Eva Maria de Lima, proprietária das casas de repouso clandestinas em Ribeirão Preto, São Paulo, onde idosos foram encontrados em condições degradantes, manteve-se em silêncio durante seu depoimento à Polícia Civil. A prisão preventiva de Lima ocorreu no domingo, após a descoberta de que os estabelecimentos continuavam operando, mesmo após terem sido interditados pela Justiça em abril deste ano.
A defesa de Eva Maria não se manifestou até o momento.
Ao todo, 36 idosos foram resgatados em três endereços distintos: Vila Seixas, Alto da Boa Vista e Parque Ribeirão. Inicialmente, seis desses idosos necessitaram de abrigo temporário em uma das casas de repouso, devido à falta de alternativas familiares. Contudo, com o apoio da Prefeitura, todos foram posteriormente transferidos para a Casa do Vovô, localizada no bairro Ipiranga, onde permanecerão até que seus familiares possam assumir os cuidados.
A Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas) deve encaminhar à delegacia, até a próxima sexta-feira, uma lista dos idosos em condições de prestar depoimento.
Eva Maria de Lima enfrenta acusações graves, incluindo expor idosos a perigo, submetê-los a condições desumanas e degradantes, e privá-los de alimentos e cuidados essenciais, conforme previsto no Estatuto do Idoso. As denúncias revelam que os idosos eram amarrados, viviam em ambientes insalubres e sofriam com alimentação inadequada. Uma ex-funcionária relatou que até o uso de fraldas era limitado, forçando os residentes a permanecerem em contato com urina e fezes por longos períodos.
As unidades do asilo “Meu Doce Lar”, interditadas desde abril, continuavam a funcionar ilegalmente, recebendo novos pacientes. Durante a operação de resgate, conduzida em conjunto com o Ministério Público, Vigilância Sanitária e Prefeitura, a proprietária, de 40 anos, foi detida sob suspeita de maus-tratos e abandono.
As famílias pagavam mensalidades de R$ 2,5 mil pelos serviços. A defesa de Lima nega todas as acusações e informou ter entrado com um recurso para sua libertação.
Dos 36 idosos resgatados, sete necessitaram de internação em unidades de saúde, devido ao seu estado de saúde. Os demais 29 foram encaminhados para instituições no Centro e no bairro Alto da Boa Vista, sob os cuidados emergenciais da Prefeitura de Ribeirão Preto.
A Prefeitura de Brodowski, que custeava as despesas de dois idosos no “Meu Doce Lar” por determinação judicial, cancelou o contrato e transferiu os pacientes para outra casa de repouso no bairro Ribeirânia.
Fonte: g1.globo.com


