaro danificar sua tornozeleira eletrônica com um ferro de solda, incidente que resultou na decretação de sua prisão preventiva, justificada pelo risco de fuga.
Em sua rede social, Erika Hilton sugere que Nikolas Ferreira pode ter instigado ou auxiliado Bolsonaro em uma possível tentativa de evasão. Ela pede a busca e apreensão do celular do deputado como medida para preservar as provas da suposta instigação ou auxílio. “A conduta descumpre ordem judicial e aponta para possível instigação ou auxílio ao plano de evasão”, afirmou a deputada em sua publicação.
Nikolas Ferreira se defendeu das acusações em sua rede social, afirmando que “não houve comunicação prévia de qualquer restrição ao uso de celular, nem por parte do Judiciário, nem pelos agentes responsáveis pela fiscalização, durante a visita”.
Em nota, ele também criticou o uso de um drone para filmar a residência do ex-presidente, classificando-o como uma “invasão grave de privacidade” e uma atitude “totalmente incompatível com qualquer padrão mínimo de ética jornalística”. Ferreira argumenta que o episódio revela mais sobre a “conduta invasiva da emissora” do que sobre a sua própria conduta.
A prisão preventiva de Bolsonaro foi decretada após o incidente com a tornozeleira eletrônica. Em audiência de custódia, o ex-presidente alegou ter tido uma “alucinação” de que havia uma escuta no dispositivo, o que o teria levado a tentar abri-lo. Bolsonaro também mencionou uma “certa paranoia” devido à interação inadequada de medicamentos que estava tomando, receitados por diferentes médicos.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


