A Conferência das Partes (COP) se concentra na implementação de medidas concretas para frear o aumento da temperatura global, mas a questão central permanece: quem arcará com os custos dessa empreitada? A COP de Belém pode não trazer a resposta definitiva para essa pergunta crucial.
O financiamento climático emerge como um tema transversal nas negociações da COP, embora não esteja formalmente incluído como um ponto de negociação independente. A discussão sobre o financiamento perpassa outros tópicos da agenda, especialmente os relacionados à adaptação.
No Acordo de Paris de 2015, estabeleceu-se que as nações ricas, historicamente as maiores emissoras de poluentes e responsáveis pelo aquecimento global, devem financiar as medidas necessárias nos países em desenvolvimento, que contribuíram menos para a crise climática. Na COP anterior, em Baku, no Azerbaijão, definiu-se uma meta para que as grandes potências repassassem US$ 300 bilhões anuais aos países mais pobres até 2035. Esse valor ainda está muito aquém dos mais de US$ 1 trilhão estimados como necessários para implementar ações climáticas efetivas.
A concretização de metas mais ambiciosas depende do compromisso de recursos. A expectativa é que os países revisem suas metas a cada cinco anos, buscando aumentar a ambição. No entanto, sem um gesto concreto de provisão de recursos por parte dos países desenvolvidos, torna-se difícil para os países em desenvolvimento expandirem sua ambição.
Os países do Sul Global dependem desses recursos, especialmente devido ao seu alto endividamento e à sua vulnerabilidade aos impactos das mudanças climáticas. Os países da América Latina, Caribe e Sudeste Asiático, em particular, têm registrado um aumento nos eventos climáticos extremos e nos danos causados às suas populações. A justiça climática se manifesta na necessidade de fornecer recursos a esses países, evitando que se endividem ainda mais, para que possam reverter esse cenário.
Ampliar as fontes de financiamento, especialmente para adaptação climática, é uma estratégia em negociação. Há discussões relevantes para estabelecer metas de financiamento para adaptação. Uma proposta em análise é triplicar o financiamento para adaptação até 2030.
Durante a COP30, Brasil e Azerbaijão apresentaram o “Mapa do Caminho Baku a Belém”, buscando traçar uma rota para alcançar os US$ 1 trilhão necessários para financiar ações climáticas. Até o dia 21, espera-se uma resposta sobre a viabilidade desse plano.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


