Absolvido de acusação de assalto bilionário vira influenciador e relata preconceito

3 Tempo de Leitura
G1

Daniel Ferraz, absolvido pela Justiça de São Paulo da acusação de envolvimento na construção de um túnel que visava o cofre principal de uma agência do Banco do Brasil, tem buscado reconstruir sua vida como influenciador digital. Após a absolvição, ele relata dificuldades em conseguir um emprego formal e enfrenta preconceito devido ao seu histórico criminal.

O caso do túnel, descoberto em outubro de 2017, na Zona Sul de São Paulo, ganhou notoriedade devido à estimativa da quantia que a quadrilha pretendia subtrair, cerca de R$ 1 bilhão. As autoridades da época classificaram o plano como “o maior assalto do mundo”.

Ferraz, de 32 anos e morador de Guarujá, foi preso em flagrante em 2020 por porte ilegal de arma e roubo a residência, acusações das quais também foi absolvido por falta de provas. Ele passou quase dois meses na prisão. O influenciador lamenta que sua mãe, de 70 anos, tenha gasto suas economias para pagar um advogado e que seus estudos em Engenharia Civil e o aperfeiçoamento em inglês não tenham se traduzido em oportunidades de emprego.

Atualmente, Ferraz utiliza as redes sociais para compartilhar sua paixão por motocicletas, carros e veículos marítimos, alcançando uma audiência de mais de 100 mil seguidores. Apesar do sucesso nas plataformas digitais, ele afirma que o estigma do passado o persegue. “Na rua, não consegui emprego e sou discriminado até hoje. Quando sou abordado pela polícia, pensam que eu sou um criminoso”, declarou.

A defesa de Ferraz, conduzida pelo advogado Marcos Jesuino Junior, argumentou que a acusação de envolvimento no caso do túnel se baseou em uma combinação genética entre uma luva apreendida em um roubo a residência e uma escova de dente encontrada no túnel. No entanto, a prova de que a luva pertencia a Daniel foi considerada inconclusiva. O juiz Guilherme Eduardo Martins Kellner, da 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa, Lavagem de Bens e Valores da Capital, acolheu os argumentos da defesa e julgou improcedente o pedido do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), absolvendo Daniel por falta de provas suficientes para a condenação.

Fonte: g1.globo.com

Compartilhe está notícia